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Greve de transporte contra Milei gera caos na Argentina – 30/10/2024 – Mundo

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Os principais sindicatos de transporte da Argentina iniciaram uma greve de 24 horas à meia-noite desta quarta-feira (30), deixando parte da nação parada. Mais de um milhão de passageiros do transporte público foram afetados. Os manifestantes protestam contra uma série de medidas de austeridade do presidente Javier Milei.

Desde a madrugada, a capital, Buenos Aires, é palco de engarrafamentos, filas nas estações de metrô e ônibus lotados, de acordo com a imprensa local. Os modais afetados incluem trem, metrô, ônibus, táxis e até mesmo portos e aviões. Sindicatos de educação também aderiram exigindo orçamentos maiores para as universidades.

Segundo o jornal La Nacion, cinco dos oito sindicatos mais importantes do setor aéreo pararam, impactando cerca de 27 mil pessoas e deixando aeroportos desertos. As entidades protestam contra os planos de Milei de privatizar a companhia aérea estatal Aerolineas Argentinas, que reduziu seu quadro de funcionários nos últimos meses.

A adesão dos 12 sindicatos dos trabalhadores de portos, por sua vez, afetou o comércio exterior. Em Rosário, a greve estava bloqueando o porto de grãos —a Argentina é o maior exportador mundial de farelo de soja e um importante fornecedor de milho e trigo.

“O sindicato responsável por amarrar e desamarrar barcos não está permitindo que eles atraquem ou partam”, disse o chefe da Câmara de Atividades Portuárias e Marítimas, Guillermo Wade, à agência Reuters. “O restante do porto está funcionando normalmente, carregando navios e descarregando caminhões.”

O caos deve continuar, em partes, nesta quinta-feira (31), quando o sindicato que representa os trabalhadores de ônibus e bondes decidiu protestar —o governo tentava desarticular a paralisação em reunião que acontecia nesta quarta.

O movimento teve pouco impacto no comércio e na indústria, diferentemente do que ocorreu na greve geral de maio, quando instituições educacionais, financeiras e comerciais pararam em todo o país. Na província de Santa Fé, por exemplo, o movimento era quase normal, segundo relatos na imprensa —ali, o sindicato de trabalhadores do transporte coletivo local decidiu não parar.

Os trabalhadores protestam contra uma série de demissões em agências públicas e exigem salários mais altos. O governo Milei, que tenta emplacar sua agenda ultraliberal após uma gestão peronista, confrontou os sindicatos.

“Os sindicalistas não te deixam trabalhar. Por uma medida dos sindicalistas Moyano e Biró para proteger seus privilégios, nesta quarta não haverá serviço de transporte. Se te obrigarem a parar, ligue para o 134”, lia-se em uma tela da estação de trem Moreno, na região metropolitana de Buenos Aires.

O recado faz referência a Hugo Moyano, secretário-geral do Sindicato dos Caminhoneiros de Buenos Aires, e Pablo Biró, secretário-geral da Associação de Pilotos de Linhas Aéreas. A mesma mensagem foi enviada aos argentinos pelo MiArgentina, aplicativo oficial para facilitar serviços do Estado aos cidadãos.

Anteriormente, o app já havia sido usado para mensagens políticas —no próprio governo Milei, mas também no de seu antecessor, Alberto Fernández. Após a derrota nas primárias argentinas, em 2021, usuários da ferramenta receberam uma notificação que reproduzia um discurso do peronista.

O porta-voz do governo, Manuel Adorni, pronunciou-se sobre a greve na rede social X, com uma publicação irônica: “Boa jornada de trabalho a todos”. “As pessoas só não trabalham se forem obrigadas a não fazê-lo, e só conseguem isso impedindo-as de chegar aos seus locais de trabalho”, continuou.

O secretário de Transporte de Milei, Franco Mogetta, afirmou que o movimento é da casta —termo usado pelo presidente para se referir aos políticos argentinos que vieram antes dele. “Biró e Moyano são os maiores privilegiados da casta sindical. Falam de soberania, de justiça social, de liberdade sindical e direito à greve, e, para reivindicar uma greve, fazem uma greve”, afirmou.

Em entrevista à emissora Todo Noticias, Omar Maturano secretário-geral do sindicato La Fraternidad, que reúne condutores de trem, negou que o protesto fosse puramente político.

“É uma greve contra a economia que este governo está implementando e que mentiu para o povo. Iriam contra a casta política, e colocaram uma grande quantidade de ‘ñoquis’ nos trens, que ganham mais do que um gerente e não sabem nada de nada”, disse ele. O termo utilizado por Maturano designa funcionários públicos ociosos na Argentina contra os quais Milei dizia estar lutando ao fazer demissões em massa de servidores.

O sindicalista disse ainda não ser contra a privatização do transporte ferroviário, inclusa no projeto do presidente de diminuir ao máximo o Estado argentino. “O trem tem subsídio e tarifa social. Se for privatizado, a passagem irá para cerca de 1500 mangos (R$ 8,67). Me diga que trabalhador poderá pagar. Aí não vamos precisar fazer greve, porque não haverá pessoas que nos peguem”, afirmou.

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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre

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A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.

Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.

A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.

“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.

“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”

A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.

Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.

 



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Ufac e TCE-AC apresentam pesquisa de vitimização em Rio Branco — Universidade Federal do Acre

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Ufac e TCE-AC apresentam pesquisa de vitimização em Rio Branco — Universidade Federal do Acre

 

A Ufac e o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) realizaram o Seminário de Apresentação da Pesquisa de Vitimização na Cidade de Rio Branco. O evento, que ocorreu nesta terça-feira, 16, no Plenário do TCE-AC, consistiu em exposições e debate no sentido de contribuir para um diagnóstico da segurança pública e para o aprimoramento das políticas voltadas à população.

A pesquisa foi apoiada por emenda parlamentar do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), destinada em 2025 à Ufac. “Quero agradecer a disponibilidade do senador em ajudar a universidade sempre com emendas necessárias para o desenvolvimento da educação e da pesquisa, com retorno garantido para a sociedade acreana”, disse a reitora Guida Aquino.

O seminário teve como público-alvo a comunidade acadêmica, servidores do TCE-AC e do Ministério Público de Contas do Acre, servidores públicos em geral, gestores da área de segurança pública, justiça criminal e direitos humanos e sociedade civil. A pesquisa buscou compreender como a população percebe a segurança, quais situações de violência e criminalidade afetam os cidadãos e como os serviços de segurança pública são avaliados pelas pessoas.

O trabalho provém do grupo de pesquisa Sujeitos, Ações e Percepções: Estudos em Violência e Conflitualidade, coordenado pelo professor da Ufac, Ermício Sena. Ele informou que os produtos da pesquisa foram banco de dados, mapas descritivos de Rio Branco, relatórios de campo, geral e sintético/executivo.

Em seu discurso, Sena agradeceu aos envolvidos na realização da pesquisa e a Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre, que foi a intermediária para contratação do Instituto de Opinião Pública para execução da pesquisa.

 



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Ufac e Fiocruz fazem oficina sobre leishmaniose em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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A Ufac e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizaram a oficina Epidemiologia, Vigilância e Controle da Leishmaniose Cutânea. O evento ocorreu em 1 de junho, no auditório do Instituto Federal do Acre, em Sena Madureira (AC), reunindo 110 agentes comunitários de saúde e 20 agentes de combate às endemias.

A programação contou com palestras e discussões sobre aspectos epidemiológicos, clínicos e diagnósticos da doença, abordando ciclos de transmissão, vetores e reservatórios envolvidos na manutenção da chamada “ferida brava”, nome popular da leishmaniose cutânea. Além disso, foram realizadas atividades práticas com o uso de lupas e microscópios, permitindo aos profissionais a observação de características dos vetores e compreensão dos métodos laboratoriais utilizados no diagnóstico da doença.

Com mais de 11 mil casos registrados na última década, o Acre ocupa posição de destaque no cenário nacional da doença. Em 2025, o município de Sena Madureira foi classificado pelo Ministério da Saúde como área de risco intenso para transmissão da leishmaniose cutânea, apresentando média anual de 64 casos.

A oficina integra as atividades do projeto de ensino, pesquisa e extensão EpiLeish-Acre, que na Ufac é coordenado pelo professor Francisco Glauco de Araujo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza. Para o pesquisador Leandro Siqueira, do Laboratório de Pesquisa Clínica e Vigilância em Leishmanioses, da Fiocruz, ações educativas para enfrentar a doença são fundamentais. “Profissionais bem capacitados conseguem orientar de forma mais eficaz a população, contribuindo para o diagnóstico e tratamento precoce”, ressaltou.

O secretário municipal de Saúde de Sena Madureira, Willisson Viana, destacou a relevância das parcerias institucionais. “Buscamos fortalecer parcerias com instituições de referência, como a Fiocruz e a Ufac, que contribuem significativamente para o desenvolvimento técnico das nossas equipes.”

O diretor da Vigilância em Saúde de Sena Madureira, Serginey Amorim, disse que a capacitação fortalece ações de saúde pública. “Com conhecimento atualizado e capacitação contínua, ampliamos a prevenção, melhoramos o diagnóstico precoce e fortalecemos as ações de controle da doença em nosso município.”

A iniciativa foi organizada pelos Laboratórios de Patologia e Biologia Parasitária e de Entomologia Médica, da Ufac, e pelo Laboratório de Pesquisa Clínica e Vigilância em Leishmanioses, da Fiocruz.

 



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