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Morre aos 87 Roberto Amaral, executivo que marcou a Andrade Gutierrez em SP – 24/12/2024 – Mercado

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Alexa Salomão

Morreu nesta terça-feira (24), aos 87 anos, de falência múltipla de órgãos, Roberto Figueiredo do Amaral, lembrado como uma das personalidades mais influentes da história da construção civil no Brasil. Por três décadas, de 1969 a 1998, Amaral trabalhou na Andrade Gutierrez. O período em que esteve no comando da empreiteira em São Paulo, a partir de 1985, marcou o apogeu da empresa no estado.

Sua gestão foi responsável pela construção da hidrelétrica Três Irmãos, por trechos da rodovia Carvalho Pinto e pela reurbanização do Vale do Anhangabaú. No auge, nos anos de 1990, comandou cerca de 10.500 funcionários, e São Paulo chegou a concentrar cerca de 70% de todo o faturamento da construtora, incluindo o resultado no mundo.

“Hoje, perdemos o amigo Roberto Amaral, um líder que engrandeceu a cultura empresarial brasileira. Deixa um vazio”, escreveu à Folha o ex-presidente Michel Temer, que se tornou próximo a Amaral.

“Roberto Amaral foi uma das pessoas mais generosas e inteligentes que conheci na minha vida. Irônico, leal, amigo dos amigos, vai fazer falta. Meus sentimentos a toda a família”, afirmou o também amigo José Luis Oliveira Lima, advogado criminalista mais conhecido como Juca.

Amaral nasceu em Botucatu (SP), em 18 de fevereiro de 1937. A família se mudou para Guaratinguetá quando ele ainda era criança. O pai, que era delegado, morreu quando ele tinha nove anos. Cursou o internato do Colégio São Bento, na capital paulista. Chegou a iniciar, mas não concluiu, o curso de direito.

Tinha 32 anos quando entrou na Andrade Gutierrez como assistente da diretoria em São Paulo, na época uma praça irrelevante para empreiteira, que era forte em Minas Gerais. Ao assumir como diretor-geral no estado, também se tornou membro da alta administração da companhia, conquistando ascendência nacional.

De personalidade marcante e envolvente, quem o conheceu conta que tinha incomparável capacidade de tecer relações entre o mundo empresarial e a cena política, tornando-se próximo das personalidades mais influentes da República, não importava o partido. Conta-se que, para demonstrar que não tinha preferências políticas, tirava do bolso e mostrava uma lista com nomes, do PSDB ao PT, que já tinham viajado nos jatinhos da empreiteira.

Paulo César Farias, tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor, chamava-o de mestre. Orestes Quércia, que foi governador de São Paulo, visitava seu haras e a casa em Ilhabela, no litoral paulista. Foi amigo do ex-prefeito Jânio Quadros, lhe dando ajuda financeira até o fim da vida. Pagou os tratamentos médicos e o aluguel do flat em que Jânio vivia.

O livro “Notícias do Planalto”, do jornalista Mario Sergio Conti, traz histórias que detalham a sua habilidade nos bastidores do poder. Um dos trechos conta como se aproximou da então ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, para contornar o risco de intervenção federal no Banestado, em 1990, e impedir que a candidatura de Luiz Antônio Fleury Filho fosse abalada.

Em 1995, o executivo teve sangue-frio para lidar com o sequestro da filha de 18 anos, que ficou cinco dias em cativeiro e foi libertada após o pagamento do resgate.

Ao deixar a construtora, em 1998, chegou a morar fora. Esteve na Suiça, em Bali e na Espanha. Também tornou-se consultor, reconhecido pela capacidade de frequentar círculos mais exclusivos. Em entrevista à revista piauí, em 2007, para o seu perfil, o banqueiro Daniel Dantas contou à jornalista Consuelo Dieguez que buscou o assessoramento de Amaral justamente pela sua capacidade de fazer pontes entre empresas e governos.

“Eu precisava de alguém que me explicasse como funciona o Brasil do poder, e o Roberto era o homem ideal”, declarou.

Por causa dessa aproximação, em 2009, aos 72 anos, Amaral foi um dos 13 indiciados no inquérito da Polícia Federal dentro da Operação Satiagraha, que investigou as atividades do grupo Opportunity. Não deu em nada, mas rendeu uma boa história.

Uma equipe da Polícia Federal chegou a bater no seu apartamento para fazer busca e apreensão e foi recebida com sua usual amabilidade. Era um apreciador de obras de arte. Tinha Portinari, Caribé, Volpi, Bonadei. Ao perceber que um dos agentes parecia interessado por suas gravuras de Picasso, passou a discorrer sobre as obras e fez uma espécie de tour cultural em plena batida, com a devida atenção dos ouvintes.

O velório está marcado para a manhã desta quinta-feira (26), no Horto da Paz, em São Paulo. Amaral deixa a esposa, Rose, cinco filhos, Homero, Gabriela, Beto, Rodrigo e Juliana, e sete netos Ana, Raul, Cesar, João Pedro, Marco Antonio, Bernardo e Lis.



Leia Mais: Folha

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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.

O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.

 



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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia

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Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.

A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.

A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.

Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.

O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.

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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre

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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre

A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.

São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”

A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.

A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.

No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.

 



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