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Gaza está sendo faminto e bombardeado novamente. Por que estamos permitindo isso? | Conflito Israel-Palestino
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2 anos atrásem
“A situação da minha família é muito difícil, irmã. Eu não podia comprar comida. Tudo aqui é caro.” Essas palavras foram enviadas para mim em 15 de março por Ramez, um garoto de 17 anos que vive em Gaza. “Não tenho nada para comer amanhã. Não sei o que fazer. A fome voltou novamente.”
Três dias depois, pouco antes de Suhoor, a última refeição antes do jejum diário começa durante o mês sagrado do Ramadã, Israel desencadeou uma enorme campanha de bombardeio, matando mais de 430 palestinos, incluindo mais de 180 crianças.
“Somente Deus sabe o que estamos passando”, Ramez me enviou uma mensagem no dia seguinte. “Partimos sem levar nada conosco e agora estamos na rua. A situação é extremamente ruim. Tudo aconteceu de repente, e não esperamos. Um massacre ocorreu bem na nossa frente, e eles nos pediram para evacuar sob o bombardeio.”
No ano passado, Ramez me procurou no Instagram, uma plataforma que se tornou uma tábua de salvação para inúmeras pessoas em Gaza pedindo ajuda ao mundo. Não conheço a família de Ramez pessoalmente nem tenho nenhuma conexão histórica com Gaza. No entanto, dos milhões de contas no Instagram, sua mensagem encontrou seu caminho para o meu.
Nos meses seguintes, suas mensagens se tornaram uma janela para o sofrimento diário do povo palestino em Gaza. O cessar -fogo ofereceu uma pausa temporária do atentado e permitiu que Ramez voltasse para sua casa. Então, no segundo dia do Ramadã, Israel cortou toda a ajuda, desencadeando a fome novamente. No 18º dia do mês sagrado, renovou seu massacre.
Ao quebrar meu jejum, aqui em Berlim, penso em todas as famílias palestinas que não têm quase nada em suas mesas de Iftar, que, em vez do chamado à oração, ouvem bombardeios israelenses.
Isso não pode ser a vida real, pode? Os seres humanos, a apenas alguns milhares de quilômetros de distância, estão literalmente famintos e morrendo sob bombas. E aqui estou eu no coração do mundo ocidental, que professa valores da democracia e da liberdade e, no entanto, contribui diretamente para o assassinato em massa do povo de Gaza.
Os impostos que pago como cidadão alemão vão diretamente a um governo que apóia totalmente Israel em sua guerra genocida aos palestinos. O pensamento disso me faz sentir horrorizado.
Fome e genocídio em Gaza
Ramez tem escrito esporadicamente. Hesitei em pedir mais detalhes, incapaz de suportar o sofrimento que ele e sua família enfrentam diariamente.
Eu sei que houve dias em que ele só comeu algumas bolas de falafel e um pouco de pão pita.
Seus sonhos são terminar o ensino médio e estudar contabilidade. Em vez disso, dia após dia, ele é forçado a entrar em contato com os usuários do Instagram, pedindo que eles doem e compartilhem seu link de captação de recursos.
Seu pai se machucou antes da guerra e agora vive com dores constantes, precisando urgentemente de uma substituição do ombro. Ele deixou Ramez responsável pela família.
Ramez tem dois irmãos, com 15 e 14 anos, e três irmãs, com 20, 12 e 8 anos. Seu pai costumava trabalhar como mecânico de água e elétrica, enquanto sua mãe é dona de casa.
“Destruição e fome permanecem em Gaza”, postou Ramez algumas semanas após o anúncio do cessar -fogo. A situação de sua família ainda era terrível. Enquanto eles receberam algumas doações de alimentos de organizações humanitárias, não foi suficiente atender às suas necessidades.
Eles haviam retornado à sua casa no sul de Gaza, em uma área onde o bombardeio israelense dizimou infraestrutura e edifícios civis.
Ramez teve que viajar longas distâncias para atingir um centro de distribuição humanitária – muitas vezes, os custos de transporte eram maiores que o valor da ajuda que ele recebeu.
Embora os bens comerciais estivessem disponíveis no mercado, sua família nem sempre poderia pagar. Eles não têm fonte de renda além da doação ocasional que receberiam de estranhos no Instagram.
Depois que Israel bloqueou toda a ajuda em Gaza, os preços dos alimentos dispararam. A ajuda humanitária diminuiu, instituições de caridade e cozinhas de sopa foram fechadas para a falta de suprimentos. A família de Ramez não recebeu nenhuma ajuda há semanas.
Agora há apenas alimentos enlatados e alguns vegetais no mercado, ele me disse. “Não posso fornecer nada. Preciso de cerca de US $ 100 por dia para comida por causa dos altos preços.”
Em 15 de março, quase duas semanas após o bloqueio total de Israel em Gaza, a UNICEF informou que as taxas de desnutrição de crianças menores de 2 anos no norte de Gaza aumentaram de 15,6 % em janeiro para 31 % no momento; 23 crianças morreram de desnutrição e desidratação no período de algumas semanas.
O resto da faixa também viu um aumento acentuado, com Catherine Russell, diretora executiva da UNICEF, observando que “a velocidade com que essa crise catastrófica de desnutrição infantil em Gaza se desenrolou é chocante”.
Experimentar a desnutrição durante a infância pode ter consequências ao longo da vida, incluindo uma maior probabilidade de desenvolver doenças não transmissíveis e redução da funcionalidade do sistema imunológico. Além disso, atrasos no desenvolvimento induzidos por desnutrição podem levar a déficits irreversíveis nas habilidades cognitivas e motoras, um risco elevado de desafios comportamentais e resultados educacionais substancialmente diminuídos.
Em outras palavras, o famoso de Israel em Gaza agora está destruindo a próxima geração.
Babando crimes de guerra
Em novembro, o Tribunal Penal Internacional (ICC) emitiu um mandado de prisão para o primeiro -ministro israelense Benjamin Netanyahu e o ex -ministro da Defesa Yoav Gallant. Ele acusou os dois de – entre outros crimes – civis fome intencionalmente em Gaza.
Os países ocidentais que afirmam manter o direito internacional declararam prontamente que o violam e sediarão Netanyahu. Entre eles estão Hungria, Itália, Polônia e Alemanha.
Friedrich Merz, que deve se tornar o próximo chanceler alemão, afirmou recentemente: “Sob minha liderança, o primeiro -ministro israelense será capaz de viajar para a Alemanha sem nenhum problema. Encontrarei maneiras de fazer isso acontecer”.
Essas declarações sinalizaram que o Ocidente não tinha intenção de manter os líderes israelenses para explicar seus crimes. Sem surpresa, depois de não enfrentar consequências para seu mandado de prisão para ICC, Netanyahu decidiu não apenas renovar, mas aumentar a fome genocida e o bombardeio indiscriminado em Gaza.
Depois que Israel bloqueou a ajuda totalmente bloqueada a Gaza, Alemanha, França e Reino Unido emitiram uma declaração conjunta dizendo “uma parada em mercadorias e suprimentos que entram em Gaza … correria o risco de violar o direito internacional humanitário”.
Essa resposta, que se recusa a chamar um crime de crime – foi totalmente vergonhoso. Em 17 de março, quando o secretário de Relações Exteriores britânico David Lammy reuniu a coragem de apontar o óbvio – que Israel está realmente quebrando o direito internacional com seu bloqueio de ajuda a Gaza – ele foi repreendido por seu próprio governo.
Se deliberadamente morrendo e bombardear uma população civil não está quebrando a lei internacional, então o que é? A tentativa dos governos ocidentais de subestimar e ocultar crimes israelenses antes que o público seja evidência clara de sua cumplicidade nesses mesmos crimes.
Os governos ocidentais são obrigados sob o direito internacional a tomar medidas para interromper graves violações. Eles devem exercer pressão diplomática sobre Israel, impondo embargos de armas, restringindo o comércio e a cooperação. Mas eles não são.
Em vez de apontar a cumplicidade e o fracasso dos governos ocidentais em agir e parar um genocídio, a mídia convencional ocidental também tem ignorado sofrimento palestino ou pior – enganando o público sobre isso. A fome em Gaza nem chegou às manchetes depois que Israel bloqueou toda a ajuda. O chocante massacre em 18 de março fez, mas tudo foi bem embalado com a justificativa de Israel.
A mídia ocidental ignora ou minimiza regularmente as declarações genocidas de funcionários israelenses. Recentemente, em 19 de março, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, abordou o povo palestino de Gaza, ameaçando que eles enfrentarão “completa destruição e devastação” se não expulsarem o Hamas e devolverão os cativos de Israel. Essa ameaça de genocídio foi relatada como um “aviso” e não evocou nenhuma reação dos aliados ocidentais de Israel, exceto uma fraca condenação de Lammy.
Assistir a esse show de conversas vazias, cumplicidade, traição e iluminação de gases há 17 meses agora está cansativa. É uma demonstração narcisista destrutiva de manipulação e exibição de energia projetada para desgastar aqueles de nós que resistem à normalização do genocídio – para nos quebrar.
Mas cheguei a um ponto em que me recuso a me sentir impotente e exausta mais diante dessa injustiça esmagadora.
O Ramadã é uma época em que a força da fé deve ser renovada. É um tempo de sacrifício, mas também um tempo de alegria, da comunidade e do crescimento pessoal. Não vou permitir que Israel e seus aliados sabotem minha crença na justiça. As pessoas em Gaza nos ensinaram a manter a fé e permanecer firme – não importa o quê.
Continuarei a manter a convicção de que nossas vozes e ações, por menor que possam contribuir para a mudança. Não devemos parar de aumentar a conscientização e pressionar nossos governos a agir. Nossa força está em pé e lembrando -se de continuar acreditando, para continuar lutando pela justiça.
As opiniões expressas neste artigo são do autor e não refletem necessariamente a postura editorial da Al Jazeera.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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