ACRE
Nicolas Sarkozy vai a julgamento acusado de receber financiamento ilegal de Gaddafi | França
PUBLICADO
1 ano atrásem
Angelique Chrisafis in Paris
O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy será julgado na segunda-feira pelo maior escândalo de financiamento político da história moderna da França, no qual ele teria recebido milhões de euros em financiamento ilegal de campanha eleitoral do regime do falecido ditador líbio Muamar Gaddafi.
O histórico julgamento do antigo presidente francês de direita e de outras 12 pessoas – incluindo três antigos ministros do governo – por conspiração criminosa para receber fundos de um ditador estrangeiro em grande escala ameaça piorar a já baixa confiança dos eleitores na classe política francesa.
Depois uma investigação anticorrupção de 10 anoso tribunal ouvirá alegações daquilo que os magistrados de investigação chamaram de “pacto de corrupção” forjado entre Sarkozy e o regime líbio, no qual intermediários entregaram malas cheias de dinheiro a edifícios ministeriais em Paris para financiar ilegalmente a campanha presidencial vitoriosa de Sarkozy em 2007.
O tribunal irá analisar se, em troca do financiamento da campanha presidencial de Sarkozy, o regime líbio solicitou favores diplomáticos, jurídicos e comerciais.
Um desses supostos pedidos de favores dizia respeito a Abdullah al-Senussichefe espião e executor de Gaddafi. Senussi foi condenado à revelia à prisão perpétua por um tribunal francês em 1999 pelo seu papel no atentado bombista de 1989 a um avião de passageiros da UTA sobre o Níger, que matou 170 pessoas. O tribunal ouvirá como foram alegadamente feitos pedidos pelo regime líbio à comitiva de Sarkozy para encontrar uma forma de levantar o mandado de detenção internacional francês contra Senussi.
Laure Heinich, advogada de 15 familiares de pessoas mortas no atentado ao avião da UTA, disse que os seus clientes contariam ao tribunal o seu choque ao ouvirem que “a prisão da pessoa que matou os seus familiares” poderia ser “trocada por dinheiro”. Ela disse que o suposto pacto de corrupção significaria que “o dinheiro Nicolas Sarkozy usado para ser eleito em 2007 foi o dinheiro manchado pelo sangue destas famílias”.
Sarkozy, que foi presidente entre 2007 e 2012, negou qualquer irregularidade no caso.
O julgamento de três meses irá desvendar a complexa relação de Sarkozy com Gaddafio líder autocrático líbio cujo governo brutal de 41 anos foi marcado por violações dos direitos humanos e que foi isolado internacionalmente devido à ligação do seu regime ao terrorismo, incluindo o atentado bombista ao voo 103 da Pan Am sobre Lockerbie na Escócia em dezembro de 1988.
Membros da comitiva de Sarkozy alegadamente encontraram-se com membros do regime de Gaddafi na Líbia em 2005, quando Sarkozy era ministro do Interior. Pouco depois de se tornar presidente francês em 2007, Sarkozy convidou então o líder líbio para uma reunião longa visita de estado para Paris, montando sua tenda beduína em jardins próximos ao Eliseu. Sarkozy foi o primeiro líder ocidental a receber Gaddafi numa visita de Estado completa desde o congelamento das relações na década de 1980 devido ao seu estatuto de pária como patrocinador do terrorismo de Estado.
Mas em 2011, Sarkozy colocou França na linha da frente dos ataques aéreos liderados pela NATO contra as tropas de Gaddafi que ajudaram os combatentes rebeldes a derrubar o seu regime. Gaddafi foi capturado pelos rebeldes em outubro de 2011 e morto.
Um documentário sobre o caso, Ninguém entende nada (Ninguém Entende), será lançado nos cinemas franceses na quarta-feira contando a história da investigação.
Se for condenado por acusações de corrupção, Sarkozy poderá enfrentar até 10 anos de prisão, juntamente com Claude Guéant, antigo secretário-geral do Eliseu e ministro do Interior, e Brice Hortefeux, um aliado próximo de Sarkozy que também serviu como ministro do Interior. Todos negam irregularidades.
após a promoção do boletim informativo
Também está em julgamento o antigo ministro do Orçamento de Sarkozy, Éric Woerth, que é agora deputado pelo partido centrista de Emmanuel Macron. Ele nega qualquer irregularidade.
Em Março de 2011, o filho de Gaddafi, Saif al-Islam Gaddafi, disse à Euronews: “Sarkozy tem de devolver o dinheiro que aceitou da Líbia para financiar a sua campanha eleitoral. Financiamos a sua campanha e temos a prova… A primeira coisa que exigimos é que este palhaço devolva o dinheiro ao povo líbio.”
Chanez Mensous do grupo anticorrupção Xerpaque é parte civil no julgamento, disse: “Este caso nos dá uma visão muito clara do que é hoje a corrupção transnacional e suas implicações. Algo que nem sempre é suficientemente sublinhado são os danos causados às populações civis, nomeadamente à população líbia, porque se trata do desvio de dinheiro público líbio.”
Sarkozy já tem duas condenações judiciais. No mês passado, o mais alto tribunal de França confirmou um veredicto contra ele por corrupção e tráfico de influência em tentativas ilegais de obter favores de um juiz. Ele foi obrigado a usar uma etiqueta eletrônica por um ano, uma novidade para um ex-chefe de Estado. Ele está contestando a decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.
Num julgamento separado, Sarkozy foi condenado por ocultar gastos excessivos ilegais nas eleições presidenciais de 2012, que perdeu para o candidato socialista, François Hollande. Ele recorreu.
Fabrice Arfi, jornalista investigativo do site Mediapartque divulgou a história em 2011, disse que a magnitude das acusações de corrupção no caso da Líbia seria um “choque eléctrico” para a sociedade francesa. “Toda a imagem da França está em jogo”, disse ele. “As pessoas vão descobrir o comportamento comprometedor de um ex-presidente e da sua equipa com um terrível ditador, a nível diplomático, económico, judicial e financeiro.”
Relacionado
ACRE
Professora publica livro sobre sítios naturais sagrados do povo Nukini — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
22 horas atrásem
4 de março de 2026A professora Renata Duarte de O. Freitas, do curso de Direito do campus Floresta da Ufac, lança o livro “Aldeia Isã Vakevu, do Povo Originário Nukini: Um Sítio Natural Sagrado no Coração do Juruá” (Lumen Juris, 240 p.). O evento ocorre neste sábado, 7, às 19h, no teatro dos Nauas, em Cruzeiro do Sul. Resultado de investigação científica, a obra integra a cosmologia indígena aos marcos regulatórios da justiça ambiental.
A pesquisa é fundamentada na trajetória de resistência do povo Nukini. O livro presta homenagem à memória de Arlete Muniz (Ynesto Kumã), matriarca, parteira e liderança espiritual que preservou os conhecimentos milenares do Povo da Onça frente aos processos de aculturação e violência histórica.
O texto destaca a continuidade desse patrimônio imaterial, transmitido de geração para geração ao seu neto, o líder espiritual Txane Pistyani Nukini (Leonardo Muniz). Atualmente, esse legado sustenta a governança espiritual no Kupixawa Huhu Inesto, onde a aplicação das medicinas da floresta e a proteção territorial dialogam com a escrita acadêmica para materializar a visão de mundo Nukini perante a sociedade global.
Renata Duarte de O. Freitas introduz no cenário jurídico eixos teóricos que propõem um novo paradigma para a conservação ambiental: sítios naturais sagrados, que são locais de identidade cultural e espiritual; direito achado na aldeia, cuja proposta é que o ordenamento jurídico reconheça que a lei também emana da sacralidade desses locais; e direitos bioculturais, que demonstram que a biodiversidade da Serra do Divisor é preservada porque está ligada ao respeito pelos sítios naturais sagrados.
Ao analisar a sobreposição de uma parte do território Nukini com o Parque Nacional da Serra do Divisor, a obra oferece uma solução científica: o reconhecimento de que áreas protegidas pelo Estado devem ser geridas em conjunto com os povos originários, respeitando seus territórios sagrados.
![]()
Relacionado
ACRE
Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 semana atrásem
25 de fevereiro de 2026A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, na Reitoria, campus-sede, a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, no âmbito da caravana Aqui Tem MEC, iniciativa do Ministério da Educação voltada ao acompanhamento de ações e investimentos nas instituições federais de ensino.
Durante a agenda, o ministro destacou que a caravana tem percorrido instituições federais em diferentes Estados para conhecer a realidade de cada campus, dialogar com gestores e a comunidade acadêmica, além de acompanhar as demandas da educação pública federal.
Ao tratar dos investimentos relacionados à Ufac, a reitora Guida Aquino destacou a obra do campus Fronteira, em Brasileia, que conta com R$ 40 milhões em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A estrutura terá seis cursos, com salas de aula, laboratórios, restaurante universitário e biblioteca.
Abordando a visita, Guida ressaltou a importância da universidade para o Estado e a missão da educação pública. “A Ufac é a única universidade pública federal de ensino superior do Acre e, por isso, tem papel estratégico na formação e no desenvolvimento regional. A educação é que transforma vidas, transforma o país.”

Outro tema tratado durante a agenda foi a implantação do Hospital Universitário no Acre. Camilo Santana afirmou que o Estado é o único que ainda não conta com essa estrutura e informou que o governo federal dispõe de R$ 50 milhões, por meio do Novo PAC, para viabilizar adequações e a implantação da unidade.
Ele explicou que a prioridade continua sendo a concretização de uma parceria para doação de um hospital, mas afirmou que, se isso não ocorrer, o MEC buscará outra alternativa para garantir a instalação do serviço no Estado. “O importante é que nenhum Estado desse país deixe de ter um hospital universitário”, enfatizou.

Guida reforçou a importância do projeto e disse que o Hospital Universitário já poderia ser celebrado no Acre. Ao defender a iniciativa, contou que a unidade contribuiria para qualificar o atendimento, reduzir filas de tratamento fora de domicílio e atender melhor pacientes do interior, inclusive em casos ligados às doenças tropicais da Amazônia. Em tom crítico, declarou: “O cavalo selado, ele só passa uma vez”, ao se referir à oportunidade de implantação do hospital.
Após coletiva de imprensa, o ministro participou de reunião fechada com pró-reitores, gestores, políticos e parlamentares da bancada federal acreana, entre eles o senador Sérgio Petecão (PSD) e as deputadas Meire Serafim (União) e Socorro Neri (PP).
A comitiva do MEC foi formada pela secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt; pelo secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli; pelo secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David; e pelo presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Arthur Chioro.
Laboratório de Paleontologia
Depois de participar de reunião, Camilo Santana visitou o Laboratório de Paleontologia da Ufac. O professor Edson Guilherme, coordenador do espaço, apresentou o acervo científico ao ministro e destacou a importância da estrutura para o avanço das pesquisas no Acre. O laboratório foi reformulado, ampliado e recentemente reinaugurado.

Aberto para visitação de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, exceto feriados, o local reúne fósseis originais e réplicas de animais que viveram no período do Mioceno, quando o oeste amazônico era dominado por grandes sistemas de rios e lagos. A entrada é gratuita e a visitação é aberta a estudantes e à comunidade em geral.
Relacionado
A Pró‑Reitoria de Graduação (Prograd) da Universidade Federal do Acre (Ufac) é o órgão responsável pelo planejamento, coordenação e supervisão das atividades acadêmicas relacionadas ao ensino de graduação. Sua atuação está centrada em fortalecer a formação universitária, promovendo políticas e diretrizes que assegurem a qualidade, a integração pedagógica e o desenvolvimento dos cursos de bacharelado, licenciatura e demais formações presenciais e a distância. A Prograd articula ações com as unidades acadêmicas, órgãos colegiados e a comunidade universitária, garantindo que os currículos e práticas pedagógicas estejam alinhados aos objetivos institucionais.
Entre as principais atribuições da Prograd estão a coordenação da política de ensino, a supervisão de programas de bolsas voltadas à graduação, a análise e encaminhamento de propostas normativas e a participação em iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior.
A Prograd é organizada em três diretorias, cada uma com funções específicas e complementares:
Diretoria de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino — responsável por ações estratégicas voltadas ao desenvolvimento de metodologias, à regulação e ao apoio pedagógico dos cursos de graduação.
Diretoria de Apoio à Formação Acadêmica — dedicada a acompanhar e apoiar as atividades acadêmicas dos estudantes, incluindo estágios, mobilidade estudantil e acompanhamento da formação acadêmica.
Diretoria de Apoio à Interiorização e Programas Especiais — voltada à gestão de programas especiais, políticas de interiorização e ações que ampliam o acesso e a permanência dos alunos em diferentes regiões.
A Prograd participa, ainda, de iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior, integrando docentes, estudantes e gestores em fóruns, encontros e ações que visam à atualização contínua dos processos formativos e ao atendimento das demandas sociais contemporâneas.
Com compromisso institucional, a Pró‑Reitoria de Graduação contribui para que a UFAC cumpra seu papel educativo, formando profissionais críticos e comprometidos com as realidades local e regional, garantindo um ambiente acadêmico de excelência e responsabilidade social.
Ednacelí Abreu Damasceno
Pró-Reitora de Graduação
Relacionado
PESQUISE AQUI
MAIS LIDAS
ACRE22 horas agoProfessora publica livro sobre sítios naturais sagrados do povo Nukini — Universidade Federal do Acre
JUSTIÇA19 horas agoSexta Turma mantém condenação por estupro de vulnerável apesar de pedido do MP pela absolvição
CONDENAÇÃO19 horas agoEmpresas terão de indenizar pescadores prejudicados pela construção de hidrelétrica no Rio Madeira
JUSTIÇA19 horas agoPagamento retroativo a servidores transpostos do extinto território de Rondônia é tema de repetitivo
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login