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ex-policial Philippe Manier condenado à prisão perpétua em recurso
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Sem fazer o menor gesto, Philippe Hategekimana, naturalizado francês sob o nome de Philippe Manier, ouviu o seu julgamento. O ex-subtenente da gendarmaria foi condenado na terça-feira, 17 de Dezembro, por genocídio e crimes contra a humanidade perpetrados em Abril de 1994 em Nyanza, no sul de Ruandae condenado à prisão perpétua. Um veredicto consistente com o pronunciado em primeira instância.
Após mais de doze horas de deliberação, o Tribunal de Justiça de Paris concluiu que ele havia “inscrito numa organização genocida e tendo sido o seu braço zeloso”, segundo o presidente do tribunal, Marc Sommerer. “Em vez de cumprir os seus deveres de gendarme, de proteger a população, você usou a sua autoridade e o seu prestígio, ele detalhou. Você participou ativamente no assassinato de idosos, mulheres e crianças. » Aquele a quem todos apelidaram de “Biguma” quando esteve no Ruanda, em nome de um professor conhecido pela sua severidade, foi julgado por factos imprescritíveis ao abrigo do princípio da jurisdição universal que permite, desde 2010, a acusação de autores de crimes graves independentemente de onde foram cometidos.
“Não é um resultado surpreendente, declarou Alain Gauthier, presidente do Colectivo dos Partidos Civis para o Ruanda (CPCR), uma associação que rastreia suspeitos de genocídio em França. A sentença é idêntica à proferida em primeira instância. Quando um arguido recorre neste tipo de julgamento, deve ser fundamentado e apresentar novos elementos. Este não foi o caso durante as seis semanas de audiências. »
Durante o julgamento, Philippe Manier, 67 anos, encolheu-se diante do seu frágil álibi e das suas posições. Afirmou ter saído de Nyanza com destino a Kigali, a capital, para onde acabara de ser transferido, na segunda quinzena de Abril de 1994. Afirmou ter tomado a estrada « 19 (abril) »quatro dias antes do assassinato de Narcisse Nyagasaza, um prefeito que atrasou a aplicação das instruções genocidas do governo em sua comuna. Um assassinato do qual ele foi considerado culpado. Philippe Manier afirma que não poderia ter estado nas colinas de Nyamure e Nyabubare em 23 de Abril de 1994, quando vários milhares de tutsis foram exterminados com facões pelos milicianos Interahamwe. e habitantes hutus.
Fugitivo
Philippe Manier e as suas múltiplas agendas não convenceram. Durante a investigação, o arguido disse primeiro que chegou a Kigali « dia 25 (abril) », Então « dia 20 ou 21 » e outra vez “dia 22 ou dia 26”. “A história de Philippe Manier é baseada em mentiras e áreas cinzentas, castigou Rodolphe Juy-Birmann, procurador-geral, durante suas requisições na sexta-feira. Nem uma única linha é sincera, ele não se preocupa com a credibilidade de suas negações e acabou se convencendo de suas próprias mentiras. »
Após o genocídio, “Biguma” fugiu, em Julho de 1994, para o Zaire (hoje República Democrática do Congo) e depois para o Congo-Brazzaville, a República Centro-Africana e os Camarões. Uma corrida durante a qual mudou várias vezes de identidade. Munido de documentos falsos, Philippe Hategekimana chegou a França em Fevereiro de 1999, onde destacou o seu passado como professor de desporto no Ruanda – o que era – ao Gabinete Francês para a Protecção dos Refugiados e Apátridas (Opra) para obter o estatuto de refugiado.
Em abril de 2005, foi naturalizado francês por decreto com o nome de Philippe Manier. Ele então trabalhou como oficial de segurança contra incêndio na Universidade de Rennes. Em 2015, foi apresentada denúncia contra ele pela CPCR. Fugiu então para os Camarões, onde foi preso três anos mais tarde no aeroporto de Yaoundé enquanto esperava pela sua esposa, cujo telefone foi grampeado por investigadores do Gabinete Central de Luta contra os Crimes contra a Humanidade e os Crimes de Ódio (OCLCH).
Cerca de uma centena de testemunhas compareceram perante o tribunal de Paris ou foram ouvidas por videoconferência a partir de Kigali. Trinta anos depois dos acontecimentos, alguns testemunhos revelaram-se imprecisos e por vezes até contraditórios. A defesa logicamente abordou estas lacunas para tentar desacreditá-las.
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“Philippe Manier foi condenado com base em provas incompletas e insuficientes, lamentou Me Emmanuel Altit, um dos quatro advogados do ex-gendarme. Demonstramos ao longo do julgamento que não havia nada no caso, exceto testemunhos forjados. »
Massacre
Mas o júri do Tribunal de Justiça considerou que a história de Valens Bayingana, um sobrevivente do massacre de Nyamure que alegou ter visto “Biguma” “com uniforme marrom, boina vermelha e rifle” no processo de “atirar e dar ordens”era autêntico. Segundo ele, Philippe Hategekimana foi mesmo quem atirou primeiro “sobre um grupo de mulheres” para dar o sinal de partida para o massacre em massa. Os jurados também consideraram credível o depoimento de Julienne Nyirakuru, com cerca de dez anos de idade na época dos fatos, ao declarar ter visto o suboficial “distribuir facões aos moradores”. Muitos outros atestaram a sua presença onde os massacres dos tutsis foram decididos ou orquestrados.
“Na colina de Nyaburare, até dissemos: “Biguma está chegando, ninguém vai sobreviver!” argumentou Aude Duret, conselheira geral. Ele coordenou os ataques, foi o chefe de operações. » A sua presença nas “barreiras”, estes postos de controlo tripulados pela população ou pela Interahamwe e onde milhares de tutsis foram exterminados durante o genocídio que deixou entre 800.000 e um milhão de mortos na Primavera de 1994, também foi atestado em numerosas ocasiões. Na barreira Akazu K’amazi – a “boca de incêndio” em Kinyarwanda –, onde um grupo de vinte e oito tutsis encontrou a morte, cinco testemunhas os reconheceram.
“A fase final do genocídio é a indiferença”argumentou Jean Simon, advogado da associação Survie e de quinze partes civis. Philippe Manier esteve um pouco menos silencioso durante este segundo julgamento, mas nunca expressou empatia pelos sobreviventes dos massacres que desfilaram diante dele e não pronunciou uma única palavra de compaixão. Antes de o tribunal se retirar para deliberar, ele leu um pequeno texto no qual declarava que “o genocídio foi uma realidade atroz” e isso “todas as famílias foram afetadas” antes de reafirmar sua inocência. Sua defesa tem dez dias para recorrer ao Tribunal de Cassação.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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