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Mulheres indianas na encruzilhada – DW – 19/12/2024
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Com a sua estreia na ficção, “All We Imagine as Light”, Payal Kapadia tornou-se a primeira cineasta indiana a ganhar o Grande Prémio no Cannes.
Lançado nos cinemas de todo o mundo, inclusive na Alemanha em 19 de dezembro, a obra está agora destinada a se tornar um dos filmes independentes indianos mais distribuídos nos cinemas de todos os tempos.
Na própria Índia, onde o filme também foi lançado recentemente, “All We Imagine as Light” também faz sucesso. “Estamos muito felizes”, diz Payal Kapadia. “Mas no final das contas, é um filme independente muito pequeno”, acrescenta ela.
Mas mesmo sem o poder de marketing dos filmes de grande sucesso, o trabalho artístico está chamando a atenção: eleito o melhor filme de 2024 pela revista britânica Visão e Somganhou duas indicações para o próximo Globo de Ouronas categorias de melhor diretor e melhor filme em língua não inglesa.
Uma melancólica homenagem a Mumbai
Payal Kapadia já havia começado a colecionar prêmios nos festivais de cinema de Cannes e Toronto com seu filme anterior, “A Night of Knowing Nothing” (2021), um longa-metragem documentário que incluía elementos de ficção.
Em “All We Imagine as Light”, ela inverteu sua abordagem; sua experiência documental pode ser sentida em sua narrativa, mais inequivocamente na sequência de abertura do filme. Antes de revelar os principais protagonistas da história, uma montagem de cenas de observação mostra pessoas não identificadas cuidando de seus negócios na noite de Mumbai. As imagens são sobrepostas por um caleidoscópio onírico de conversas em diferentes idiomas, incluindo bengali, bhojpuri, guzerate, marata e malaiala – a língua falada pelos personagens principais do filme.
“All We Imagine as Light” retrata três mulheres da classe trabalhadora encontrando seu caminho em uma das cidades mais populosas da Índia, onde estabeleceram suas vidas após migrarem do sul do país.
Na época do último censo da Índia (2011), Mumbai tinha 23,5 milhões de habitantes; os migrantes representavam 43% da população. É também uma cidade com extrema desigualdade; estima-se que cerca de metade da população de Mumbai resida em favelas.
Kapadia diz que tentou expressar sua relação de “amor e ódio” com Mumbai no filme, que mostra como o anonimato da cidade grande proporciona relativa liberdade para essas mulheres, especialmente em comparação com sua origem rural no sul do estado de Querala. Mas esta independência acarreta longos deslocamentos diários e outras dificuldades.
“Mumbai é uma cidade que está constantemente a deslocar pessoas; as pessoas são deslocadas e transferidas para cantos remotos da cidade, porque de repente uma área passa por um boom imobiliário e as pessoas que originalmente viviam numa área já não têm condições de viver. lá, ou são pagos para se mudarem”, diz Payal Kapadia à DW. Nas últimas duas décadas, o cineasta acrescenta: “Vi o horizonte da cidade mudar completamente e acho que essa é a característica fundamental de Mumbai”.
Explorando questões sociais – por meio de histórias de amor
No seu filme, Payal Kapadia comenta várias questões que afectam a sociedade indiana – incluindo a gentrificação, o patriarcado, bem como a desigualdade de classes tornada visível através da casta, da língua e da religião. Mas o cineasta não está transmitindo uma mensagem; ela se concentra em compartilhar as experiências dos protagonistas através de tons poéticos e sutis – uma experiência cinematográfica que é o oposto do clássico Bollywood bombástico.
O filme é centrado em Prabha (Kani Kusruti), a enfermeira-chefe de um hospital municipal, e sua colega mais jovem, Anu (Divya Prabha); os dois também dividem um apartamento. Eles acabam ajudando sua colega de trabalho recém-aposentada, Parvaty (Chhaya Kadam), que está ameaçada de ser despejada de seu apartamento devido à aversão de seu falecido marido à papelada.
Os dois colegas de quarto também têm seus próprios problemas pessoais. Prabha é uma mulher reservada e solitária cujo marido a abandonou para procurar trabalho na Alemanha. Enquanto isso, a alegre Anu passa seu tempo livre se encontrando com o namorado – um relacionamento que ela, no entanto, precisa manter em segredo, sabendo que sua família hindu não aprovaria que ela namorasse um homem muçulmano.
Kapadia abordou uma situação semelhante em seu documentário, “A Night of Knowing Nothing”. Apresenta cartas de uma estudante de cinema para seu ex-namorado; seu relacionamento entre castas foi proibido por sua família.
Ter outras pessoas determinando com quem você pode estar e com quem pode se casar “faz parte da vida cotidiana dos jovens na Índia”, explica Kapadia. “Essa é uma grande preocupação para mim e eu uso isso como uma espécie de dispositivo em meus filmes para falar sobre questões maiores – mas com algo tão fundamental como o amor”, diz Kapadia.
Um fantasma perdido na Alemanha
O filme não revela muito sobre o marido ausente de Prabha. Uma panela elétrica de arroz de luxo, “Made in Germany”, é entregue no apartamento das mulheres. O homem deixou Prabha logo após o casamento arranjado e parou de contatá-la. O presente é visto como a última coisa que ela “ouvirá” dele.
Legalmente na Índia, explica Kapadia, uma mulher pode obter a anulação do seu casamento se o seu marido tiver desaparecido há muito tempo, mas, tal como Prabha no filme, as mulheres raramente pedem o divórcio. “Há muita misoginia internalizada”, diz o cineasta. Portanto, essas mulheres sentem que “é melhor ser casada do que divorciada”.
Kapadia diz que escolheu a Alemanha como local para deixar o marido de Prabha desaparecer, já que é um país que não tem uma diáspora malaia importante. Os malaios de Kerala normalmente viajam para o Médio Oriente em busca de trabalho e teria sido mais fácil localizar o marido naquela região através de ligações, diz ela.
Ao começar a pensar na cena do eletrodoméstico, ela se concentrou na Alemanha, “porque ainda existe essa ideia de que, sabe, as coisas que vêm da Alemanha são melhores de alguma forma”, acrescenta a cineasta.
Outro papel secundário para a Alemanha
Apesar da menção da Alemanha no filme, os fundos para produzir “All We Imagine as Light” vieram de outros países europeus.
Mas, de certa forma, a Alemanha ainda desempenhou um papel secundário no lançamento da carreira de Kapadia e na realização da coprodução França-Índia-Holanda-Luxemburgo (entre outros).
O curta-metragem de Kapadia, “And What Is the Summer Saying”, estreou na Berlinale Shorts em 2018, e foi aí que ela conheceu seu produtor francês, que também a incentivou a se inscrever no programa Berlinale Talents, a plataforma de networking do Festival Internacional de Cinema de Berlim para criativos cinematográficos emergentes. .
Através do programa, eles se reencontraram em 2019 e discutiram sua visão de cinema assistindo filmes no festival.
Outra faísca importante na trajetória de Kapadia foi poder assistir filmes no Goethe-Institut, onde também descobriu trabalhos experimentais por meio do festival de cinema Experimenta.
“Este festival de cinema foi grande, muito importante para mim”, diz ela. “Realmente, para mim, por não ter tanto acesso ao cinema na época, quando era um jovem estudante universitário, esses espaços realmente significavam muito.”
Editado por: Brenda Haas
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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre
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21 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.
A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.
O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.
Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.
A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.
A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.
O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.
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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre
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19 de maio de 2026O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.
A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.
Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.
O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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