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Gary O’Donoghue, da BBC: ‘Eu sabia que eram tiros e então percebi que Trump havia parado de falar’ | Política dos EUA
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2 anos atrásem
Hephzibah Anderson
BNascido em Norfolk em 1968 e ficando cego aos oito anos de idade, Gary O’Donoghue estudou filosofia e línguas modernas na Universidade de Oxford. Depois de se formar, ingressou na BBC como repórter júnior no Hoje programa, tornando-se mais tarde o principal correspondente político da Rádio 4. Agora correspondente sênior da BBC na América do Norte, O’Donoghue esteve presente no comício em Butler, Pensilvânia, onde Donald Trump foi atingido por uma bala; dele entrevista com a testemunha ocular Greg Smith posteriormente revelou lapsos de segurança surpreendentes. Com o dia das eleições na terça-feira e os americanos preocupados com a possibilidade de mais violência, O’Donoghue falou-nos do escritório da corporação em Washington DC. Ele divide seu tempo entre Washington DC, Londres e Yorkshire com sua parceira e a filha.
Onde você estará quando a América for às urnas?
Estarei cobrindo as eleições dia e noite, e as consequências depois, em Mar-a-Lago, sede de Trump.
Você acabou de voltar do estado indeciso de Michigan. Alguma ideia de como as coisas irão?
Sempre rimos quando as pessoas nos perguntam isso. Eu não faço ideia. É um clichê, mas é realmente decidido nesses estados indecisos. Em Michigan, a frase “o menor dos dois males” foi dita dezenas de vezes – e, a propósito, quando as pessoas dizem isso, geralmente estão votando em Trump.
Uma pesquisa recente descobriu que um quarto dos americanos teme uma guerra civil após as eleições. Isso parece uma ameaça credível para você?
A ideia da América está sob enorme pressão. As divisões estão por toda parte – entre as costas e o centro, o norte e o sul, o urbano e o rural, o religioso e o não religioso. Eles estão tão arraigados que há muito pouca comunicação cruzada, muito pouca empatia. Acho isso incrivelmente triste. Eu acho que poderia haver uma guerra civil? Eu não, mas você seria um tolo se descartasse a violência. Quer dizer, já tivemos violência, não é?
Certo. O que passou pela sua cabeça enquanto você procurava abrigo em Butler?
Eu soube imediatamente que eram tiros e, de repente, percebi que Trump havia parado de falar. Esse é o “Oh merda!” momento. Sua mente está trabalhando a um milhão de quilômetros por hora – você não tem ideia se acabou ou não, e então você ouve os gritos começando e pensa: estamos em uma posição bastante exposta.
Você acabou conseguindo uma entrevista vital – com um homem usando uma viseira Trump coberto com cabelo falso e segurando uma lata de cerveja.
Não sei que preconceitos eu teria trazido se pudesse ver. Uma das vantagens de ser cego e estar no jornalismo é que você pode focar nas palavras. Eu sou um ouvinte. Se colocássemos no ar alguém que estivesse mentindo ou entendesse errado, isso poderia realmente ter inflamado a situação, mas Greg Smith foi consistente.
Os avanços na tecnologia devem ter tornado sua vida profissional ao mesmo tempo mais fácil e ainda mais desafiadora.
Acompanhando as informações e o mundo como ele é agora, sinto como se estivesse remando furiosamente sob a superfície o tempo todo. Você está ouvindo coisas principalmente em áudio, então é tudo linear, você não pode folhear da maneira que pode quando pode ver. Conto com a maravilhosa Iona (Hampson, produtora sênior de O’Donoghue) para me informar o que é tendência e o que estou perdendo, mas devo gastar 70% mais tempo do que meus colegas apenas tentando me manter atualizado.
Isso alguma vez te desanima?
Às vezes isso cobra seu preço, porque obviamente você está lidando com o mesmo tipo de vida que todo mundo tem. Eu estava em Chicago para fazer uma reportagem sobre o discurso de aceitação de Kamala Harris no DNC quando minha mãe morreu. Fiquei um pouco confuso recentemente porque percebi que não tinha pensado nela nenhuma vez em quatro ou cinco dias. A culpa era simplesmente terrível.
Como o jornalismo de radiodifusão mudou ao longo de sua carreira?
Quando comecei, não havia leis antidiscriminação. As pessoas poderiam dizer: “Você não pode ser repórter, você é cego”. Agora eles não podem dizer isso, o que torna mais difícil identificá-lo, mas ainda existem dinossauros por aí que acreditam nisso. Felizmente, as pessoas-chave do BBC entendo e eles ficam meio satisfeitos – quero dizer, sou o primeiro correspondente estrangeiro deficiente. Somos financiados publicamente, precisamos andar, falar, olhar, soar, cheirar como o país que paga nossos salários, certo?
De onde vem a sua resiliência?
Perdi a visão aos oito anos e fui mandado para um internato, porque era lá que as crianças cegas eram educadas naquela época. Na verdade, foi a melhor coisa que já aconteceu comigo porque acabei estudando na Rolls-Royce. Mas a outra coisa que acontece é que você é forçado a construir alguma resiliência porque mil vezes por dia ocorrem microagressões, como as chamam hoje em dia.
Você falou sobre como sua mãe uma vez confidenciou que as coisas foram tão difíceis em sua infância que ela pensou em matar vocês dois. Presumivelmente ela não traiu nada disso na época?
Nenhum. Foi muito difícil e meus pais não eram pessoas instruídas, mas foram incrivelmente previdentes: sabiam que conseguir uma educação para mim me daria alguma independência na vida. Deve ter partido o coração deles me mandar embora, mas eles fizeram a coisa certa.
Qual foi a notícia mais angustiante que você já teve para relatar?
O tiroteio na sinagoga de Pittsburgh. Eu já tinha cometido outros tiroteios em massa, mas havia tantos detalhes horríveis sobre o que aconteceu que cada nervo em mim estava gritando. Foi o mais perto que cheguei de perdê-lo no ar.
Existe uma história da qual você está especialmente orgulhoso?
A convicção de Trump. Basicamente, fiz todo o noticiário das 10 horas com Clive Myrie. O drama foi magnífico, mas o que me deixou particularmente satisfeito é que os anos de trabalho duro para entender a América significaram que eu poderia sustentar algo tão importante como isso, durante todo esse tempo.
O que você faz para descomprimir?
Estou continuamente relendo o multi-volume História de Oxford dos Estados Unidosmas a ficção é o que me acalma. Eu amo Colson Whitehead, Claire KeeganHenrique James.
Há alguma coisa que você sente falta no Reino Unido?
Londres, tortas de carne e chocolate de verdade. O chocolate americano é uma merda, como dizem.
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Ufac inaugura núcleo de apoio administrativo às coordenações de curso — Universidade Federal do Acre
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18 horas atrásem
14 de outubro de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) inaugurou, na manhã desta terça-feira, 13, o Núcleo Integrado de Apoio às Coordenações (NIAC), instalado na Pró-Reitoria de Graduação (Prograd). A iniciativa tem como objetivo oferecer suporte administrativo aos cursos de graduação, neste momento com atendimento prioritário a oito coordenações que estão sem servidores técnico-administrativos. A proposta prevê também o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações no âmbito do núcleo. A solenidade contou com a participação do reitor Josimar Ferreira, da vice-reitora Almecina Balbino, da pró-reitora de Graduação, Danila Torres, e da pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas substituta, Juliana Queirós.
O reitor destacou a importância da iniciativa para o funcionamento dos cursos e reconheceu a colaboração dos servidores envolvidos. “Quero parabenizar toda a equipe da Prograd, reconhecer o voluntariado dos nossos secretários de curso e o apoio das coordenações”, afirmou Josimar. Segundo ele, o serviço dará suporte especialmente às coordenações que estão sem secretários, mas também poderá atender aos demais coordenadores de curso.
A criação do NIAC é uma iniciativa da Prograd e da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodgep), que contou também com a participação inicial do Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca). O espaço foi organizado nas instalações da Prograd para facilitar o acompanhamento das atividades e o apoio aos servidores.
Segundo a pró-reitora Danila Torres, a proposta surgiu da necessidade de atender coordenações que enfrentam dificuldades na execução das atividades administrativas. Algumas delas estão há mais de oito meses sem servidores técnicos, deixando os coordenadores responsáveis também pelas rotinas administrativas. “A gente vai tentar apoiar as coordenações naquilo que elas precisam”, explicou.
O núcleo funciona por meio de uma escala de revezamento de servidores técnico-administrativos de outras coordenações. Atualmente, sete profissionais participam voluntariamente da iniciativa, com autorização das chefias imediatas, dedicando dois dias por semana ao atendimento compartilhado, sem deixar suas atividades nas unidades de origem.
A meta é ampliar a equipe para dez servidores, permitindo a presença de dois profissionais no turno da manhã e dois à tarde. “O serviço deles é padrão, é comum, então não tem um técnico para uma coordenação. Todos trabalham em todas essas oito coordenações”, explicou Danila.
Entre as primeiras demandas do NIAC está o lançamento das ofertas de disciplinas do semestre letivo 2026.2 no sistema acadêmico, considerando o início das solicitações de matrícula pelos estudantes nesta quinta-feira, 15. A medida busca assegurar o andamento dos procedimentos acadêmicos nas coordenações que não dispõem de técnicos para executar essas atividades.
Além do atendimento inicial às oito coordenações, a proposta é ampliar gradualmente a atuação do núcleo para oferecer suporte às demais unidades acadêmicas, incluindo o auxílio a novos coordenadores nas rotinas administrativas dos cursos e o desenvolvimento de outras ações de apoio às coordenações.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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6 dias atrásem
9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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7 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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