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Mudança climática impõe redefinir responsabilidades nas concessões – 12/12/2024 – Opinião
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1 ano atrásem
Alessandra Carneiro de Albuquerque, Diego Pereira
As mudanças climáticas não são previsões futuristas. Segundo o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), em 2023 foram 1.161 desastres com impacto econômico superior a R$ 25 bilhões em áreas públicas e privadas, além de mais de R$ 5 bilhões em obras de infraestrutura.
A questão que se apresenta é como os contratos de concessão, especialmente os de infraestrutura, devem se modificar para refletir essa nova realidade que requer ações mitigadoras.
Enquanto avanços não forem implementados, as partes envolvidas devem ajustar suas expectativas e responsabilidades nos contratos vigentes. Os conceitos tradicionais de imprevisibilidade para caso fortuito e força maior precisam ser revisitados. Com a frequência e regularidade crescentes de eventos extremos, torna-se impossível tratá-los como totalmente imprevisíveis.
As ciências climáticas nos fornecem ferramentas para prever e minimizar danos e prejuízos, o que deve ser refletido nos contratos atuais de concessão que frequentemente abordam eventos climáticos como força maior, permitindo a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro original. Isso exime, normalmente, os concessionários de responsabilidades que não podem ser seguradas, transferindo os custos para o setor público.
Com o avanço das ciências climáticas, não é mais aceitável alegar surpresa diante de tais eventos, devendo-se buscar soluções dentro dos próprios contratos, além dos mercados de seguros.
É essencial reavaliar a matriz de risco nos contratos de concessão para adequar a alocação de responsabilidades.
A previsibilidade dos eventos climáticos extremos requer uma releitura dessa matriz, que deve incorporar e compartilhar os riscos associados. Estudos de viabilidade e precificação de ativos e obrigações devem incluir os efeitos negativos das mudanças climáticas, em vez de repassá-los ao poder público.
Para contratos em andamento, a realidade climática pode ser abordada por meio de aditivo que defina responsabilidades compartilhadas em relação a eventos não contemplados nos acordos originais. Além disso, medidas mitigadoras devem ser aprimoradas para fortalecer a resiliência das estruturas e serviços aos impactos climáticos.
Para contratos futuros, é imprescindível que a matriz de risco seja elaborada com base na ciência vigente, envolvendo a inclusão explícita de eventos extremos como riscos compartilhados e a previsão de medidas adaptativas, como infraestruturas resilientes e seguros obrigatórios.
Com as enchentes gaúchas, o reequilíbrio cautelar concedido pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para mitigar os impactos econômicos sinalizou que esse modelo de alocação de riscos precisa ser reavaliado.
É vital estabelecer um pacto entre o poder público e concessionários, incentivando práticas sustentáveis e de inovações.
A atual era climática exige que contratos promovam uma gestão compartilhada de riscos e ignorar a realidade elevará custos no futuro, impactando toda a sociedade.
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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre
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1 dia atrásem
26 de março de 2026A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, no gabinete da Reitoria, representantes da Receita Federal do Brasil (RFB) para a apresentação do projeto Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF). A reunião contou com a participação da Coordenação do curso de Ciências Contábeis e teve como foco a proposta de implantação do núcleo na universidade.
O reitor em exercício e pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid, destacou a importância da iniciativa para os estudantes e sua relação com a curricularização da extensão. Segundo ele, a proposta representa uma oportunidade para os alunos e pode fortalecer ações extensionistas da universidade.
A analista tributária da RFB e representante de Cidadania Fiscal, Marta Furtado, explicou que o NAF é um projeto nacional voltado à qualificação de acadêmicos do curso de Ciências Contábeis, com foco em normas tributárias, legislação e obrigações acessórias. Segundo ela, o núcleo é direcionado ao atendimento de contribuintes de baixa renda e microempreendedores, além de aproximar os estudantes da prática profissional.
Durante a reunião, foi informada a futura assinatura de acordo de cooperação técnica entre a universidade e a RFB. Pelo modelo apresentado, a Ufac disponibilizará espaço para funcionamento do núcleo, enquanto a receita oferecerá plataforma de treinamento, cursos de capacitação e apoio permanente às atividades desenvolvidas.
Como encaminhamento, a RFB entregou o documento referencial do NAF, com orientações para montagem do espaço e definição dos equipamentos necessários. O processo será enviado para a Assessoria de Cooperação Institucional da Ufac. A expectativa apresentada na reunião é de que o núcleo seja integrado às ações de extensão universitária.
Também participaram da reunião o professor de Ciências Contábeis e vice-coordenador do curso, Cícero Guerra; e o auditor fiscal e delegado da RFB em Rio Branco, Claudenir Franklin da Silveira.
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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
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12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
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10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
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