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Fernanda Torres: Por que Viola Davis é fã do Brasil – 06/01/2025 – Ilustrada
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1 ano atrásem
Guilherme Luis
Na internet, dizem que é como se uma brasileira tivesse premiado outra. Mas, na verdade, foi Viola Davis, americana, quem entregou o primeiro Globo de Ouro já concedido a uma artista nacional, a atriz Fernanda Torres, que se levantou da cadeira embasbacada com o feito histórico que protagonizou na noite deste domingo em Los Angeles.
Há mesmo algo um tanto emblemático no fato de ter sido Davis quem fez o nome de Torres, premiada pelo filme “Ainda Estou Aqui”, ressoar num saguão repleto de estrelas de Hollywood. Entre as dezenas de artistas internacionais que estavam ali, afinal, a atriz americana é certamente uma das que mais admiram o Brasil.
Davis visitou o país duas vezes recentemente, em 2022 e no ano seguinte. Primeiro, veio para divulgar o filme “A Mulher Rei”, em que protagoniza como chefe de um grupo de guerreiras mulheres. À Folha, disse que a história, que se passa no antigo Reino de Daomé, onde é hoje o país africano Benin, não poderia ter sido contada sem falar do nosso país.
“O Brasil é uma grande parte da narrativa da história dos negros e da escravidão. A maioria dos africanos escravizados foi para o Brasil. Com isso, o país de vocês se torna um antro de informação, fonte importante para narrar a nossa história”, disse à época Davis, que é negra, e milita pela causa.
“Nós, atores, precisamos sempre buscar essa especificidade, essa inclusão. Enquanto eu crescia, as pessoas reforçavam uma diferença entre brasileiros, caribenhos, dominicanos, porto-riquenhos, negros americanos. Isso ainda existe, mas nós estamos todos conectados.”
Por isso é emblemático que tenha sido ela, uma mulher da Carolina do Sul, a consagrar a carioca Fernanda Torres. E não só com a estatueta dourada, mas também com um abraço e palavras de incentivo. No discurso, antes de anunciar o prêmio, Davis exaltou todas as atrizes indicadas, citando cada uma pelo nome, dizendo que 2024 foi um ano de grandes performances femininas no cinema. Torres bateu grandes atrizes de Hollywood, como Nicole Kidman, Angelina Jolie e Kate Winslet.
Não é a primeira vez que Davis reconhece a arte brasileira. Fez isso ao publicar no Instagram uma foto com Taís Araujo e Lázaro Ramos, casal que a recebeu para um jantar em casa no Rio de Janeiro. “Ah, Brasil! Esses brilhantes artistas pretos. Meu coração e minha mente estão tão cheios de suas ideias, sua visão, sua autenticidade e amor. Viva o Brasil”, escreveu a americana.
O encontro aconteceu às vésperas das eleições presidenciais, quando o Brasil estava rachado numa briga política entre apoiadores de Lula e Jair Bolsonaro. E, apesar de a própria Davis já ter se pronunciado contra o Bolsonaro, política ficou de fora da mesa durante o jantar. Em vez disso, eles conversaram sobre a importância de viabilizar produções sobre a cultura negra, contou Lázaro Ramos à Folha.
No jantar, Davis conheceu também a cantora Iza e o ator Ícaro Silva, ambos dubladores de “O Rei Leão” de 2019, além de Zezé Motta e Seu Jorge.
Davis e Taís Araujo, aliás, já eram colegas antes disso. Há seis anos, foi a brasileira quem visitou a casa da atriz americana durante uma visita aos Estados Unidos —”minha irmã”, disse Davis nas redes sociais à época.
Para além dos famosos, Davis exaltou também Agatha Sofia, uma sambista mirim carioca que viralizou na internet por sua habilidade na dança. Davis compartilhou em suas redes um vídeo que mostra a menina sambando, e escreveu na legenda “que linda” —em português mesmo, com emojis de coração.
Em sua passagem pelo país há três anos, Davis ainda visitou o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), onde visitou a exposição “O Impacto da Mulher na Cultura Afro-brasileira”, inspirada em seu filme “A Mulher Rei”. Ela passeou também pelo Cais do Valongo, no centro do Rio de Janeiro, por onde passaram mais de um milhão de africanos escravizados.
Em 2023, Davis homenageou a atriz Léa Garcia, que morreu aos 90 anos vítima de um infarto agudo do miocárdio. Disse ter sido uma honra ter conhecido a artista, que conheceu também na casa de Taís Araujo, e agradeceu pelas contribuições deixadas pela brasileira.
Meses depois, Davis voltou ao Brasil, desta vez em visita a Salvador, onde participou do Festival Liberatum, no qual discursou sobre a importância da representatividade de mulheres negras nas telas.
Viola Davis é uma das 19 artistas do mundo a ostentar o rótulo EGOT —ou seja, aqueles que já venceram pelo menos uma estatueta no Emmy, no Grammy, no Oscar e no Tony, premiações máximas da TV, da música, do cinema e do teatro, nesta ordem. No caso dela, isso ocorreu após vencer prêmios pelo seriado “Como se Defender de um Assassino”, com o filme “Um Limite Entre Nós”, pelo audiolivro da sua autobiografia “Em Busca de Mim”, e pela peça “Fences”.
Sendo assim, Fernanda Torres, premiada por um filme que fala sobre um período de censura à cultura do país, cuja história tanto interessa a Davis, foi laureada por uma das artistas mais renomadas do mundo.
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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre
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7 de abril de 2026A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.
Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.
O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.
O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.”
Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)
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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre
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5 dias atrásem
7 de abril de 2026Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.
Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.
“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.
Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”
Mostra em 4 atos
A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).
O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.
No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.
No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.
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I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."
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