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Garantia no Pix pode baratear crédito a empresas em 2025 – 08/01/2025 – Mercado

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Idiana Tomazelli

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende implementar ainda em 2025 a possibilidade de empresas oferecerem receitas via Pix como garantia na contratação de empréstimos, afirma o secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Pinto.

Essa é uma das medidas no radar da pasta para ajudar a reduzir o custo do crédito no país, sobretudo para pequenas e médias empresas, que têm menos acesso ao mercado de capitais e dependem do sistema bancário para obter financiamento.

Em entrevista à Folha, Pinto diz que a chamada agenda microeconômica teve avanços importantes e pode ganhar ainda mais espaço na segunda metade do mandato do presidente.

“Não são projetos simples, mas é um processo contínuo. Eles só precisam encontrar mais espaço na agenda. O Brasil tem muitos desafios, pouco a pouco a gente está avançando”, afirma.

“A [reforma] tributária ocupou muito espaço esse ano [2024]. Com o término, a gente vai ter mais espaço para seguir nessa agenda. Tem tido um apoio muito grande do Congresso, tanto esquerda quanto direita têm abraçado essa agenda, e estou confiante que até o final do mandato vamos completá-la.”

O uso das receitas via Pix não depende de mudança legal, apenas de ajustes operacionais para sua implementação.

“Uma empresa sabe que recebe mais ou menos R$ 5.000 ou R$ 50 mil por mês de fluxo no Pix. A gente quer que ela possa dar em garantia 20% do fluxo de Pix dela, ou 30%. E a gente quer fazer um sistema automático: à medida que ela receber o Pix, já vai pagar o financiador. Isso deve reduzir muito o custo de financiamento”, diz Pinto.

“É um sistema simples: para aquele CNPJ, não pode abrir outra chave Pix, e tudo que entrar nessa chave, x% vai direto para o banco que deu o empréstimo”, explica.

Segundo o secretário, o Pix está tomando o lugar do papel-moeda nas transações, e isso abre um novo campo de possibilidades para as empresas, já que o fluxo de recebíveis é previsível (o chamado “recebível fumaça”) e verificável, assim como ocorre com outros meios de pagamento, como cartão de crédito.

Além disso, diferentemente de quando há uso de cédulas físicas, é possível criar o desconto automático para pagar a parcela, como uma espécie de consignado.

Hoje, as empresas em geral conseguem antecipar fluxos de recebíveis no cartão ou valores a receber reconhecidos por meio de duplicata. Pinto ressalta, porém, que a duplicata é emitida normalmente entre pessoas jurídicas, enquanto a antecipação dos recebíveis do Pix englobará também o faturamento com vendas a pessoas físicas.

“É um mecanismo bem relevante nessa agenda de redução do custo de capital”, afirma.

A agenda mencionada por Pinto é um dos três principais focos de atuação da SRE (Secretaria de Reformas Econômicas). Dentro dela, o governo também pretende destravar o projeto do consignado privado, a ser operado por meio da plataforma do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) Digital. O texto ainda não foi enviado ao Congresso Nacional.

O intuito da mudança é permitir aos trabalhadores formais a contratação de crédito com desconto em folha sem a necessidade de convênio direto entre bancos e empresas. A medida pode ampliar o acesso à modalidade e fomentar a concorrência entre as instituições financeiras, mas o Ministério do Trabalho defende que a iniciativa venha acompanhada do fim do saque-aniversário do FGTS.

“O que está pendente nesse momento é a finalização da plataforma e uma decisão política sobre alguns aspectos do programa”, diz o secretário, sem dar detalhes.

O governo também pretende destravar cinco projetos já enviados ao Legislativo e que ainda estão pendentes de análise. Um deles revê dispositivos da Lei de Falências para ampliar a participação de credores e facilitar a venda de ativos, o que pode evitar a perda de valor desses bens e aumentar as chances de sucesso das recuperações.

Também está pendente o projeto sobre a proteção dos direitos de investidores em caso de irregularidades ou fraudes contábeis. Outras três propostas tratam da infraestrutura do mercado financeiro, da resolução bancária (normas em caso de crise em instituições financeiras) e da execução extrajudicial.

A SRE ainda mira outras duas agendas, uma de capital humano e outra fiscal e tributária. Na de capital humano, a principal medida é o Pé-de-Meia, programa que paga bolsas a estudantes de baixa renda para incentivar sua permanência no ensino médio.

Além do repasse mensal, o programa também prevê uma poupança em nome do estudante, que será capitalizada e poderá ser resgatada quando ele concluir o ensino médio.

Neste início de 2025, a Fazenda deve publicar uma portaria conjunta com o MEC (Ministério da Educação) para regulamentar a gestão dessa poupança. Mesmo antes de sacar o dinheiro, o aluno poderá escolher onde o recurso será investido.

“Vai ter um elemento de educação financeira importante. O aluno vai poder escolher os investimentos, com o consentimento dos pais. Obviamente só vão estar disponíveis investimentos conservadores, mas a gente quer já deixar disponível para ele o Tesouro Direto, que é o mais seguro e dá uma rentabilidade muito interessante”, diz. Segundo o secretário, o aluno poderá migrar de aplicação anualmente, mas o resgate só será autorizado após a conclusão do ensino médio.

Na agenda tributária, o governo pretende encaminhar o projeto de lei que simplifica regras de Imposto de Renda para quem investe em ações na Bolsa.

“É um projeto que simplifica muito a tributação de aplicações financeiras, está bem maduro”, diz.

O secretário ressalta que a medida não tem relação com o projeto que busca estabelecer uma tributação mínima sobre quem ganha acima de R$ 50 mil mensais, anunciado no fim do ano passado pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda).

“Esse é um projeto de eficiência, não é um projeto de carga. O objetivo dele é tributar o mercado de maneira mais eficiente. A nossa visão é que vai até haver uma pequena perda de arrecadação, mas o ganho de eficiência mais do que compensa”, afirma.



Leia Mais: Folha

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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli

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No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo. 

O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:

SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.

A posição descrita acima reflete corretamente o quadro jurídico do momento.

Veja o vídeo:

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

 Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.

Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.

“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.

Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”

Mostra em 4 atos

A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).

O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.

No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.

No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.

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