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Não, Trump não será pior que Biden para a Palestina e o Médio Oriente | Conflito Israel-Palestina

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Desde a vitória eleitoral do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, muitos observadores previram que a sua administração seria muito pior para a Palestina e o Médio Oriente. A sua retórica pró-Israel e as ameaças de bombardear o Irão, dizem, apontam para as suas intenções de política externa.

No entanto, um olhar mais atento à política externa dos EUA ao longo dos últimos oito anos revela que nada de fundamental mudará para o povo palestiniano e para a região como um todo. Isto porque a administração do Presidente Joe Biden deu continuidade às políticas da primeira presidência de Trump sem grandes mudanças. Embora possa haver surpresas e desenvolvimentos inesperados, a segunda administração Trump continuará na mesma direção que retrocedeu em 2017 e que Biden decidiu manter em 2021.

Existem três elementos principais desta política externa. A primeira é a decisão de abandonar qualquer pretensão remanescente sobre o apoio dos EUA a uma “solução de dois Estados”, na qual a Palestina gozaria de plena autodeterminação e soberania dentro das fronteiras de 1967 e com Jerusalém Oriental como sua capital.

A primeira administração Trump deixou isso claro ao transferir a embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém, aceitando a anexação israelita dos territórios palestinianos, encorajando a expansão ilegal de colonatos e apoiando a criação de uma “entidade palestina” que não gozaria de soberania.

O que a administração Trump ofereceu aos palestinianos foi algum apoio económico em troca de abdicarem dos seus direitos políticos e aspirações de autodeterminação.

Embora a administração Biden tenha apoiado retoricamente a “solução de dois Estados”, não fez nada para pressionar a sua realização. Na verdade, deu continuidade às políticas definidas pela administração Trump que minam tal solução.

Biden não fechou a embaixada dos EUA em Jerusalém e nada fez para impedir a expansão dos colonatos ou fazer recuar os esforços israelitas para anexar grandes partes da Cisjordânia ocupada. Embora algumas sanções tenham sido aplicadas aos colonos israelitas enquanto indivíduos, esta foi em grande parte uma medida simbólica que não prejudicou o movimento de colonização ou a expulsão dos palestinianos das suas casas e terras.

Além disso, a administração Biden aceitou a ideia de que qualquer futuro Estado palestiniano não gozaria de plenos direitos de autodeterminação ou soberania.

Sabemos disto porque a administração Biden defende a posição de que a criação de um Estado palestiniano só pode ocorrer “através de negociações diretas entre as partes”. Mas como Israel deixou claro na política e na lei que nunca aceitará um Estado palestiniano, a posição da administração Biden significa, na verdade, uma rejeição da autodeterminação e soberania palestiniana.

O segundo elemento da política externa Trump-Biden é o avanço da normalização árabe com Israel através dos Acordos de Abraham. A primeira administração Trump iniciou este caminho com acordos de normalização entre Israel e Marrocos, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein. A administração Biden seguiu vigorosamente este caminho, exercendo esforços significativos para normalizar as relações entre Israel e a Arábia Saudita. Se não fosse o genocídio em curso do ano passado, este acordo de normalização já poderia ter sido alcançado.

O que o caminho dos Acordos de Abraham significa essencialmente é que os estados árabes reconheceriam a plena soberania de Israel sobre a Palestina histórica, pondo fim às reivindicações de restituição e justiça para o povo palestiniano. Negaria o direito palestino de retorno e aboliria o estatuto de refugiado dos refugiados palestinos. Também daria legitimidade e reconhecimento árabe a uma entidade palestiniana criada em 5 a 8 por cento da Palestina histórica, que teria uma auto-administração limitada e nenhum direito à autodeterminação.

O terceiro elemento da política Trump-Biden é a contenção do Irão. A administração Trump cancelou notoriamente o Plano de Acção Global Conjunto (JCPOA), que proporcionava alívio das sanções em troca de limites ao programa nuclear iraniano. Também impôs sanções mais severas ao Irão e tentou isolar o país política e economicamente. A administração Biden não restaurou o JCPOA e continuou o mesmo regime de sanções contra o Irão.

Além disso, também continuou a promover a visão de Trump para o estabelecimento de um novo acordo económico e de segurança na região entre Israel e os estados árabes para proteger os interesses dos EUA e isolar o Irão.

Se for concretizado, este pacto aumentaria a capacidade dos EUA para projectarem o poder militar, garantiria o seu acesso a recursos energéticos e rotas comerciais críticas e enfraqueceria a resistência ao imperialismo norte-americano, pelo que os EUA estariam numa melhor posição para confrontar não só o Irão, mas também a China. e outros adversários.

Assim, em essência, a administração Biden, apesar das suas pretensões retóricas e do suposto compromisso com os direitos humanos, não fez nada diferente do seu antecessor. Ambas as administrações trabalharam ao longo dos últimos oito anos para garantir o fim da luta palestiniana pela autodeterminação e pela soberania plena e criar um novo Médio Oriente no qual Israel desempenha um papel económico e militar ainda mais proeminente na defesa dos interesses imperiais dos EUA.

A administração Biden foi ainda mais longe, permitindo que Israel transformasse o seu lento genocídio dos palestinianos num genocídio acelerado, através do qual números inimagináveis ​​de palestinianos são exterminados e grandes partes de Gaza são despovoadas.

Com base nas proclamações de Trump durante a campanha e nos conselheiros, doadores e apoiantes que o rodeiam, há todas as razões para acreditar que a sua segunda administração continuará a avançar neste caminho bipartidário para eliminar a “Questão Palestina” de uma vez por todas.

Podemos esperar ver mais apoio incondicional a Israel para anexar oficialmente a maior parte da Cisjordânia, a colonização israelita permanente de partes da Faixa de Gaza, a expulsão de massas de palestinianos sob o pretexto de procurar “paz, segurança e prosperidade”, e o avanço da integração económica e de segurança de Israel na região para enfraquecer o Irão e os seus aliados, incluindo a China.

Aqueles que se colocam no caminho deste plano são o povo palestiniano com as suas aspirações nacionais de liberdade e libertação, bem como outras nações do mundo árabe que estão cansadas da guerra, da violência política, da repressão e do empobrecimento.

A administração Trump tentará lidar com esta resistência comprando as pessoas com incentivos económicos e a ameaça de violência e repressão. Mas esta abordagem terá – como sempre teve – um impacto limitado.

A resistência a estes planos persistirá porque os palestinianos e outros na região compreendem que renunciar ao direito à justiça significa renunciar à própria identidade de ser humano livre e digno. E as pessoas preferem sofrer as ameaças do império do que desistir da sua humanidade.

O que isto significa, em última análise, é que não só a resistência persistirá, mas é provável que cresça e se intensifique, aproximando o mundo de um caminho de grandes guerras – exactamente o oposto daquilo em que um grande número de americanos votou nas eleições de 5 de Novembro.

Os palestinianos, outras nações da região e, em certa medida, os americanos comuns continuarão a sofrer as consequências de uma política externa bipartidária que colocou os EUA num caminho fundamentalmente destrutivo de genocídio e guerra.

As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.



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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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