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Ex-preso na Síria: é bonito ver cair um regime torturador – 11/12/2024 – Mundo

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Diogo Bercito

A derrubada de Bashar al-Assad significa o fim de símbolos de uma ditadura familiar de mais de 50 anos, e uma das imagens mais marcantes foi a de centenas de pessoas entrando numa fortaleza do regime, a temida prisão de Saydnaya.

A queda de Assad emocionou Omar Alshogre, 29, um conhecido ex-detento desse presídio. “É a coisa mais bonita ver um ditador cair depois de ter lhe torturado e matado sua família”, diz à Folha, por telefone.

Hoje ativista de direitos humanos, Alshogre fala da Suécia, onde se refugiou em 2015 após escapar de Saydnaya —um labirinto de túneis, celas, valas comuns e aparatos de tortura conhecido como “o açougue da humanidade”. Rebeldes libertaram milhares de presos políticos nos últimos dias, um dos eventos mais importantes no contexto da queda de Assad. Circulam imagens de sírios reencontrando parentes dados como mortos havia décadas.

“Eu sonhei com isso por tantos anos e trabalhei tanto por isso”, afirma Alshogre. “Nunca mais o regime vai prender pessoas em Saydnaya, e isso faz com que eu recupere um pouco da minha fé na humanidade.”

Construída nos anos 1980, cerca de 30 quilômetros ao norte de Damasco, Saydnaya era a principal prisão política de Assad. Segundo a Anistia Internacional, tinha capacidade para encarcerar cerca de 20 mil pessoas.

A fama de açougue vinha das frequentes execuções perpetradas pelo regime, sem julgamento. Ainda de acordo com a Anistia, foram cerca de 13 mil mortos no local, apenas no período de 2011 a 2016, já em meio à guerra civil que se instaurou no país.

Os vídeos divulgados nos últimos dias por ativistas e pela imprensa internacional mostram celas sem janela, corpos esquálidos e um maquinário macabro de tortura com prensas de concreto e incineradores.

Alshogre tinha 17 anos quando foi preso, em 2012. Soldados apareceram um dia na casa de sua tia e o detiveram com três primos —dois deles mais tarde morreram no cárcere. Diz que nunca soube a razão da prisão.

Passou por dez instalações até chegar ao inferno de Saydnaya. A primeira coisa que lhe chamou a atenção foram os gritos dos prisioneiros sob tortura, pedindo para morrer. “É algo que quebra qualquer pessoa.”

Ele foi espancado, eletrocutado e teve as unhas arrancadas pelos soldados de Assad. Só conseguiu sair em 2015 quando sua mãe conseguiu juntar US$ 15 mil (hoje, o equivalente a R$ 90 mil) para subornar o regime.

As imagens que circulam agora, nas palavras de Alshogre, são insuficientes para expressar o que aquele lugar significa. O terror, afirma, não está nas más condições sanitárias nem nas celas abarrotadas, onde prisioneiros dormiam de pé. “Era o grito das pessoas sendo torturadas, o medo entre as paredes, o fato de que você sabia que poderia morrer a qualquer momento, que nunca mais veria sua família, que não respiraria nunca mais o ar fresco.”

O mundo tinha alguma ideia do que acontecia. Já em 2013 um militar sírio conhecido pelo codinome Caesar havia contrabandeado milhares de fotografias mostrando as torturas e os prisioneiros desnutridos.

Há um gênero literário bastante consolidado na região, inclusive, dando conta da realidade nas prisões. Um exemplo é o romance “A Concha”, publicado em 2018 pelo sírio Mustafa Khalifa e traduzido para o inglês.

Alshogre também dedicou sua vida, desde a soltura, a denunciar os crimes do regime. Estudou nos Estados Unidos e colaborou com uma série de grandes organizações humanitárias em prol dos presos políticos. Daí sua frustração com a comunidade internacional, que ele acusa de não ter feito o bastante. O fim de Assad tardou quase 14 anos desde o início da guerra em 2011 —e custou a vida de mais de meio milhão de pessoas, pelas estimativas.

“Todas essas democracias falharam”, declara Alshogre, que voltou a essa posição mais de uma vez durante a conversa com a reportagem. “Eles deixaram que nós sofrêssemos em silêncio, que fôssemos torturados em silêncio.”

Há agora bastante preocupação, fora da Síria, quanto ao futuro do país. A facção que derrubou Assad, chamada HTS (Organização para a Libertação do Levante, em árabe), é considerada terrorista pelos EUA.

Seu líder, Abu Mohammad al-Jolani, chegou a integrar a rede Al Qaeda. Desvinculou-se dela apenas em 2016 e desde então tem se esforçado em se apresentar como uma figura moderada.

Não está claro, por enquanto, se Jolani vai cumprir as promessas de respeitar, por exemplo, o direito das minorias religiosas e das mulheres. Seu grupo tem um conhecido viés autoritário.

Para Alshogre, porém, a investida rebelde foi justamente a reação de uma população cansada de esperar que o mundo os auxiliasse. “Os sírios perceberam que ninguém se importava conosco, e agimos nós mesmos.”

Ele espera, agora, que potências estrangeiras ajudem o país a tratar dos milhares de presos políticos, que precisam de cuidados de saúde física e mental. “É a chance de melhorarem a sua reputação.”



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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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