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Herdeiros de Chico Mendes apostam em floresta plantada para o futuro no Acre; veja
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7 anos atrásem
Apesar do avanço da agropecuária, agrofloresta é vista como alternativa sustentável.
Em sua propriedade nos arredores de Xapuri, o extrativista Francisco Assiz de Oliveira aposta no que diz ser o futuro da Amazônia: o sistema agroflorestal.
Em uma área degradada por pasto, ele plantou mudas de seringueira e castanheira, alternadas com pés de cacau, banana, goiaba, acerola e outras frutas. Junto com a mata nativa, consegue tirar no mínimo R$ 1.500 por mês, a depender da safra, e garante renda todo mês.
Alinhadas e espaçadas, as árvores produzem mais e dão menos trabalho do que entrar na mata fechada, e podem ser uma alternativa ao extrativismo convencional, para aproveitar áreas degradadas e manter as pessoas na floresta –e a floresta em pé.
“A floresta é meu caixa eletrônico: o que eu quiser, é daqui que eu tiro”, afirma Antonio Teixeira Mendes, o Duda, primo de Chico Mendes —líder ambientalista cuja morte completa 30 anos neste sábado (22)— e vizinho de Assiz, que também plantou seringueiras e castanheiras.
Em um hectare de floresta plantada, cabem até 500 árvores de seringa. Na mata nativa, cortar tudo isso tomaria 15 horas de incursão pela floresta.
Entre as seringueiras, também dá para plantar açaí, cacau, cupuaçu, banana, acerola e graviola. Foi o que fez Assiz, que começou a plantar por conta própria –e na beira da estrada, para mostrar aos outros que a ideia ia dar certo.
No começo, ele errou. Plantou árvores que só vingavam na sombra. Outras, ao contrário, que precisavam de sol. Mas foi aprendendo. Atualmente, ele tem um viveiro de mudas, que usa para expandir a área plantada.

Foto: Raimundo Mendes de Barros, 73, o Raimundão, lutou ao lado de Chico Mendes, contra o desmatamento no Acre e pela defesa dos seringueiros e suas terras. Marlene Bergamo/FolhaPress.
Duda, seu vizinho, começou a plantar seis anos atrás. Hoje, já colhe borracha, mas ainda não a castanha (a árvore leva pelo menos 15 anos para dar frutos). Com a seringa, são cinco anos para começar a produzir. “Tem que insistir, ter paciência”, diz.
A experiência ainda é minoria entre os extrativistas –que, com pouca renda na floresta nativa, acabam partindo para a pecuária, maior fonte de desmatamento da Amazônia.
Nos arredores de Xapuri, cidade de Chico Mendes, a Folha viu plantações de seringueiras abandonadas, tomadas pelo mato. Assiz, que também é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, admite que poucos persistiram no programa, apoiado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e pelo governo do Acre. Outras florestas também são financiadas pelo banco de desenvolvimento da Alemanha, o KfW.
Técnicos que trabalharam no projeto apontam problemas de gestão: em alguns casos, as mudas demoraram a chegar; em outros, faltou assistência. Mas também responsabilizam os produtores por falta de cuidado.

Na foto, Gelso Barbosa Feitosa, 38, seringueiro de Nova Esperança, com sua esposa Maria do Carmo Ferreira de Lima, 51, e seu filho Gustavo Ferreira Feitosa, 14. Ele é a nova geração de seringueiros extrativistas pressionados pelos baixos preços da borracha e que começam a investir em gado, avançando sobre a floresta – Marlene Bergamo/Folhapress.
“É falta de cabeça, mesmo, de consciência”, diz Sebastião Aquino, 39. Membro da Cooperacre (cooperativa de extrativistas do estado), ele planta açaí, cacau, cupuaçu, banana, acerola e graviola, e ainda cria peixe. É um dos produtores mais bem-sucedidos da região –e faz isso em apenas cinco hectares de sua área, que fica dentro de uma reserva extrativista.
Companheiro de Chico Mendes e um dos veteranos da região, o extrativista Raimundo Mendes de Barros, 73, conhecido como Raimundão, é outro entusiasta da ideia. “Quem diz que não dá dinheiro é preguiçoso. Porque tem que trabalhar todo dia”, diz. “É fácil entrar nessa mata com motosserra. O trabalho é pouco.”
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“É como diz a religião: tem o caminho largo e o caminho estreito”, diz Assiz. “Esse aqui [agrofloresta] é o caminho estreito.”
Chefe da Reserva Extrativista Chico Mendes, o analista Flúvio Mascarenhas, do ICMBio, defende o modelo da agrofloresta, em parceria com o extrativismo.
“Nosso país tem a maior floresta tropical do mundo. Quem mais vai oferecer esse serviço?”, afirma. “Se a gente perder isso, perde a vanguarda, o protagonismo.”
Ele destaca que a agrofloresta é um processo lento, e leva tempo para dar resultados –mas argumenta que há compradores, tanto no mercado interno quanto externo. Estelita Hass Carazzai. Folha SP.
Chico Mendes foi morto a tiros em 1988
15.dez.1944
Nasce em um seringal no Acre
1975
Dá início à atividade sindical, liderando manifestações para impedir o desmatamento e desalojamento de famílias de seringueiros
1987
É premiado pela ONU por sua luta em defesa da floresta
22.dez.1988
É assassinado em Xapuri (AC)
12.mar.1990
Criada a 1ª reserva extrativista do país, a Chico Mendes
15.dez.1990
O fazendeiro Darly Alves da Silva e seu filho, Darci Alves Pereira, são condenados pelo crime
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II Semana Acadêmica de Sistemas de Informação — Universidade Federal do Acre
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3 horas atrásem
14 de fevereiro de 2026Estão abertas as inscrições para o evento que vai reunir estudantes e profissionais para conectar ideias, debater o futuro da computação e fortalecer nossa rede acadêmica.
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Onde e Quando?
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Programa insere novos servidores no exercício de suas funções — Universidade Federal do Acre
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2 dias atrásem
12 de fevereiro de 2026A Diretoria de Desempenho e Desenvolvimento, da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, realizou a abertura do programa Integra Ufac, voltado aos novos servidores técnico-administrativos. Durante o evento, foi feita a apresentação das pró-reitorias, com explanações sobre as atribuições e o funcionamento de cada setor da gestão universitária. O lançamento ocorreu nessa quarta-feira, 11, na sala de reuniões da Pró-Reitoria de Graduação, campus-sede.
A finalidade do programa é integrar e preparar os novos servidores técnico-administrativos para o exercício de suas funções, reforçando sua atuação na estrutura organizacional da universidade. A iniciativa está alinhada à portaria n.º 475, do Ministério da Educação, que determina a realização de formação introdutória para os ingressantes nas instituições federais de ensino.
“Receber novos servidores é um dos momentos mais importantes de estar à frente da Ufac”, disse a reitora Guida Aquino. “Esse programa é fundamental para apresentar como a universidade funciona e qual o papel de cada setor.”
A pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Oliveira da Cruz, enfatizou o compromisso coletivo com o fortalecimento institucional. “O sucesso individual de cada servidor reflete diretamente no sucesso da instituição.”
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
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Atlética do Curso de Engenharia Civil — Universidade Federal do Acre
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4 dias atrásem
10 de fevereiro de 2026NOME DA ATLÉTICA
A. A. A. DE ENGENHARIA CIVIL – DEVASTADORA
Data de fundação: 04 de novembro de 2014
MEMBROS DA GESTÃO ATUAL
Anderson Campos Lins
Presidente
Beatriz Rocha Evangelista
Vice-Presidente
Kamila Luany Araújo Caldera
Secretária
Nicolas Maia Assad Félix
Vice-Secretário
Déborah Chaves
Tesoureira
Jayane Vitória Furtado da Silva
Vice-Tesoureira
Mateus Souza dos Santos
Diretor de Patrimônio
Kawane Ferreira de Menezes
Vice-Diretora de Patrimônio
Ney Max Gomes Dantas
Diretor de Marketing
Ana Clésia Almeida Borges
Diretora de Marketing
Layana da Silva Dantas
Vice-Diretora de Marketing
Lucas Assis de Souza
Vice-Diretor de Marketing
Sara Emily Mesquita de Oliveira
Diretora de Esportes
Davi Silva Abejdid
Vice-Diretor de Esportes
Dâmares Peres Carneiro
Estagiária da Diretoria de Esportes
Marco Antonio dos Santos Silva
Diretor de Eventos
Cauã Pontes Mendonça
Vice-Diretor de Eventos
Kaemily de Freitas Ferreira
Diretora de Cheerleaders
Cristiele Rafaella Moura Figueiredo
Vice-Diretora Chreerleaders
Bruno Hadad Melo Dinelly
Diretor de Bateria
Maria Clara Mendonça Staff
Vice-Diretora de Bateria
CONTATO
Instagram: @devastadoraufac / @cheers.devasta
Twitter: @DevastadoraUfac
E-mail: devastaufac@gmail.com
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