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Lula perdeu capital político, diz ACM Neto – 12/10/2024 – Poder

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Julia Chaib, Camila Mattoso

Vice-presidente do União Brasil, o ex-deputado federal e ex-prefeito Antonio Carlos Magalhães Neto (BA) diz que as eleições municipais mostraram um presidente Lula (PT) enfraquecido e afastado das ruas, o que abre caminho para seus adversários em 2026.

ACM Neto, que integra a ala do partido mais refratária ao governo, defende esse enfrentamento com o PT, e diz que Lula faz um governo de esquerda, apesar de o próprio União Brasil, além de PSD, MDB, PP e Republicanos somarem 11 ministros na Esplanada.

“Se os outros campos políticos se organizarem, é possível ter uma eleição competitiva em 2026”, diz o político baiano, que foi derrotado pelo PT nas eleições para governador em 2022.

Qual é o balanço dessa eleição municipal e o recado que sai das urnas em termos de força de campos políticos?

O fator preponderante para a escolha do candidato a prefeito é a realidade de cada cidade. Isso tem muito mais peso do que as influências políticas externas. Sem desprezar situações específicas, ficou claro que a eleição foi municipal, muito mais do que nacional.

O segundo ponto é a ausência do presidente Lula, que, historicamente, participou de maneira muito ativa das eleições municipais. Em pouquíssimos lugares ele compareceu fisicamente e, mesmo os vídeos que gravou, na minha opinião, não tiveram maior efeito. Mostra que Lula não tem mais a liderança e o capital político que já teve, quando muitos acreditavam que apenas pela vinculação com ele já seria o suficiente para decidir uma eleição.

Por que acha que ele não participou?

O momento do governo não é extraordinário, ele não está no auge da popularidade. E a gente percebe certa dificuldade nesse governo de contato com as ruas.

Aliados de Lula dizem que ele não quis rachar a base, a qual seu partido integra, para evitar indisposições.

Não acho que tenha sido o propósito principal. Até porque não houve nenhuma conversa prévia de coordenação política para dizer: olha, o presidente não vai se envolver, porque aqui há dois, três partidos da base. Acho que [se ausentou] foi por medo de trazer a derrota para o colo do governo.

O que significa para 2026 essa sua constatação de que Lula não tem mais a força que tinha?

O presidente se elegeu em 2022 com o país muito dividido. Quem foi preponderante para a eleição dele não foi a esquerda, foram muitos eleitores de centro que rejeitavam Bolsonaro. De certa forma, todos os principais movimentos do governo, desde que o presidente assumiu, desconsideraram esses eleitores.

Tudo isso fez com que eles fossem perdendo, gradualmente, uma parte da força e do capital que acumularam na eleição. Aí entra um horizonte para frente. Se os outros campos políticos se organizarem, é possível ter uma eleição competitiva em 2026.

Qual campo saiu vitorioso?

Dá para ver claramente quem foi o derrotado: o PT, que até agora, em primeiro turno, não elegeu um prefeito de capital. Quando a gente vai observar do ponto de vista quantitativo, você tem alguns partidos que se destacaram: PSD, MDB, Progressistas, União Brasil. Esses partidos saem vitoriosos.

Vê o enfraquecimento da polarização nessa eleição?

A eleição municipal não necessariamente segue esse caminho, apesar de, em alguns lugares, isso ter acontecido. Mas o país continua polarizado e a dinâmica para a eleição presidencial é diferente. A tendência é que ainda exista, sim, uma polarização, talvez não com o desenho de 2022.

Qual a avaliação sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro?

Ele teve uma participação muito mais presente do que Lula, mas não acho que a eleição municipal tenha sido decidida por Bolsonaro ou Lula. Ninguém está anulando a força nem dele, nem do Lula. Mas uma coisa é ter peso, outra é decidir a eleição.

Sobre São Paulo, o que aconteceu com Pablo Marçal representa uma perda de controle do Bolsonaro sobre o eleitorado?

Houve uma época em que você colocava o poste e elegia o poste, apenas pela força do padrinho. Isso é cada vez menor no país. E aí você vem para o fenômeno, por exemplo, do Pablo Marçal. Ele, da forma como ele é, representando um certo setor da direita, acabou puxando esses votos, independente de Bolsonaro querer evitar ou impedir isso. Essa coisa de que Bolsonaro ou Lula manda nos votos acabou. E São Paulo é uma prova disso.

Qual o seu diagnóstico em relação à direita? [O pastor] Silas Malafaia criticou Bolsonaro, Ricardo Nunes não quer o apoio de Marçal, Ciro Nogueira falou sobre os erros de Bolsonaro…

Os comentários mostram a relevância e o protagonismo que a direita teve na eleição. O próprio Tarcísio levando o Nunes para o segundo turno sai com um tamanho político maior. Ronaldo Caiado em Goiás fez 94 prefeitos. Você tem hoje no campo da direita nomes novos, e não acho necessariamente ruim.

Falando de eleição da Câmara, um dos seus principais aliados, o Elmar Nascimento [BA], é candidato e tem buscado Lula por apoio. Ele mantém a candidatura e ele quer ser o candidato do governo?

Primeiro, o Elmar é o candidato à presidência da Câmara do União Brasil. Eu sempre compreendi que o papel dele como deputado federal é diferente do meu. Da mesma forma, eu sei que ele compreende que eu tenho de fazer oposição ao PT. Ninguém se elege presidente da Câmara de si próprio ou de um partido só. E qualquer um dos nomes que estão aí deseja ter o apoio do governo. Óbvio.

Vocês têm dois candidatos, um na Câmara e um Senado, com Elmar e o senador Davi Alcolumbre. Se tiverem que abrir mão de um, em nome de um acordo com os partidos, vocês abrem mão de quem?

Não misture alhos e bugalhos. Eu era presidente do Democratas, tínhamos uma bancada diminuta, e elegemos Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre presidentes das duas Casas. Então não existe isso ‘ah, porque é do mesmo partido’. A dinâmica das eleições são bem separadas. Eu não perco o meu sono com essa preocupação de ter que escolher um e entregar a cabeça do outro.


RAIO-X

Antônio Carlos Magalhães Neto, 45

É vice-presidente do União Brasil. Formado em direito pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), foi deputado federal por três mandatos. Eleito pela primeira vez em 2002, renunciou ao mandato em 2012 para assumir a prefeitura de Salvador. Em 2016, foi reeleito prefeito. Disputou o governo da Bahia em 2022 e acabou derrotado.



Leia Mais: Folha

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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.

O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.

 



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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia

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Foto de capa [internet]

Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.

A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.

A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.

Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.

O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.

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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre

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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre

A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.

São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”

A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.

A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.

No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.

 



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