ACRE
Inveja, ego, orgulho e dor: o que aprendi ao publicar meu primeiro livro | Hamilton Nolan
PUBLICADO
2 anos atrásem
Hamilton Nolan
Texistem apenas dois tipos de pessoas que cometem o erro de escrever um livro: não-escritores, que não conhecem nada melhor; e escritores, que nunca poderão ser felizes e, portanto, devem sempre buscar a dor para se sentirem vivos. De qualquer forma, todo livro é produto de sofrimento. A melhor coisa que um novo autor pode esperar é descobrir que é masoquista.
Depois de duas décadas como jornalista, publiquei meu primeiro livro em 2024. Isso não me torna especial. Da mesma forma que as pessoas em relacionamentos muitas vezes acordam um dia casadas e com filhos devido puramente à pressão dos colegas, todos os escritores profissionais carregam o fardo do expectativa que eles vão escrever um livro. A cada ano que passa, aqueles que não o fizeram são vistos com crescente suspeita. Digitando todas essas palavras, mas nenhum livro? Por que você não tem nada a dizer?
Quando jovem, eu considerava a indústria editorial um bastião inacessível de eruditos sofisticados literários. Fiquei aliviado dessa noção durante os anos em que escrevi para um blog popular e recebi regularmente solicitações de agentes e editores me encorajando a transformar minha última postagem viral em um livro. Embora lisonjeado, sempre fiquei impressionado com o ceticismo diante do entusiasmo deles.
“Realmente?” Eu me pergunto. “Você acha que ‘Os dez melhores pães para sanduíche de café da manhã, classificados’ poderia ser um bom livro?” Foi assim que descobri que muitas pessoas no setor editorial passam os dias navegando na Internet entediadas, como qualquer outro trabalhador de escritório. O consumo diário de listas e fofocas sobre celebridades é o que os qualifica como mais alfabetizados do que o americano médio.
Quando você decide escrever um livro, você deve primeiro escrever uma proposta de livro, que seu agente deve usar para convencer uma editora a lhe oferecer um contrato para um livro. Isto implica uma série de reuniões com editores que são ostensivamente de natureza editorial, mas que na verdade lhes dão a oportunidade de examiná-lo para decidir se você parece sóbrio o suficiente para realmente escrever a maldita coisa na hora certa.
Isso é bastante razoável da parte deles: sabe-se que escritores aproveitam seu adiantamento e vão para a Riviera Francesa para fumar cigarros e ir a jantares, realizando a fantasia de parecer um escritor sem fazer o trabalho tedioso de digitar todas aquelas coisas. palavras. Pode ser um estilo de vida atraente, até que o dinheiro acabe – o que, dado o tamanho médio dos adiantamentos de livros hoje, acontecerá dentro de alguns meses.
Como muitas indústrias criativas, a publicação ganha todo o seu dinheiro com um pequeno número de grandes sucessos, enquanto a maioria dos livros vende surpreendentemente poucas cópias. Por um lado, isto é bom, porque é uma forma de socialismo para todos nós que escrevemos sobre temas menos populares. (Por alguma razão, poucos relataram análises do movimento trabalhista aparecem na lista dos mais vendidos do New York Times.) Por outro lado, é insuportável, porque os livros que fazer que se tornam best-sellers geralmente são obras horríveis escritas por fantasmas de autofelação de celebridades ou são escritas por seu inimigo pessoal, que de repente fica rico o suficiente para comprar uma “casa de escrever” nos Hamptons.
Na verdade, aceitar o facto de que não será o próximo Stephen King – ou mesmo o próximo Stephen Kang – é uma parte crítica de ser um autor. Esta tarefa é mais fácil para os escritores de não-ficção, que podem descartar os nossos números de vendas simplesmente como prova de que o público frívolo em geral não se importa com os tópicos críticos, mas cheios de nuances, de que tratam os nossos livros.
Os romancistas não têm outra escolha senão encarar as vendas baixas como uma rejeição direta da sua própria arte, pessoal e sincera, algo que imagino ser psicologicamente esmagador. Isto – e o facto de não ter quaisquer ideias e não saber como escrever ficção que não pareça que estou a tentar roubar A Confederacy of Dunces – é a razão pela qual não sou um romancista.
É verdade que a experiência mediana do autor de livros consiste em passar anos torturando-se diante de uma página em branco, seguidos de meses de luta ansiosa por críticas e publicidade, seguidos de esquecimento. Mas não deixe que isso o dissuada. Também é verdade que um livro traz uma série de benefícios adicionais que você não pode obter em nenhum outro lugar.
As pessoas vão levá-lo mais a sério e tratá-lo mais como um intelectual, mesmo que você seja exatamente o mesmo idiota que era antes de digitar 100.000 palavras. Você pode se inscrever para entrar em “retiros de escritores”, onde os adultos vão relaxar em cabanas privadas e comer comida servida e se esforçam ao máximo para parecerem artistas engajados em um grande trabalho mental, em vez de campistas de verão crescidos.
A festa de lançamento do seu livro transmitirá um senso de obrigação social que acompanha apenas casamentos e funerais, o que significa que todos os amigos que você fez na última década comparecerão e será divertido.
Depois, você pode fazer um tour do livro, onde seres humanos reais sairão de suas casas e irão até uma livraria e ficarão sentados em silêncio enquanto você fala sobre seu assunto favorito no mundo por 45 minutos. As pessoas pagam milhares de dólares aos terapeutas por uma fração dessa experiência. É um presente. Saboreie.
Você não deve escrever um livro para ficar rico. Isso não vai acontecer. Você não deve escrever um livro para ficar famoso. Isso também não acontecerá, a menos que você seja de alguma forma convocado para a NBA enquanto escreve. Você não deve escrever um livro porque acha que ele venderá um milhão de cópias, será transformado em filme ou lhe renderá um emprego como professor titular de reflexão, onde você poderá entediar uma geração inteira de estudantes universitários que serão forçados a comprar seu livro. livro por um preço exorbitante na livraria da universidade.
Essas coisas acontecem, sim, mas é muito improvável que aconteçam com você.
Não. Você não deveria escrever um livro por nenhuma dessas razões. Você deveria escrever um livro porque tem algo a dizer. Você deveria escrever um livro porque – muito depois de todos os seus ensaios, postagens de blog e artigos de opinião terem sido perdidos no tempo – aquele livro de capa dura esfarrapado e empoeirado ainda estará na prateleira de uma biblioteca em algum lugar. E alguém que você nunca conheceu, em um lugar onde você nunca esteve, pode pegá-lo e olhar. E quando você estiver morto, enterrado e esquecido, aquele livro, aquela coisa tangível, será lido por uma pessoa, e aquilo que você queria dizer continuará vivo. Isso é o suficiente.
Inferno, eles podem até gostar. Só não conte com isso.
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 dias atrásem
9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
Relacionado
ACRE
Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
3 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
Relacionado
ACRE
Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login