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POLÍTICA

Flavio Dino exerce a “Censura do Bem”

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rprangel2004@gmail.com (Ricardo Rangel)

O ministro Flavio Dino, do Supremo Tribunal Federal, mandou retirar quatro livros de circulação.

Enxergou nas obras conteúdo homofóbico e misógino que “viola a dignidade da pessoa humana”. Por isso determinou que os livros só poderão ser reeditados se “os trechos incompatíveis com a Constituição” forem retirados, e multou os autores em 150 mil reais.

Os trechos que o ministro cita são de fato odiosos e devem ser repudiados com toda a energia. Mas isso é motivo para serem censurados?

O ministro disse que não é censura prévia. Tem razão. Não é prévia, é só censura, mesmo.

Censura do bem.

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Por mais abominável e ofensivo que seja o ponto de vista dos autores, ele continua sendo o ponto de vista dos autores — e a liberdade de expressão é direito previsto na Constituição. (Aliás, se o ministro acha que homofobia e misoginia devem ser censuradas, deveria começar censurando a Bíblia, que nem sequer tem autor conhecido, condição exigida pela Constituição.)

O ministro cassou uma liberdade fundamental expressa, garantida em cláusula pétrea da Constituição Federal, para defender uma liberdade vaga de ninguém em particular. Fez isso por meio de uma decisão monocrática que revogou decisão colegiada de um tribunal federal. De maneira um tanto orwelliana, declarou que sua decisão defende a Constituição contra a qual atenta.

Considera-se, há mais de 300 anos, que o bem proporcionado a todos pela liberdade de expressão é maior e mais importante do que o conforto e o bem estar intelectual de alguns cidadãos ou grupos. Ora, a garantia da liberdade de expressão existe justamente para que se possam dizer coisas desagradáveis e ofensivas. Ninguém precisa de garantia constitucional para dizer coisas fofas e reconfortantes.

A missão do STF é defender a Constituição, em particular no que se refere às liberdades fundamentais. Relativizar tais garantias é algo perigoso, que só pode ser feito em casos extremos, com concordância do como tribunal um todo. Mas faz tempo que o Supremo vem tratando tais garantias com displicência.

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Essa conduta temerária desmoraliza o tribunal perante a opinião pública, estabelece um mau exemplo para cortes inferiores, alimenta a narrativa de que a corte persegue a direita e acirra o conflito com o Congresso.

Não é boa para ninguém.

(Por Ricardo Rangel em 04/11/2024)

 



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OPINIÃO

Opinião: A ciranda troca de partidos e a busca por cargos públicos

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Foto de capa [arquivo pessoal]
Os parlamentares que mudam de partido – como macacos puladores de galho – ou se candidatam a outros cargos no Legislativo e no Executivo apenas para preservar privilégios demonstram desrespeito à República e deveriam sentir vergonha de tal conduta. Essa prática evidencia a ausência de compromisso ideológico e a busca incessante por posições de poder, transmitindo à sociedade a imagem de oportunistas movidos por conveniências pessoais. A política deveria ser encarada como missão cívica, exercício de cidadania e serviço transitório à nação. Encerrado o mandato, o retorno às profissões de origem seria saudável para a oxigenação da vida pública.  
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Infelizmente, o sistema político brasileiro está povoado por aqueles que veem na política não um espaço de serviço público, mas um negócio lucrativo. Como já destacou o jornal El País, ser político no Brasil é um grande negócio, dadas as vantagens conferidas e auferidas — e a constante movimentação de troca de partidos confirma essa percepção.  
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A cada eleição, o jogo se repete: alianças improváveis, trocas de legenda na janela partidária e negociações de bastidores que pouco têm a ver com as necessidades reais da população. Em vez de missão cívica, vemos aventureiros transformando a política em palco de interesses pessoais e cabide de empregos. A busca incessante pela reeleição e por cargos demonstra que, para muitos, a política deixou de ser a casa do povo e tornou-se um negócio.  
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Convém lembrar aos que se consideram úteis  e insubstituíveis à política que o cemitério guarda uma legião de ex-políticos esquecidos, cuja ausência jamais fez falta ao país.  
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As próximas eleições são a oportunidade para os eleitores moralizarem o Legislativo, elegendo apenas candidatos novos, sem os vícios da velha política, que tenham conduta ilibada e boa formação cultural. Por outro lado, diga não à reeleição política, aos trocadores de partidos, aos que interromperam o mandato para exercer cargos nos governos, e àqueles que já sofreram condenação na Justiça ou punição no Conselho de Ética do Legislativo. 
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Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

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POLÍTICA

Frase do dia: Ciro Gomes

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Frase do dia: Ciro Gomes

Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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