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Gisèle Pelicot: aguardam-se veredictos em julgamento de estupro que chocou a França | Julgamento de estupro de Gisèle Pelicot
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2 anos atrásem
Kim Willsher
O julgamento de violação em massa que causou ondas de choque em França e horrorizou o mundo deverá terminar na quinta-feira com a condenação de Dominique Pelicot, que admitiu ter drogado a sua ex-mulher, Gisèle, e convidado estranhos para o seu quarto para a violarem.
Pelicot, um eletricista e agente imobiliário aposentado de 72 anos, deverá receber a pena máxima de 20 anos de prisão exigida pelo promotor público no julgamento de três meses e meio em Avignon.
Cinquenta outros homens os acusados ao seu lado, a maioria dos quais nega as acusações, enfrentam penas que variam de 10 a 18 anos para os acusados de estupro agravado e quatro anos para um acusado de agressão sexual. Um homem está foragido e sendo julgado em sua ausência.
Eles foram convidados a discursar no tribunal pela última vez na segunda-feira. Uma dúzia pediu desculpas a Gisèle Pelicot, enquanto alguns insistiram que “não tinham a intenção” de estuprar e, portanto, não eram estupradores. Outros disseram que não tinham nada a acrescentar.
Dominique Pelicot usou as suas últimas palavras por trás da doca de vidro para saudar a “coragem” da sua ex-mulher que, segundo ele, enfrentou a “sinuação de cumplicidade”. Isto seguiu-se a sugestões no início do julgamento de que ela tinha participado voluntariamente nos seus próprios abusos, suspeitas rapidamente rejeitadas pelos vídeos que ele fez das violações que foram mostrados durante a audiência.
“Os vídeos foram muito bem filmados. Ninguém poderia dizer que você não sabia o que estava acontecendo com eles”, disse seu advogado, Stéphane Babonneau. “Ela nunca consideraria deixar esses homens entrarem em sua casa, muito menos fazer o que eles fizeram.”
Gisèle Pelicot descobriu que seu marido “carinhoso, atencioso e perfeito” há 50 anos abusava dela e convidava outros homens a fazerem o mesmo após sua prisão por filmar as saias de clientes do sexo feminino em um supermercado local em setembro de 2020. Quando ele foi levado sob custódia dois meses depois, a polícia revelou a extensão do uso de drogas e do abuso, que durou quase uma década, e mostrou-lhe algumas das fotografias que ele havia tirado dela enquanto ela estava inconsciente.
Numa atitude invulgar, Gisèle Pelicot renunciou ao seu anonimato e insistiu que o julgamento fosse aberto à imprensa e ao público. Os vídeos, que o presidente do tribunal descreveu como um “ataque à dignidade humana”, deveriam ser exibidos em audiência pública, disse ela.
Durante o julgamento, que começou em Setembro, o tribunal ouviu que Dominique Pelicot recrutou a maioria dos acusados a partir de uma sala de chat online chamada Ame-osque se traduz como Sem seu conhecimento. Eles vieram de um raio de 50 quilômetros da casa dos Pelicot, na cidade provençal de Mazan, cujo residente mais notório até agora era o Marquês de Sade.
Os 50 acusados são aqueles que a polícia francesa identificou e localizou a partir dos vídeos de Pelicot. Acredita-se que pelo menos mais 20 ainda estejam foragidos.
Ao longo das semanas, Gisèle Pelicot, 73 anos, uma avó cuja insistência de que “a vergonha deve mudar de lado” se tornou um slogan feminista global, cresceu em confiança e estatura, impulsionada pelo apoio esmagador que recebeu das multidões de mulheres que se transformaram para animá-la dentro e fora do tribunal. As mulheres chegam todos os dias de madrugada e esperam horas sob a chuva, o frio e os fortes ventos Mistral por um lugar na audiência.
“Pensávamos que sabíamos tudo o que os homens eram capazes de infligir às mulheres, mas nunca imaginamos um marido drogando a esposa e oferecendo-a a dezenas de predadores durante 10 anos”, disse um deles.
Antoine Camus, advogado que também representou Gisèle Pelicot, questionou como os homens que ele descreveu como um “caleidoscópio da sociedade francesa” podiam ter tão pouca empatia a ponto de a tratarem como “menos que nada”. “A questão não é por que você foi para lá, mas por que ficou?” ele disse no tribunal.
Grupos feministas franceses e espanhóis são esperados no tribunal para os veredictos. Entre outras demandas, apelam a uma mudança no tratamento dado pela sociedade às vítimas de violação antes, durante e depois do processo legal.
“Como isso não pode mudar as coisas?” Camus perguntou.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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1 dia atrásem
9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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