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CURIOSIDADES

Jacaré com chifre? Bicho existia no Acre e pode ser elo perdido entre parentes

Folha de São Paulo, via Acrenoticias.com - Da Amazônia para o Mundo!

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Existência de criaturas tão peculiares está, ao que tudo indica, ligada ao aparecimento de um superpantanal amazônico no passado

A diversidade de parentes extintos dos jacarés era tão grande na Amazônia de 8,5 milhões de anos atrás que um desses bichos chegou a desenvolver um par de chifres em sua cabeça encouraçada, revela um estudo feito por paleontólogos brasileiros.

Como o nome científico indica, o Acresuchus pachytemporalis vivia na região do atual Acre. Medindo uns 4 m de comprimento, o réptil era tão grande quanto o jacaré-açu, maior espécie viva de seu grupo na América do Sul, mas não passava de um nanico para a época: outros jacarés daqueles tempos podiam ultrapassar os 12 metros. 

 O desenho mostra um Acresuchus na margem e um segundo na água; em escala e tão fiéis à anatomia quanto os fósseis permitem
O desenho mostra um Acresuchus na margem e um segundo na água; ambos estão em escala e tão fiéis à anatomia quanto os fósseis permitem – Thaís Hepal.

Aliás, é justamente o parentesco com tais gigantes – além, é claro, dos inusitados chifres – que chamou a atenção dos cientistas. Algumas características do Acresuchus fazem dele uma espécie de elo perdido, ajudando a entender certos passos da origem dos jacarés descomunais.

A descrição formal da espécie, feita com base em seu crânio, foi publicada recentemente na revista científica Journal of Vertebrate Paleontology.

A existência de criaturas tão peculiares quanto o jacaré chifrudo está, ao que tudo indica, ligada ao aparecimento de um “superpantanal” amazônico durante o Mioceno, época geológica em que o animal viveu.

Nessa fase da história da Terra, os processos de elevação das grandes montanhas dos Andes acabaram alagando boa parte do interior da Amazônia, além de despejar enormes quantidades de sedimentos na região (coisa que, em menor grau, acontece ainda hoje).

“Os novos sedimentos andinos fertilizaram toda essa paisagem, formando solos que permitiram o crescimento de uma densa vegetação, com alta diversidade. E, a partir de um ambiente rico e diversificado, a biodiversidade tende a crescer mais graças às especializações e interações que se acumulam”, explica Douglas Riff, paleontólogo da Universidade Federal de Uberlândia e um dos autores do estudo.

Com inúmeros recursos à sua disposição, as formas ancestrais de jacarés e crocodilos se puseram a ocupar vários nichos ecológicos diferentes. Alguns se tornaram predadores gigantes, como o Purussaurus, monstro de até 12,5 m que tinha uma das mordidas mais potentes já registradas. Outros, os gavialoideos, de focinho comprido e fino, especializaram-se na captura de peixes. Havia também formas terrestres, os sebecídeos, e caçadores aquáticos menos especializados.

“Hoje em dia, apenas o nicho generalista é ocupado por esses animais na América do Sul”, explica Giovanne Cidade, da USP de Ribeirão Preto, que também assina o estudo ao lado de sua orientadora, Annie Schmaltz Hsiou.  

De acordo com Riff, algumas espécies de crocodilos modernos possuem leves projeções nas bordas do teto do crânio, logo acima da região do ouvido, que poderiam ser consideradas “chifres” rudimentares. Em tais bichos, parece que essas projeções são exibidas quando machos disputam território ou tentam atrair as fêmeas.

Outras espécies do grupo, já extintas também, exibem estruturas semelhantes a chifres que se projetam das laterais cranianas, da mesma maneira. Mas só o Acresuchus possui protuberâncias maciças que apontam para cima e para o meio do crânio, crescendo a partir da parte de trás dos olhos.

A hipótese da equipe é que tais chifres também fossem usados como sinal de “macheza” em disputas por território e parceiras, mas não se pode descartar a possibilidade de que eles também fossem usados para dar chifradas em rivais.  

Para entender a saga do “reino dos crocodilianos” do Mioceno amazônico, no entanto, são outros detalhes anatômicos do Acresuchus que chamam a atenção. Nas formas gigantes dos bichos, entre as quais se destaca o Purussaurus, é preciso levar em conta as necessidades especiais ligadas a ter um corpo tão grande, e uma das mais importantes é a necessidade de lidar com o excesso de calor.  

“Como os crocodilianos de hoje, essas espécies também eram animais que dependiam do ambiente para manter sua temperatura em níveis adequados. Conforme os animais crescem, o volume do corpo também cresce, só que numa proporção maior que seu tamanho externo, o que significa que, quanto maior o animal, proporcionalmente menor será a sua superfície de troca de calor com o ambiente”, diz Rafael Souza, coautor da pesquisa que trabalha no Museu Nacional da UFRJ. Trocando em miúdos: jacarés grandes demais correm o risco de superaquecer, feito um radiador desregulado.

Acontece que o Acresuchus, ao que tudo indica, é um parente bastante próximo do monstro Purussaurus. E duas características do animal recém-descrito podem ter facilitado a evolução do gigantismo.

A narina externa relativamente grande pode ter ajudado a dissipar o calor, ao facilitar trocas de temperatura com o ambiente. E um detalhe do crânio, uma abertura chamada fenestra supratemporal, também é grandalhona no Acresuchus. Por ela passam vasos sanguíneos que ajudam na regulação da temperatura do cérebro. A ideia, portanto, é que o Purussaurus só conseguiu se tornar tão grande porque seus ancestrais menores já tinham adaptações como as do Acresuchus, facilitando assim seu aumento descomunal de tamanho.

O trabalho é fruto da parceria de longo prazo entre a Universidade Federal do Acre, a USP de Ribeirão Preto, a Universidade Federal de Uberlândia e o Museu Nacional da UFRJ.

Reinaldo José Lopes
SÃO CARLOS
 

CURIOSIDADES

Mortes no trânsito aumentam quase 20% no AC e maioria dos acidentes envolvem motociclistas

G1AC, via Acrenoticias.com - Da Amazônia para o Mundo!

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O número de mortes no trânsito aumentou no Acre de janeiro a agosto deste ano, em relação ao mesmo período de 2018. Os dados são do Departamento Estadual de Trânsito do Acre (Detran-AC). Os números excluem os acidentes em rodovias federais.

O crescimento é de 19%, segundo informou o órgão. Nos oito meses do ano passado foram registradas 31 mortes em todo estado. Já neste ano, foram 37 óbitos. Deste total, 90% envolvem motociclistas.

No dia Nacional do Trânsito, celebrado nesta quarta-feira (25), o diretor do Detran-AC, Luiz Fenando Duarte, disse que a maioria das ações são voltadas para o os motociclistas.

Ele informou ao G1 que são desenvolvidas ações referentes tanto à Semana Nacional do Trânsito quanto continuadas para tentar reduzir estes números.

“Antes da Semana Nacional de Trânsito, nós já estávamos intensificando a fiscalização com o Batalhão de Trânsito e Polícia Militar com operações que visam a abordagem a motociclistas”, informou.

Além disso, ele informou que vai intensificar as blitzen educativas em proximidades de escolas.

“Estes são os dois eixos que podemos trabalhar para reduzir esse número de acidentes [com mortes]. A fiscalização e a educação de trânsito”, disse.

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BRASIL

Mais policiais se suicidam no país do que morrem em confrontos

Juruá em Tempo, via Acrenoticias.com - Da Amazônia para o Mundo!

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O número de policiais que cometeram suicídio no Brasil em 2018 (104) foi maior que a quantidade que morreu em decorrência de confronto nas ruas (87), enquanto estavam em serviço. Para especialistas, o volume de suicídios acende um alerta sobre a necessidade de as corporações prestarem melhor assistência à saúde mental dos agentes. O estresse inerente à função policial e conflitos institucionais, como assédio moral, são apontados pela Ouvidoria da Polícia de São Paulo como fatores que, em conjunto com outros, podem contribuir para essas mortes.
A Ouvidoria divulgou relatório em que analisa os suicídios de policiais cometidos no Estado de São Paulo em 2017 e 2018 – os dados nacionais são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados neste mês. O estudo paulista compila os registros para detalhar informações como o perfil da vítima, além de ter conversado com parentes e amigos para entender o contexto em que a morte aconteceu. O órgão chama a atenção para a alta taxa de suicídio entre policiais, que é de 23,9, enquanto no total da população o número é de 5,8 por 100 mil habitantes.
Os números mostram que o suicídio é a principal causa de morte dos policiais civis paulistas, superando as mortes decorrentes de confronto em serviço e de folga. Na Polícia Militar, as autolesões fatais representam a segunda maior causa de morte, atrás dos assassinatos sofridos na folga, mas à frente dos óbitos ocasionados por confrontos em serviço. “A pesquisa aponta que há necessidade de ampliar o suporte à saúde mental dos policiais em São Paulo”, disse o ouvidor, Benedito Mariano. O jornal O Estado de S. Paulo mostrou neste mês que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e, portanto, podem ser evitados com o tratamento certo.

O estudo paulista elenca oito fatores que, em conjunto, podem contribuir para esses casos. São eles: estresse inerente à função policial; falta de suporte de serviço de saúde mental; depressão; conflitos institucionais; conflitos familiares e problemas financeiros; isolamento social, rigidez e introspecção; subnotificação de tentativas de suicídio; e fácil acesso a arma.
Os pesquisadores destacam que, corriqueiramente, os pensamentos suicidas estão associados a problemas da saúde mental, como depressão. Mas é o estresse inerente à função policial que é citado com destaque nessa lista de fatores. “O policial deve começar a lidar com isso já na academia e tem de existir um programa que o acompanhe ao longo da carreira. Não adianta só dar viatura, armamento e uniforme e não cuidar da saúde mental”, apontou Mariano.
A psicóloga Beatriz Brambilla, do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, reforça que não é uma única dimensão que produz a motivação das vítimas. “A ideia do multicausal é que se possa compreender o fenômeno na totalidade. Então a pessoa que está em sofrimento não está assim por uma questão interna ou porque ela tem uma fragilidade ou inadaptação. Temos de compreender que há questões que são do sujeito, mas que há questões sociais.”
Resiliência
O soldado Antônio Figueiredo Sobrinho, de 56 anos, tinha três anos e meio de carreira na Polícia Militar quando reagiu a uma tentativa de assalto no comércio onde realizava um “bico” de segurança. Correu atrás do assaltante, mas não percebeu que um comparsa estava nas suas costas. Foi baleado e ficou paraplégico.
Acostumado à ideia de ser um herói para os filhos e de prover a sua família, viu-se muito abalado depois do caso, pois se enxergava como um fardo para os que tentavam ajudá-lo a se adaptar e a vencer as barreiras. “Por duas vezes tentei suicídio. Coloquei a arma na cabeça e o dedo no gatilho. Não queria mais viver porque pensava que meus filhos não precisavam de um pai aleijado”, disse ao jornal.
Desistiu da ideia e trilhou o caminho contrário, passando a ajudar aqueles que enfrentavam os mesmos problemas que ele. Sobrinho ajudou a criar a Associação de Policiais Portadores de Deficiência, que conta hoje, segundo ele, com mais de 23 mil associados. Lá, uma série de serviços é oferecida, de doação de cadeira de roda à assistência psicológica. “Fazemos um trabalho de integração daquele policial de volta à sociedade.”
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo disse que as recomendações da Ouvidoria (mais informações nesta página) serão avaliadas pelas áreas técnicas da pasta. Disse que as polícias do Estado “contam com sistemas de apoio e atendimento psicológico aos seus agentes”. Além disso, a Corregedoria e a Academia também oferecem atendimento psicológico aos agentes. “Sempre que necessário, os casos são encaminhados ao Departamento de Perícias Médicas do Estado (DPME) para avaliação.”
Presidente do Conselho Federal de Psicologia, Rogério Giannini disse que a reflexão sobre a saúde mental do policial beneficia a corporação e toda a sociedade. “A pesquisa de certo modo contribui com a ideia de humanização da polícia. O policial é um ser humano que tem as vicissitudes de qualquer ser humano.”
Frustração
A auditora fiscal do trabalho aposentada Maria Aparecida Almeida Dias de Souza, de 70 anos, ainda reflete sobre as razões que levaram a irmã, a delegada Maria Cássia Almeida Almagro, a tirar a própria vida, em julho de 2015, aos 54 anos. “Podem ter havido outros motivos, mas é certo que havia uma insatisfação muito grande com a profissão. Ela vivia uma frustração de não poder realizar aquilo que achava que devia fazer.” A delegada foi encontrada morta em sua casa, em um condomínio de Sorocaba, com ferimento à bala. A perícia indicou que ela havia se suicidado.
Maria Aparecida conta que a irmã enfrentava problemas familiares, pois seu segundo casamento havia terminado e o único filho tinha se mudado para os Estados Unidos. No dia anterior à morte, Cássia esteve na casa da irmã e falou de um curso que estava fazendo na área policial. “Ela não demonstrou nada, estava feliz, cheia de planos.”
A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo, Raquel Kobashi Gallinati, classificou a rotina do policial civil no Estado como “estafante”. “Sabemos que a profissão internacionalmente é ligada a maior índice de suicídio. Atuamos sob pressão e tendo de gerenciar crises a todo instante em situações adversas.”
Sugestões
O relatório da Ouvidoria termina com 11 recomendações de melhorias. À Polícia Militar, o órgão recomenda a criação de mais 75 núcleos de assistência psicossocial, o que cobriria quase todos os batalhões. Hoje, são 35 núcleos.
Além disso, a Ouvidoria pede que o tema da saúde mental seja incluído nas preleções diárias das unidades e nos treinamentos. Para a Polícia Civil, o órgão recomenda a implementação urgente de um programa de saúde mental e contratação de psicólogos para a atividade

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