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Lamentando o avô de Gaza que chorou pela ‘alma da sua alma’ | Conflito Israel-Palestina
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1 ano atrásem
Deir el-Balah, Gaza – Maysa Nabhan chora silenciosamente na sala, folheando seu telefone em busca de imagens de seu pai Khaled Nabhan com seus filhos.
“Ele era tudo para nós. Ele manteve esta família unida. Quando meus filhos morreram, foi ele quem me confortou todos os dias”, diz ela, com a voz embargada enquanto enxuga as lágrimas do rosto com a mão.
Ahmed, de oito anos, estava sentado ao lado da mãe, desatando a chorar sempre que ela chorava, só se acalmando quando ela parava ou estendia um braço vestido de preto para confortá-lo.
“O vovô se foi”, repetiu ele, chorando, sem parar.
Numa casa sobrelotada onde se refugiou com Ahmed, Maysa tem pouco espaço para lamentar o seu pai, que inadvertidamente se tornou um ícone do sofrimento de Gaza há pouco mais de um ano.
‘Alma da minha alma’
Às 2h do dia 29 de novembro de 2023, nos restos destroçados de Deir al-Balah, Khaled Nabhan embalou o corpo pequeno e sem vida de sua neta.
Um ataque aéreo israelense matou Reem, de três anos, e seu irmão Tarek, de cinco, os dois filhos mais novos de sua filha mais velha, Maysa.
Beijando suavemente os olhos fechados de Reem, ele sussurrou que ela era “Ruh al-ruh” (alma da minha alma) e o momento foi capturado pela câmera, fazendo do avô de 54 anos um ícone da agonia de Gaza.
Foi um momento de entrega pacífica à vontade de Deus que conquistou corações em todos os lugares.
Desde aquele momento, mais vídeos foram compartilhados de Khaled Nabhan enquanto ele enfrentava sua perda e trabalhava para ajudar o máximo de pessoas que podia.
Ele se concentrou em confortar os outros, até mesmo em consolar pessoas que ligavam de todo o mundo para oferecer suas condolências.
Quando eles lamentavam a sua incapacidade de fazer qualquer coisa para parar o derramamento de sangue, ele pedia-lhes que rezassem por Gaza.
“Não há nada mais valioso do que suas orações… rezem para que Alá esteja conosco”, disse ele a uma pessoa que telefonou aos prantos.
Um símbolo
O mundo viu Khaled Nabhan ser ele mesmo. Ele alimentou gatos vadios – traumatizados e famintos como a população de Gaza – e brincou com os netos sobreviventes e a filha mais nova, Ratil, de 10 anos, e cuidou da sua mãe idosa.
O seu filho Diaa, de 29 anos, recorda como Khaled Nabhan continuou a trabalhar como operário sempre que conseguia encontrar trabalho, apesar de ele próprio estar com fome e desnutrido.
“Ele trabalhou… sobrevivendo para nos sustentar”, lembra Diaa.
“Mas nunca saberíamos o quanto ele lutou (durante a guerra em Gaza). Ele passou fome para garantir que tínhamos comida suficiente.”
Depois que sua despedida de Reem se tornou viral, Khaled “se transformou em uma agência humanitária de um homem só”, disse Diaa.
À medida que o amor e a compaixão por ele chegavam de todo o mundo, ele canalizou esse apoio para os necessitados, coletando tendas, alimentos e roupas para aqueles que ficaram sem nada.

Nas raras ocasiões em que Khaled se queixou, foi sobre a vida deslocada e a humilhação que isso trouxe a outros, enquanto Israel continuava a obstruir a entrada de quase toda a ajuda a Gaza.
“Não há indignidade maior do que esta”, disse ele em Fevereiro, na traseira de uma carroça puxada por cavalos onde estavam empilhados os pertences da sua família, enquanto os transportava para Rafah, o segundo local de deslocação, de onde acabaram por ter de fugir.
“As pessoas me procuram em busca de ajuda quando não têm o mínimo de roupas para protegê-las das intempéries”, disse ele.
Depois, na segunda-feira, por volta do meio-dia, Israel atacou novamente, bombardeando o campo de refugiados de Nuseirat e matando Khaled Nabhan.
Seu funeral, 14 meses depois de enterrar seus netos, foi visto em todo o mundo em vídeos e postagens nas redes sociais.

Muitos usuários compartilharam suas fotos segurando Reem, comentando “agora ele foi se juntar a ela”.
Isso foi pouco consolo para sua viúva, que se apresentou como Afaf, 46 anos.
“Khaled era uma bela mistura de piedade e diversão”, ela lembrou entre lágrimas.
“Ele era asceta, mas não nos privou de nada. Ele era um marido e pai amoroso e um ser humano atencioso.”
“Ele nos deu amor, carinho e esperança.
“Mesmo quando as bombas caíam, ele nos fazia sentir seguros.
“Agora, eu só pergunto – por quê? E quantas vidas inocentes mais devem ser sacrificadas?”
Esta peça é publicada em colaboração com por exemplo.
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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre
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5 dias atrásem
7 de abril de 2026A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.
Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.
O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.
O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.”
Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)
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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre
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5 dias atrásem
7 de abril de 2026Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.
Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.
“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.
Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”
Mostra em 4 atos
A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).
O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.
No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.
No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.
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I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."
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