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Francafrique está acabando? Por que o Senegal está cortando relações militares com a França | Notícias de política
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2 anos atrásem
No Senegal, um país repleto de empresas e cidadãos franceses, o recente anúncio do Presidente Bassirou Diomaye Faye de que a França deveria encerrar as suas bases militares deveria ter sido uma surpresa. No entanto, dizem os analistas, foi uma mudança que sempre aconteceria.
Em novembro, Faye pediu a Paris que removesse cerca de 350 soldados franceses estacionados em solo senegalês, encerrando efetivamente um pacto de defesa que existia há décadas e dando continuidade a uma tendência que tem visto muitas nações da África Ocidental cortarem ou rebaixarem os laços outrora fortes com a ex-colonizadora França em últimos anos.
Em entrevista à agência de notícias AFP, o presidente senegalês – que foi eleito no início deste ano apoiado numa campanha nacionalista que prometia rever as relações de Dakar com Paris – disse que a presença militar contínua da França no país não era compatível com a soberania do Senegal.
“O Senegal é um país independente, é um país soberano e a soberania não aceita a presença de bases militares num país soberano”, disse Faye, falando a partir do palácio presidencial em Dakar. Faye não deu um prazo para a partida dos soldados.
A medida ocorreu no momento em que o Senegal assinalava o 80º aniversário dos assassinatos em massa de soldados da África Ocidental pelas forças coloniais, na manhã de 1 de dezembro de 1944. Os homens, soldados da África Ocidental da unidade Tirailleurs Senegalais que lutaram na guerra da França contra a Alemanha nazista, tinham têm protestado contra atrasos nos salários e más condições de vida quando os soldados coloniais dispararam contra eles.
Embora as duas nações tenham tido relações cordiais desde a independência do Senegal, os assassinatos sempre foram uma ferida sobre a qual a França manteve silêncio até 2012. As autoridades francesas tentaram enterrar as provas e alegaram que 35 pessoas foram mortas, embora os estudiosos estimem que 400 pessoas morreram.
O então presidente François Hollande admitiu a culpabilidade da França em 2012. No entanto, o presidente Emmanuel Macron este ano, numa carta ao presidente Faye, admitiu que a França cometeu um “massacre”.
Beverly Ochieng, pesquisadora baseada em Dakar da empresa de inteligência Control Risks, disse à Al Jazeera que o corte dos laços militares pelo governo do Senegal no aniversário do massacre estava em linha com as promessas eleitorais que Faye, juntamente com o primeiro-ministro Ousmane Sonko – um crítico franco da França – tinha feito.
“O Senegal está a passar por muitas reformas sob a liderança dos dois líderes e eles estão realmente a questionar até que ponto têm interesse no seu próprio país”, disse Ochieng.
“Para Faye, ele não quer apenas que a França ocupe espaço em bases militares quando o Senegal não pode fazer o mesmo.”
Do Senegal ao Chade, Francafrique desaparece
Os crescentes sentimentos anti-franceses nas antigas colónias francesas fizeram com que a França sofresse golpes diplomáticos em toda a região da África Ocidental e Central, à medida que a sua outrora influente esfera “Francafrique” diminuía rapidamente.
Muitos governos e cidadãos, especialmente nos países liderados por militares do Sahel, detestam a interferência política real e percebida da França nos seus países. Eles vêem a França como paternalista pelo seu profundo envolvimento em sectores como a mineração e pela sua incapacidade de travar de forma decisiva a propagação de grupos armados, apesar de milhares de soldados franceses estacionados na região.
Grupos militares governantes no Mali, Burkina Faso e Níger expulsaram colectivamente cerca de 4.300 soldados franceses dos seus países em 2022, depois de a França se ter recusado a apoiar os golpes de estado que os levaram ao poder, com milhares de cidadãos a manifestarem-se em seu apoio. Desde então, esses países recorreram a mercenários russos em busca de ajuda para combater um enxame de grupos armados que procuram ganhar território na região volátil.
Em 29 de novembro, no mesmo dia, Faye apelou às tropas francesas para deixarem o Senegal, o país centro-africano do Chade também cortou os laços militares com a França, encerrando um pacto de defesa que existia desde 1960 e apanhando Paris de surpresa. Esta semana, a retirada começou com dois caças a sair de N’djamena.
O Chade, localizado num “ponto ideal” de vigilância perto do Sahel, do Sudão e da Líbia devastados pela guerra, era considerado o último aliado remanescente no Sahel para os governos ocidentais. Foi também a única rebelião que a França apoiou depois que o presidente Mahamat Deby assumiu o poder à força em 2021.
No entanto, os especialistas dizem que vários factores levaram N’djamena a recuar desta vez, incluindo relatos de que a França reteve informações de inteligência que levaram à morte de 40 soldados chadianos pelo grupo armado Boko Haram em Outubro.

Apesar de Teraanga, um relacionamento doloroso
O que diferencia o Senegal do resto do grupo é que é o único país que corta laços com a França onde um governo militar não está no poder. O Senegal é também um dos países africanos onde a França mais se integrou, tornando o eventual divórcio mais complicado, dizem os especialistas.
Na ensolarada e costeira Dakar, onde a cultura de “Teraanga” (ou hospitalidade) atrai e acolhe expatriados internacionais, a presença francesa é inconfundível e os cidadãos franceses misturam-se livremente com os habitantes locais em restaurantes, mercados e eventos. TOTAL postos de gasolina, cabines pertencentes à empresa de telecomunicações Orange e supermercados Auchan pontilham a cidade e representam cerca de 25 por cento do produto interno bruto do Senegal, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores da França.
No entanto, analistas dizem que a propagação da raiva anti-França nos países vizinhos do Sahel e a ascensão de jovens políticos da nova era como Sonko, que no passado fez declarações incendiárias contra a França e os líderes senegaleses considerados próximos de Paris, viram as pessoas no Senegal tornam-se hostis.
Em 2023, os manifestantes visaram empresas francesas, saqueando e incendiando lojas depois de Sonko, que era um líder da oposição na altura, ter sido detido sob acusações de violação pelo governo do antigo presidente Macky Sall. Sonko, que disse que as acusações tinham motivação política, foi absolvido de violação, mas preso por “corromper a juventude”, privando-o da elegibilidade para concorrer à presidência, o que levou a sua colega, Faye, a ocupar o seu lugar.
Durante a sua campanha em Fevereiro, a dupla prometeu mais transparência e disse que iria rever os contratos extractivos com empresas ocidentais, incluindo empresas francesas e outras empresas europeias.
Prometeram também que o Senegal não trabalharia com credores ocidentais e que deixaria de utilizar o franco CFA, uma moeda utilizada por 14 ex-colónias principalmente francesas na África Subsaariana e vista como o símbolo mais evidente do neocolonialismo francês. Mas parece melhor falar do que fazer, dizem os analistas.
“Eles deixaram silenciosamente a questão do CFA morrer e não há renegociações dos contratos extractivos com empresas estrangeiras que tinham prometido”, disse Oumar Ba, professor de política internacional na Universidade Cornell, à Al Jazeera.
Eles também continuaram a trabalhar com credores como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, à medida que a economia desacelerou este ano, destacou Ba.
“Acho que evocar o fruto mais fácil da presença militar francesa contribui apenas para manter vivo o discurso soberanista simbólico”, disse ele.
Alguns analistas dizem que é mais provável que Faye pressione pela realização do “Eco” – uma proposta de moeda comum da África Ocidental que está em desenvolvimento.

Um novo relacionamento
A deterioração das relações da França com os seus antigos aliados africanos, incluindo o Senegal, levou-a a repensar as suas alianças na região, rebaixando a sua já derrocada arquitectura militar para se concentrar noutros sectores, como o empresarial.
Paris, no início deste ano, comprometeu-se a reduzir o número de tropas de 350 para 100 no Senegal e no Gabão, e de 600 para 100 na Costa do Marfim. Antes de o Chade expulsar as tropas francesas em Novembro, Paris planeava reduzir o seu número de 1.000 para 300.
Em vez disso, a França está a dinamizar-se para as relações económicas e a envolver mais países africanos fora da sua esfera de influência tradicional. Em Novembro, o Presidente Macron deu as boas-vindas ao Presidente da Nigéria, Bola Ahmed Tinubu, no Palácio do Eliseu e até falou o coloquial inglês pidgin nigeriano no seu discurso de boas-vindas.
“Eles precisam de novos amigos e de amigos poderosos”, disse Ochieng. “Se conseguirem ter um gigante como a Nigéria, então ainda poderão aguentar”, acrescentou ela. Importantes economias da África Ocidental, como a Costa do Marfim, o Gabão e o Benim, ainda são amigas de Paris.
Para o Senegal, o Presidente Faye deu a entender que as relações outrora ultra-estreitas que o país tinha com a França também permanecerão mais no espaço empresarial, esclarecendo que romper os laços militares não significa acabar com o comércio.
“A França continua a ser um parceiro importante para o Senegal”, disse ele aos jornalistas. “Hoje, a China é o nosso maior parceiro comercial em termos de investimento e comércio. A China tem presença militar no Senegal? Não. Isso significa que nossas relações foram cortadas? Não”, disse ele.
No entanto, o presidente também quer reparações pelos assassinatos de Thiaroye. Além de a França fechar as suas bases militares, Faye disse que exigiria um pedido formal de desculpas da França. Tal pedido de desculpas exigiria que a França fizesse reparações, o que poderia traduzir-se numa compensação monetária para as famílias das vítimas.
O primeiro-ministro Sonko há muito que pressiona por reparações pelas mortes. Em Junho, enquanto a França celebrava a sua libertação da Alemanha nazi, criticou a decisão de Paris de reconhecer oficialmente seis dos soldados assassinados da África Ocidental com a honra de “Morreram pela França”, um título atribuído a pessoas que morreram ao serviço do país. Não está claro por que os seis foram escolhidos.
“Não cabe (à França) decidir unilateralmente o número de africanos que foram traídos e assassinados depois de terem ajudado a salvá-la, nem o tipo e a extensão do reconhecimento e das reparações que merecem”, publicou Sonko no Facebook, assinando a mensagem como como chefe do partido governante PASTEF, e não como chefe de governo.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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4 dias atrásem
9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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5 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 semanas atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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