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Fortalecer a democracia é chave para o crescimento – DW – 01/01/2025
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Para o continente africano, muitos especialistas afirmam que o fortalecimento da democracia é fundamental para o crescimento económico em 2025.
Em Moçambiquepor exemplo, os observadores políticos temem que protestos contra o país partido governante Frelimo – que foi acusado de fraudar o Eleições presidenciais de outubro para prolongar os seus 49 anos no poder — continuará no novo ano.
Os apoiantes do líder da oposição popular, Venâncio Mondlane, apresentaram uma queixa ao Tribunal Constitucional e apelaram a conversações com a Frelimo, que governa Moçambique desde a sua independência de Portugal em 1975.
“O diálogo, que deveria ser sobre pontos fundamentais para um sistema eleitoral justo, não está a ser levado a sério pelo governo”, disse Adriano Nuvunga, diretor do Centro para a Democracia e Direitos Humanos na capital moçambicana, Maputo.
Resiliência democrática: um motivo de esperança
A falta de normas democráticas e os problemas com eleições pouco claras continuarão a ser motivo de preocupação, disse Serwah Prempeh, membro sénior do programa de economia e sociedade do Instituto de Investigação Política de África (APRI).
Tunísia e Mauritânia tomaram medidas no sentido da democratização, mas as eleições em ambos os países foram marcadas por irregularidades.
As tensões na Tunísia aumentaram em Setembro, depois de a comissão eleitoral, alegando irregularidades nos seus registos, ter rejeitado uma decisão judicial para reintegrar três candidatos para a votação de Outubro.
Pelo menos três pessoas foram mortas na Mauritânia em Julho, durante confrontos mortais entre as forças de segurança e manifestantes que se manifestavam contra a reeleição do Presidente Mohamed Ould Ghazouani. O seu principal rival, o activista anti-escravatura Biram Dah Abeid, rejeitou o resultado e disse que o resultado foi falsificado.
Este tipo de incidentes continuará em 2025 se os países não fortalecerem as suas instituições para melhorar a integridade e a qualidade das eleições, a transparência e o sistema multipartidário, disse Prempeh.
“No geral, foram feitos progressos e estas áreas de resiliência democrática dão motivos para esperança”, disse ela.
Houve também numerosas eleições em 2024 e uma transição pacífica de um partido dominante para um governo multipartidário, por exemplo em África do Sul ou Botsuana – onde os partidos da oposição ganharam terreno, disse o analista sul-africano Daniel Silke à DW. Silke disse esperar que esta tendência continue em 2025.
As apostas são altas na África do Sul, o maior país industrializado do continente, após a formação de uma coligação entre a oposição Aliança Democrática (AD) e o governante Congresso Nacional Africano após a O ANC perdeu a maioria que desfrutava desde as primeiras eleições pós-apartheid, em 1994.
“O governo de unidade nacional está sob pressão – tem de mostrar resultados”, disse Silke, tendo em vista as eleições regionais previstas para 2026.
‘Fortalecimento das instituições’
A criação de empregos e o impulso à economia em dificuldades da África do Sul são fundamentais para o sucesso político da coligação em 2025.
O esforços de reforma do novo governo melhoraram ligeiramente as perspectivas de crescimento, com previsões para 2025 variando entre 1,5% (Fundo Monetário Internacional) e 2,6% (Economist Intelligence Unit).
O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, pretende usar a capacidade do país Presidência do G20que começou em 1 de Dezembro, não só para representar os interesses nacionais, mas também para posicionar a África do Sul como porta-voz de todo o continente e do Sul Global.
Uma plataforma para acordos é a Cimeira do G20 prevista para Novembro de 2025, em Joanesburgo, onde deverão participar os chefes de estado de todos os 19 Estados-membros, bem como representantes da UE e da UA.
Mais africanos preferem a democracia face às ameaças
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A África Oriental é a região que mais cresce no continente, prevendo-se que o crescimento do PIB aumente de cerca de 4,9% em 2024 para 5,7% em 2025, de acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
Dados os factores de risco geopolíticos globais, a pressão sobre os governos africanos por parte dos Estados Unidos sob a próxima administração Trump, da China, da Rússia e de outros países aumentará, disse Silke.
“O acordo de comércio livre continental (AGOA) poderia ocupar o centro das atenções, uma vez que se torna importante para os países africanos aumentarem o seu comércio intra-africano face aos ventos contrários globais.”
Apesar destas preocupações, os fundamentos de África permanecem sólidos e as oportunidades para os mercados no continente são enormes, disse Silke.
Prempeh disse que as pressões fiscais estão a aumentar em muitos países africanos – o que significa que os orçamentos já contraídos continuam frágeis e as flutuações cambiais, a má gestão e o aumento dos pagamentos de juros estão a conduzir a níveis insustentáveis de dívida, por exemplo em Gana, Zâmbia e Nigéria.
“O caminho a seguir em 2025 requer o fortalecimento das instituições e a introdução de práticas sólidas de gestão económica e de governação”, disse Prempeh.
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Instabilidade crescente
As crises regionais prejudicarão o desenvolvimento. Guerras e conflitos armados, bem como condições climáticas extremasexpulsaram milhões de pessoas das suas casas.
De acordo com um relatório pelo Centro de Acompanhamento de Deslocados Internos (IDMC), cerca de 35 milhões de africanos viviam como refugiados e pessoas deslocadas nos seus países de origem no final de 2024.
Cerca de 32,5 milhões de pessoas fugiram da violência e dos conflitos armados. O IDMC concluiu que cerca de 80% das pessoas deslocadas internamente em África estavam concentradas em apenas cinco países: Sudão, República Democrática do Congo, Etiópia, Nigéria e Somália.
Se os governos e os seus parceiros não redobrarem os seus esforços, o número de refugiados continuará a aumentar, concluiu o relatório.
Premeph disse que ainda existem reveses políticos consideráveis na África Ocidental e no Sahel: Golpes e governos militares no Níger, Chade, Burkina Faso, Guiné e Mali ameaçam desfazer as conquistas democráticas. O terrorismo continuará a ofuscar a segurança e as próximas eleições na região.
Gabãopor outro lado, mostra uma evolução positiva: o general Brice Oligui Nguema tomou o poder em 2023 e substituiu o governante de longa data, Bongo. Seguindo um eleição bem sucedida para alterar a constituiçãoo Gabão está a caminho de um governo civil e democrático — se as eleições presidenciais de Agosto forem livres e justas.
Na vizinha CamarõesPaul Biya, de 91 anos, governou durante 41 anos e concorrerá novamente em 2025, o que é um sinal de fragilidade económica contínua, disse Prempeh.
E a tendência não é exclusiva dos Camarões, disse ele: “Os principais políticos de países como o Uganda e o Ruanda também prolongaram os seus mandatos, enquanto o espaço cívico está a diminuir”.
Editado por: Keith Walker
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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre
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21 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.
A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.
O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.
Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.
A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.
A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.
O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.
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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre
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19 de maio de 2026O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.
A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.
Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.
O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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