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Linfedema, efeito colateral do câncer, impacta milhões – 29/12/2024 – Equilíbrio e Saúde
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1 ano atrásem
Katherine Wang
Durante uma visita ao oncologista para discutir seu tratamento de câncer, meu falecido tio apontava para suas pernas. Os dois membros estavam inchados, com cerca de três vezes seu tamanho normal.
O enorme inchaço o deixava exausto e com dores. Ele era incapaz de se movimentar normalmente.
“Oh, isso é linfedema e não podemos fazer nada a respeito, só posso dizer isso”, respondeu o médico. Ele ignorou as dores e as preocupações do meu tio.
Eu me lembro de ter ficado chocada com o comportamento indiferente do médico em relação a uma condição que causava tanto desconforto e sérios problemas de mobilidade ao meu tio.
Muitos pacientes com câncer ou que passam por tratamento de câncer podem sofrer linfedema. Aquela não era uma condição exclusiva do meu tio e eu não conseguia acreditar que não houvesse nada que o médico pudesse fazer para aliviar as suas dores.
O linfedema é incrivelmente comum. Ele atinge 250 milhões de pessoas em todo o mundo.
No Reino Unido, 450 mil indivíduos sofrem de linfedema. Já nos Estados Unidos, existem até 10 milhões de pessoas com esta condição.
Ainda assim, ele permanece sendo uma “doença oculta” —que recebe pouca atenção, é pouco pesquisada e subdiagnosticada.
O linfedema é uma condição crônica e incurável. Ele causa inchaço excessivo, devido a uma lesão no sistema linfático, a rede responsável por manter o equilíbrio dos fluidos nos tecidos do corpo.
A doença surge quando uma lesão ou distúrbio do sistema linfático impede que o fluido linfático seja drenado adequadamente do corpo.
O sistema linfático é uma rede de glândulas e vasos que faz parte do sistema circulatório do corpo. Ele desempenha papel fundamental na retirada do excesso de fluido e proteínas que vazam dos tecidos, filtrando e devolvendo o fluxo para a corrente sanguínea.
Ele é fundamental para a função imunológica, remoção de resíduos e manutenção do equilíbrio correto de fluidos do nosso corpo.
O sistema linfático também serve de linha de defesa contra doenças. Ele promove a circulação contínua dos glóbulos brancos conhecidos como linfócitos, responsáveis pelo combate aos vírus, bactérias, fungos e parasitas.
Se, algum dia, você ficou doente e sentiu uma protuberância misteriosa no seu pescoço, muito provavelmente era o seu sistema linfático ajudando a combater uma infecção.
“O sistema linfático é muito complexo”, explica Kimberley Steele, ex-cirurgiã bariátrica da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos. Ela é gerente dos programas de pesquisa linfática da ARPA-H, uma agência de saúde do governo federal americano.
“Ele permeia todos os órgãos e tecidos”, explica ela. “E, como cirurgiões, não conseguimos vê-lo porque os vasos linfáticos são translúcidos. Só podemos apreciar o quanto ele faz por nós quando somos realmente afetados.”
Demonstrou-se que a desregulagem do sistema linfático é uma característica fundamental de muitos distúrbios crônicos, como insuficiência cardíaca, mal de Alzheimer, doença intestinal inflamatória e câncer.
Pandemia silenciosa
“O linfedema pode afetar qualquer pessoa, sem discriminação de gênero, idade, etnia ou posição socioeconômica”, segundo Karen Friett, executiva-chefe da organização britânica sem fins lucrativos Rede de Apoio ao Linfedema.
Esta condição é uma consequência comum de certos tipos de câncer e seus tratamentos, como cirurgia ou radioterapia, que podem danificar ou remover os nódulos linfáticos.
Uma em cada cinco mulheres que recebem tratamento para câncer de mama, por exemplo, sofre de linfedema, enquanto 2—29% dos tratamentos de câncer da próstata resultam no surgimento da condição. E ela pode ocorrer em 90% dos casos de câncer da cabeça e do pescoço.
Mas o câncer não é a única causa. O linfedema pode também ser uma condição genética, que faz as pessoas nascerem com linfedema primário, ou pode ser resultado de lesões, obesidade ou infecções—o linfedema secundário.
O escritor Matt Hazledine é o fundador da Lymphoedema United Ltd. Ele desenvolveu linfedema secundário em 2011, após um caso grave de celulite infecciosa, uma infecção bacteriana potencialmente mortal que pode escalar rapidamente para sepse.
“A infecção surgiu do nada, em uma experiência muito dolorosa”, relembra Hazledine. “Seu subproduto foi um inchaço muito grave na minha perna esquerda, que foi diagnosticado como linfedema.”
Sua perna inchou tanto que ficou cerca de 60% maior. Ele ganhou 8 kg de peso. “Com 40 anos de idade, aquilo mudou a minha vida”, ele conta.
Os pacientes com linfedema enfrentam enormes consequências físicas, psicológicas e socioeconômicas.
A condição pode não se restringir às dores. Ela pode desfigurar o paciente, causando perda de mobilidade e independência, redução da produtividade e depressão.
Como não existe cura, o tratamento da condição, em grande parte, é paliativo e exige meticulosa gestão diária. Mas estas medidas raramente são adotadas, devido à grave falta de serviços, conhecimento e, em muitos países, disponibilidade para todos os casos.
Nos Estados Unidos, o acesso ao tratamento é irregular e as companhias de seguro-saúde oferecem cobertura, quando muito, somente para alguns dos tratamentos disponíveis.
“Para muitas pessoas, é impossível tentar ter acesso ao nível básico de assistência”, segundo Friett.
“Os serviços de apoio para o linfedema [no Reino Unido] estão sendo encerrados, os pacientes são ignorados e sua condição piora a cada dia, pois não existe assistência suficiente para eles.”
Hazledine compara seus primeiros anos ao tentar cuidar do seu linfedema como “vaguear na neblina espessa”.
Ele conta que ouviu de sobreviventes de tratamento de câncer que “eles queriam que o câncer os tivesse levado, porque eles acordam toda manhã com um lembrete da sua jornada através da doença, com o linfedema à sua frente”.
“Eles realmente consideram o linfedema um desafio maior do que o câncer”, conta Hazledine.
Alguns médicos tratam o linfedema como uma pandemia ignorada, devido aos problemas crônicos e significativos de saúde pública causados em todo o mundo.
Comparativamente com outras doenças, existem poucos profissionais especializados no seu tratamento, o que traz encargos substanciais aos recursos de saúde. A gestão da condição é quase impossível para a maioria dos pacientes.
A condição permanece subdiagnosticada, subpesquisada e subfinanciada na maioria dos sistemas de saúde. Isso se deve principalmente à falta de conscientização e de conhecimento sobre a doença.
O resultado é que os pacientes podem esperar décadas por um diagnóstico, enquanto seus sintomas pioram progressivamente, até o ponto de incapacitá-los.
“Eu não conseguia tratar porque não sabia o que era”, conta Amy Rivera. Ela nasceu com linfedema primário.
Depois de 32 anos de diagnósticos errados, estigmatização e isolamento, Rivera finalmente encontrou um especialista que conseguiu diagnosticá-la com a doença de Milroy, um raro distúrbio linfático.
Naquela altura, os sintomas do linfedema já eram tão graves que Rivera enfrentava dificuldades diárias para poder completar sua graduação em enfermagem.
“Minha perna esquerda era 200% maior do que a direita”, ela conta. “Era muito pesado e doloroso. Eu não conseguia usar saias, não conseguia usar roupas hospitalares [e] não conseguia ficar em pé.”
A condição fez com que Rivera precisasse desistir da enfermagem, mudar de profissão e, por fim, criar uma organização para promover a consciência sobre a condição —a fundação Ninjas Lutando contra o Linfedema.
Agora, ela também dirige a empresa Rivera Hybrid Solutions, que oferece treinamento e equipamentos para a gestão dos sintomas do linfedema.
Rivera conta que passou anos com os médicos frequentemente ignorando ou menosprezando suas dores e seus sintomas —e que esta falta de conscientização piorou sua situação.
Ela disse que seus médicos trataram mal da condição, prescrevendo medicação diurética, que causou insuficiência renal quando ela era criança.
“Sofri gaslighting de um médico grosseiro que disse ‘você estará em uma cadeira de rodas com 35 anos, então é melhor fazer o que puder agora e aproveitar a vida como ela é. Só está inchando e não há nada que possamos fazer a respeito'”, relembra ela.
Rivera passa seis a sete horas por dia cuidando da sua condição.
“O linfedema não é só questão de inchaço. É doloroso, é debilitante”, explica Friett. “Ele prejudica todos os aspectos da sua vida.”
Complicação mortal
Os pacientes com linfedema também enfrentam alto risco de desenvolver celulite infecciosa recorrente, uma infecção das camadas da pele abaixo da superfície e do tecido subjacente.
É uma causa importante de consultas ao pronto-atendimento e pode resultar em longas internações hospitalares. Os pacientes costumam ter dificuldades para obter um diagnóstico, o que gera frustração e atrasos, que podem piorar a condição.
“Eu gritava de agonia, tentando não desmaiar. Porque eu sabia que não estava bem com temperatura de 41 ºC”, conta a britânica Didi Okoh, medalhista de bronze nas Paralimpíadas de Paris 2024, que sofre de linfedema primário.
Okoh conta que os médicos do pronto-atendimento a ignoraram repetidamente quando ela desenvolveu celulite infecciosa por duas vezes. “Era literalmente questão de vida ou morte”, relembra ela.
“Eu fui deixada duas vezes sem tratamento, uma por sete horas e outra por três horas, mesmo tendo todos os sintomas de celulite infecciosa e dizendo [aos médicos] que eles precisavam me administrar antibióticos rápido, antes que eu entrasse em sepse.”
Cada surto de celulite infecciosa a deixou com lesões irreversíveis aos tecidos da perna. “Sempre que tenho infecção naquela perna, ela é lesionada”, explica Okoh. “Ela volta a crescer e não consigo reduzi-la para o tamanho anterior.”
“Se tratarmos do linfedema adequadamente, reduziremos a incidência da celulite infecciosa”, explica Friett. “Ela é uma das causas mais comuns de internação de emergência nos hospitais.”
Na Inglaterra, por exemplo, o serviço público de saúde britânico NHS gasta cerca de 178 milhões de libras (US$ 225 milhões, cerca de R$ 1,38 bilhões) com internações hospitalares por complicações de linfedema. Grande parte delas é causada pela celulite infecciosa.
Nos Estados Unidos, os pacientes com linfedema representam cerca de US$ 270 milhões (cerca de R$ 1,67 bilhão) em gastos hospitalares, todos os anos.
Estes custos poderiam ser evitados se os pacientes tivessem tratamento adequado, segundo as organizações que defendem melhor reconhecimento da condição.
Um estudo encomendado pela Parceria Nacional pelo Linfedema no Reino Unido demonstrou que, com tratamento adequado, é possível reduzir as complicações em 94% e as internações hospitalares em 87%.
Linfedema: o custo invisível
Mesmo desempenhando um papel tão vital no nosso corpo, o sistema linfático é quase totalmente ignorado na maior parte dos sistemas de formação médica. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos concluiu que, ao longo de toda a graduação na faculdade medicina, menos de 25 minutos são dedicados ao sistema linfático.
Este fator, aliado à grave falta de pesquisas e financiamento para encontrar soluções de tratamento, fez com que o linfedema fosse praticamente esquecido, apesar do seu enorme impacto causado a milhões de pacientes.
“Estamos pelo menos 100 anos atrasados nas pesquisas [sobre o sistema linfático]”, afirma a professora e médica clínica Kristiana Gordon, do Hospital Universitário St. George’s, em Londres —o único hospital de ensino no Reino Unido a ter um módulo dedicado ao sistema linfático no seu curso de graduação em medicina.
“Mesmo se os estudantes não se interessarem pelo linfedema, eles pelo menos terão observado e ouvido falar nele”, explica ela. “E saberão para onde encaminhar os pacientes.”
Disparada dos custos
No Reino Unido, existem apenas cinco médicos dedicados e especializados em linfedema, em dois centros de atendimento, segundo Gordon.
Os pacientes, muitas vezes, precisam viajar por longas distâncias para consultar um médico especialista. São relativamente poucos médicos com o nível de conhecimento necessário.
Os pacientes de Gordon, por exemplo, viajaram da Escócia, ilhas Falkland/Malvinas e da América do Norte, pois “não tinham para onde ir”.
A falta de apoio e tratamento disponível para pacientes com linfedema faz os custos dispararem, tanto para o paciente quanto para os serviços de saúde.
Estudos indicam que cerca de 70% dos pacientes com linfedema não recebem o tratamento necessário. Isso gera complicações que exigem ainda mais cuidados.
Um estudo concluiu que, para cada libra esterlina (cerca de R$ 7,78) gasta em serviços para o tratamento de linfedema, o NHS britânico economiza 100 libras (cerca de R$ 778).
Uma análise global concluiu que pacientes de câncer de mama que desenvolvem linfedema podem gastar até US$ 8.116 (cerca de R$ 50,3 mil) por ano em diversos tipos de tratamento.
Nos Estados Unidos, sobreviventes de câncer com linfedema não conseguem pagar pelo tratamento da sua condição. Os custos são até 112% mais altos, em comparação com pacientes que não sofreram linfedema.
E a condição não prejudica apenas suas economias, mas também sua produtividade.
Pacientes com câncer de mama que sofrem de linfedema enfrentam custos diretos adicionais de até US$ 2.574 (cerca de R$ 15,9 mil) por ano, além de custos indiretos de até US$ 5.545 (cerca de R$ 34,3 mil) por ano. E as pessoas com condições socioeconômicas desfavoráveis são as mais prejudicadas.
Ainda assim, os serviços de assistência aos pacientes com linfedema são geralmente subfinanciados, menosprezados e ignorados. Mas os estudos demonstram que muitos dos pacientes que recebem assistência adequada apresentam resultados muito bons.
“Muitas pessoas podem viver bem com linfedema”, explica Hazledine. “Se elas puderem se informar, conseguir o plano de tratamento correto e o apoio ideal de um profissional de assistência médica logo no começo, tudo isso pode ajudar a montar sua rotina de autogestão.”
Hazledine conta que, quando foi diagnosticado, em 2011, não havia informação sobre onde pedir ajuda ou cuidados por tempo prolongado.
“Quando fui ao [médico], o linfedema era desconhecido. Na época, ele não sabia para onde me encaminhar para conseguir ajuda”, relembra ele.
“Infelizmente, é a mesma história em 2024 —[os médicos] ainda não sabem o suficiente sobre o linfedema.”
Atualmente, Okoh, Hazledine e Rivera conseguem administrar sua condição com eficiência e viver bem com linfedema. Mas eles levaram anos até chegar a este ponto.
Para evitar que outras pessoas enfrentem as mesmas dificuldades que eles tiveram uma década atrás, Hazledine e Rivera fundaram suas próprias organizações, para ajudar os pacientes com linfedema.
“Eu quis reduzir sua jornada para descobrir a estratégia correta de gestão e apoio”, conta Hazledine. Hoje, 13 anos depois de receber seu diagnóstico, ele exclama:
“Você não está sozinho. Você pode viver bem com linfedema.”
* Katherine Wang é pesquisadora do University College de Londres. Inspirada pela experiência da condição do seu tio, ela trabalha para desenvolver dispositivos vestíveis para aliviar a dor e o inchaço causado pelo linfedema, permitindo que os próprios pacientes cuidem da sua condição.
Este texto foi publicado originalmente aqui.
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Exame Nacional de Acesso ENA/Profmat em 2026 — Universidade Federal do Acre
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2 dias atrásem
13 de janeiro de 2026A Coordenação Institucional do Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT/UFAC) divulga a lista de pedidos de matrícula deferidos pela Coordenação, no âmbito do Exame Nacional de Acesso 2026.
LISTA DE PEDIDO DE MATRÍCULA DEFERIDOS
1 ALEXANDRE SANTA CATARINA
2 CARLOS KEVEN DE MORAIS MAIA
3 FELIPE VALENTIM DA SILVA
4 LUCAS NASCIMENTO DA SILVA
5 CARLOS FERREIRA DE ALMEIDA
6 ISRAEL FARAZ DE SOUZA
7 MARCUS WILLIAM MACIEL OLIVEIRA
8 WESLEY BEZERRA
9 SÉRGIO MELO DE SOUZA BATALHA SALES
10 NARCIZO CORREIA DE AMORIM JÚNIOR
Informamos aos candidatos que as aulas terão início a partir do dia 6 de março de 2026, no Bloco dos Mestrados da Universidade Federal do Acre. O horário das aulas será informado oportunamente.
Esclarecemos, ainda, que os pedidos de matrícula serão encaminhados ao Núcleo de Registro e Controle Acadêmico da UFAC, que poderá solicitar documentação complementar.
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Linguagem e Identidade — Universidade Federal do Acre
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3 dias atrásem
12 de janeiro de 2026O programa de pós-graduação em Letras: Linguagem e Identidade (PPGLI) da Ufac chega aos 20 anos com um legado consolidado na formação de profissionais da educação na Amazônia. Criado em 2005 e com sua primeira turma de mestrado iniciada em 2006, o PPGLI passou a ofertar curso de doutorado a partir de 2019. Em 2026, o programa contabiliza 330 mestres e doutores titulados, muitos deles com inserção em instituições de ensino e pesquisa na região.
Os dados mais recentes apontam que 41% dos egressos do PPGLI atuam como docentes na própria Ufac e no Instituto Federal do Acre (Ifac), enquanto 39,4% contribuem com a educação básica. Com conceito 5 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no quadriênio 2017-2020, o PPGLI figura entre os melhores da região Norte.
“Ao longo dessas duas décadas, o programa de pós-graduação em Linguagem e Identidade destaca-se pela excelência acadêmica e pela forte relevância social”, disse a reitora Guida Aquino. “Sua trajetória tem contribuído de forma decisiva para a produção científica e cultural, especialmente no campo dos estudos sobre linguagens e identidades, fortalecendo o compromisso da Ufac com formação qualificada, pesquisa e transformação social.”
O coordenador do programa, Gerson Albuquerque, destacou que, apesar de recente no contexto da pós-graduação brasileira, o PPGLI promove uma transformação na educação superior da Amazônia acreana. “Nesses 20 anos, o PPGLI foi responsável não apenas pela formação de centenas de profissionais altamente qualificados, mas por inúmeras outras iniciativas e realizações que impactam diretamente a sociedade.”
Entre essas ações, Gerson citou a implementação de uma política linguística pioneira que possibilitou o ingresso e permanência de estudantes indígenas e de outras minorias linguísticas, além do protagonismo de pesquisadores indígenas em projetos voltados ao fortalecimento de suas culturas e línguas. “As ações do PPGLI transcenderam os limites acadêmicos, gerando impactos sociais, culturais e econômicos significativos”, opinou. “O programa contribui para a construção de uma sociedade mais inclusiva e consciente de sua riqueza linguística e cultural.”
Educação básica, pesquisa e projetos
Sobre a inserção dos egressos na educação básica, Gerson considerou que, embora a formação stricto sensu seja voltada prioritariamente ao ensino superior e à pesquisa, o alcance do PPGLI vai além. “Se analisarmos o perfil de nossos mestres e doutores, 72% atuam em instituições de ensino superior, técnico, tecnológico ou na educação básica. Isso atesta a importância do programa para a Amazônia e para a área de linguística e literatura, uma das que mais forma mestres e doutores no país.”
O professor também destacou a trajetória de 15 egressos que hoje se destacam em instituições de ensino, projetos de extensão e pesquisa, tanto no Brasil quanto no exterior. Para ele, esses exemplos ilustram a diversidade de atuações do corpo formado pelo programa, que inclui professores indígenas, pesquisadores em literatura comparada, especialistas em língua brasileira de sinais (Libras), artistas da palavra, autores de livros, lideranças educacionais e docentes em universidades peruanas.
A produção científica do PPGLI também foi ressaltada pelo coordenador, que apontou os avanços no quadriênio 2021-2024 como reflexo de um projeto acadêmico articulado com os desafios amazônicos. “Promovemos ações de ensino, pesquisa e extensão com foco na diversidade étnica, linguística e cultural. Nossas parcerias internacionais ampliam o alcance do programa sem perder o vínculo com as realidades locais, especialmente as regiões de fronteira com Peru e Bolívia.”
Entre os destaques estão as políticas afirmativas, a produção de material didático bilíngue para escolas indígenas, a inserção em redes de pesquisa e eventos científicos, a publicação de livros e dossiês temáticos e a atuação dos docentes e discentes em comunidades ribeirinhas e florestais.
Para os próximos anos, o desafio, segundo Gerson, é manter e ampliar essas ações. “Nosso foco está no aprimoramento das estratégias de educação inclusiva e no fortalecimento do impacto social do Programa”, afirmou. Para marcar a data, o PPGLI irá realizar um seminário comemorativo no início de fevereiro de 2026, além de uma série de homenagens e atividades acadêmico-culturais ao longo do ano.
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Ufac lança nova versão do SEI com melhorias e interface moderna — Universidade Federal do Acre
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3 dias atrásem
12 de janeiro de 2026A Ufac realizou a solenidade de lançamento da nova versão do Sistema Eletrônico de Informações (SEI), que passa a operar na versão 5.0.3. A atualização oferece interface mais moderna, melhorias de desempenho, maior segurança e avanços significativos na gestão de documentos eletrônicos. O evento ocorreu nesta segunda-feira, 12, no auditório da Pró-Reitoria de Graduação.
A reitora Guida Aquino destacou a importância da modernização para a eficiência institucional. Ela lembrou que a primeira implantação do SEI ocorreu em 2020, antes mesmo do início da pandemia, permitindo à universidade manter suas atividades administrativas durante o período de restrições sanitárias. “Esse sistema coroou um momento importante da nossa história. Agora, com a versão 5.0, damos mais um passo na economia de papel, na praticidade e na sustentabilidade. Não tenho dúvida de que teremos mais celeridade e eficiência no nosso dia a dia.”
Ela também pontuou que a universidade está entre as primeiras do país a operar com a versão mais atual do sistema e reforçou o compromisso da gestão em concluir o mandato com entregas concretas. “Trabalharei até o último dia para garantir que a Ufac continue avançando. Não fiz da Reitoria trampolim político. Fizemos obras, sim, mas também implementamos políticas. Digitalizamos assentamentos, reorganizamos processos, criamos oportunidades para estudantes e servidores. E tudo isso se comunica diretamente com o que estamos lançando hoje.”
Guida reforçou que a credibilidade institucional conquistada ao longo dos anos é resultado de um esforço coletivo. “Tudo o que fiz na Reitoria foi com compromisso com esta universidade. E farei até o último dia. Continuamos avançando porque a Ufac merece.”
Mudanças e gestão documental
Responsável técnico pela atualização, o diretor do Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI), Jerbisclei de Souza Silva, explicou que a nova versão exigiu mudanças profundas na infraestrutura de servidores e bancos de dados, devido ao crescimento exponencial de documentos armazenados.
“São milhões de arquivos em PDF e externos que exigem processamento, armazenamento e desempenho. A atualização envolveu um trabalho complexo e minucioso da nossa equipe, que fez tudo com o máximo cuidado para garantir segurança e estabilidade”, explicou. Ele ressaltou ainda que o novo SEI já conta com recursos de inteligência artificial e apresentou melhora perceptível na velocidade de navegação.

O coordenador de Documentos Eletrônicos e gestor do SEI, Márcio Pontes, reforçou que a nova versão transforma o sistema em uma ferramenta de gestão documental mais ampla, com funcionalidades como classificação, eliminação e descrição de documentos conforme tabela de temporalidade. “Passamos a ter um controle mais efetivo sobre o ciclo de vida dos documentos. Isso representa um avanço muito importante para a universidade.” Ele informou ainda que nesta quinta-feira, 15, será realizada uma live, às 10h, no canal UfacTV no YouTube, para apresentar todas as novidades do sistema e tirar dúvidas dos usuários.
A coordenação do SEI passou a funcionar em novo endereço: saiu do pavimento superior e agora está localizada no térreo do prédio do Nurca/Arquivo Central, com acesso facilitado ao público. Os canais de atendimento seguem ativos pelo WhatsApp (68) 99257-9587 e e-mail sei@ufac.br.
Também participaram da solenidade o pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; e a pró-reitora de Inovação e Tecnologia, Almecina Balbino.
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