NOSSAS REDES

ACRE

Minha resolução de ano novo? Abandone de uma vez por todas as resoluções de ano novo | Moira Donegan

PUBLICADO

em

Moira Donegan

UMÀ medida que as luzes de Natal se apagam em todo o país e os embrulhos de presentes são amassados ​​em sacos de lixo em todo o mundo, estamos prestes a passar colectivamente da época festiva e indulgente das festas de fim de ano para a sua coda mais rigorosa. Estamos deixando a época de comer, beber e ser alegres, e entrando em um período anual de retidão presunçosa, abnegação virtuosa e autodisciplina ostensivamente esforçada. O Natal acabou. É hora, agora, de resoluções de ano novo.

Permita-me ser franco ao dizer que há poucos rituais que desprezo mais do que este, o catálogo anual de janeiro de aspirações obedientes e tristes. As promessas de beber menos, deixar de fumar, poupar dinheiro, trabalhar mais e, acima de tudo, perder peso – podem ser neutras, até mesmo admiráveis, por si só. Mas vindo, como fazem, num impulso sazonal em massa, na forma de ostentação, pressão dos colegas e vendas de inscrições em academias anunciadas em alto e bom som, eles criam o que sempre me pareceu uma abertura opressiva para o novo ano, uma abertura pesada em autocrítica. e hipocrisia e luz sobre o envolvimento sério com as formas como devemos – e podemos – mudar.

Afinal, buscar uma resolução de ano novo é, muitas vezes, um exercício infeliz de autoavaliação e de se sentir deficiente. À medida que Dezembro chega ao fim e o novo ano se aproxima, com o seu mandato de mudança e renovação, muitos de nós daremos uma boa e longa olhada no espelho para ver o que fizemos de nós mesmos em 2024.

Provavelmente, estamos todos um pouco desgastados. De minha parte, tenho mais cabelos grisalhos, olheiras mais escuras e uma boca que cai nos cantos, franzindo a testa mesmo quando me sinto alegre. Muitos de nós veremos como muitas bebidas de Natal deixaram nossa pele pálida, ou descobriremos que os biscoitos e queijos das festividades das últimas semanas fizeram com que nossas roupas ficassem apertadas. Alguns ficarão alarmados com o que a temporada de troca de presentes fez com suas contas bancárias; outros notarão a bagunça em suas mesas, o maço de cigarros cada vez menor em suas bolsas.

Tudo isto leva muitos de nós, no final de cada ano, à voz incómoda no fundo da nossa mente – por vezes acalmada, mas nunca silenciada – que diz que não estamos a viver as nossas vidas corretamente. É esta voz, a voz da autocensura, que nos diz que deveríamos realizar mais, com mais graça; que deveríamos ser mais inteligentes, mais saudáveis, mais produtivos e mais magros. As nossas vidas em 2024 foram insuficientes, diz-nos a voz, mas em 2025 temos uma oportunidade – talvez até uma obrigação – de as tornar melhores. Isso, em sua essência, é o que decidimos fazer.

Mas será esta a maneira correta de pensar? Afinal, existe outra forma de pensar em todos os detritos que nos restam no final do ano: coisas pelas quais agradecer. As ressacas e o ganho de peso podem não ser agradáveis, mas geralmente são a evidência de prazeres desfrutados e desejos realizados. Gastar muito dinheiro em presentes pode ser um sinal de que há muitas pessoas em sua vida que você ama e com quem se preocupa. Ver o desgaste e a flacidez da idade no espelho é um privilégio que algumas pessoas não têm.

Mas o espírito das resoluções transforma estes dividendos de uma vida bem vivida em défices morais, dívidas que devem ser pagas em prestações. Janeiro, decidimos coletivamente, é quando a conta vence.

Há uma maneira pela qual a temporada abstêmia de resoluções é um corolário natural das férias frenéticas. Podemos pensar na austeridade escrupulosa de Janeiro como pouco mais do que um pêndulo a oscilar para trás, um equilíbrio natural para os excessos de Dezembro. Mas isto seria mais convincente se Janeiro realmente trouxesse mudanças no nosso comportamento e personalidade.

A outra característica das resoluções de ano novo é a forma como elas não são cumpridas. Nossas promessas de parar de fumar duram dias ou semanas; nossos juramentos solenes de nunca mais beber não sobrevivem a um convite para um happy hour; os pequenos almoços repetitivos de couve e quinoa parecem revoltantes em fevereiro, e geralmente é por volta de março que muitos de nós aprendemos que não é tão fácil cancelar a inscrição na academia que nos inscrevemos em um frenesi de promessas virtuosas.

A mudança do calendário, ao que parece, não muda a nós mesmos: continuamos a ser a mesma confusão de indulgências e fraquezas. Quando as nossas resoluções falham, descobrimos que as nossas falhas são mais persistentes do que pensávamos; temos uma resistência mais profunda e obstinada do que talvez pensássemos em fazer as coisas para o nosso próprio bem. Acontece que é muito difícil mudar: raramente adotamos bons hábitos, especialmente quando eles são mais nobres do que práticos ou divertidos. E raramente abandonamos os que são maus, mesmo quando nos fazemos sofrer.

Talvez devêssemos abandonar as resoluções, nem que seja para não sofrermos mais. Uma promessa alternativa que poderíamos assumir ao olharmos para 2025 poderia ser renunciar aos votos justos de passar horas numa passadeira ou nunca mais comer açúcar e tentar, em vez disso, algo como fazer as pazes com as nossas próprias fraquezas e fracassos. Isso não exige que deixemos de nos ver como seres imperfeitos que somos; apenas para ceder a esses seres imperfeitos de vez em quando, ou pelo menos para manter seus fracassos na proporção.

À medida que entro no novo ano, não me faltam oportunidades para catalogar os meus próprios defeitos – e se me esquecer, há uma hipótese de alguns dos meus familiares o fazerem por mim. Mas espero tratá-los como trataria um velho amigo, alguém por quem posso ver claramente e por quem ainda sinto um certo carinho. Não haverá nenhum momento no próximo ano em que qualquer um de nós, eu ou você, esteja livre de nossos defeitos. Em vez disso, continuaremos sendo o que sempre fomos: irascíveis, bagunceiros, teimosos, egoístas, preguiçosos, impulsivos e vivos.



Leia Mais: The Guardian

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

//www.instagram.com/embed.js



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS