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Mecanismos de seguro em saúde enfrentam retrocessos – 10/10/2024 – Equilíbrio e Saúde

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Cláudia Collucci

Os mecanismos de seguro oferecidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e pelos planos de saúde estão enfrentando um processo gradual de retrocesso no país, o que traz riscos sistêmicos para todo o setor, aponta relatório inédito do Ieps (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde) e da Umane divulgado nesta quinta (10).

Por um lado, restrições fiscais limitam a capacidade de financiamento do SUS, já cronicamente subfinanciado, por outro, planos de saúde que praticam rescisões unilaterais, reajustes abusivos, com cobertura limitada a serviços de mais baixa complexidade ou ainda os cartões de benefício também não oferecem proteção aos usuários.

O trabalho, com 450 páginas, analisou as relações da saúde privada com o setor público nas últimas décadas e indica a necessidade de avançar na regulação dessas ligações, com governança adequada liderada pelo Estado brasileiro.

Nove estudos abordam temas como a expansão de clínicas populares, a chegada do investimento estrangeiro em hospitais, a concentração de mercado entre as operadoras, a situação das Santas Casas e dos hospitais filantrópicos, a prática dual dos profissionais de saúde entre os setores, entre outros temas.

Segundo Rudi Rocha, diretor de pesquisa do Ieps e coordenador do projeto, a expansão que se vê hoje no setor privado não são de serviços de seguro propriamente ditos, ou seja, que cobrem sinistros mais caros em caso de necessidades ao longo da vida, que são financiados de modo compartilhado em carteiras grandes e equilibradas o suficiente para serem viáveis no longo prazo.

“A existência de planos baseados em pequenos contratos e reajustes baseados em sinistros recentes [em vez de considerar questões como o perfil etário e epidemiológico de cada região] e sujeitos à rescisão unilateral precisam ser alvo de regulação”, diz.

Atualmente, o Brasil gasta cerca de 4% do PIB para financiar o SUS, que atende 75% da população, enquanto 6% vão para a saúde privada, que cobre os 25% restantes.

Segundo a pesquisa, para cobrir as necessidades na saúde pública, estima-se que sejam necessários mais de 3,2 pontos percentuais do PIB até 2060, o que representaria uma adicional em torno de R$ 1 trilhão por ano —ou de R$ 350 bilhões, a valores atuais.

“As necessidades crescentes de financiamento da saúde pedirão um sistema mais organizado, menos fragmentado, com relações mais sustentáveis entre os agentes e governança sólida”, diz Thais Junqueira, superintendente geral da Umane.

Para Rudi Rocha, os desafios da saúde pública têm sido bastante discutidos e estudados, mas é preciso avançar no debate sobre a incipiente contribuição dos planos privados de saúde na oferta de serviços genuinamente de seguros.

De acordo com a pesquisa, o setor precisa de uma regulação que induza a consolidação de serviços de seguro baseados em grandes carteiras de beneficiários, equilibradas atuarialmente, em contraposição à entrada ou permanência no mercado de produtos de cobertura limitada, tanto em termos de serviços como de proteção contra reajustes abusivos ou rescisão unilateral.

O trabalho aponta a necessidade de regulação que garanta um monitoramento de qualidade das práticas e dos serviços prestados, principalmente pelas operadoras verticalizadas, que oferecem rede própria de serviços, que têm crescido no país.

Clínicas populares, que combinam a oferta de serviços médicos, exames e procedimentos, também devem ser reguladas. “São casos em que podem existir conflitos de interesse que devem ser coibidos pelo Estado”, diz Rocha.

A pesquisa também defende regras claras e unificadas que possam garantir previsibilidade ao processo de inovação e incorporação de tecnologia. A avaliação é de que, sem uma regulação adequada, isso vai elevar ainda mais os custos do sistema de saúde, sem necessariamente melhorar a qualidade dos cuidados oferecidos.

Na opinião de Rudi Rocha, é o Estado brasileiro que deve conduzir o diálogo para uma governança para ampla do sistema de saúde, que seja capaz de coordenar as ações e reformas necessárias para garantir tanto a eficiência quanto a equidade no acesso aos cuidados de saúde.

“Não podemos permitir que o mercado privado de saúde continue a operar de maneira fragmentada e sem supervisão adequada, especialmente nas áreas onde os sistemas público e privado interagem diretamente, como na contratação de serviços, uso de infraestrutura e compartilhamento de recursos humanos”, diz ele.

Este projeto é uma parceria com a Umane, associação que apoia iniciativas no âmbito da saúde pública



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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.

O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.

 



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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia

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Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.

A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.

A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.

Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.

O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.

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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre

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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre

A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.

São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”

A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.

A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.

No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.

 



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