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No Réveillon ou na Ditadura: Ainda Estou Aqui, morrendo – 30/12/2024 – Sons da Perifa

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Um pai é morto brutalmente por militares. Sua família luta por justiça, mas a verdade permanece abafada pela impunidade. Rubens Paiva? Não, Evaldo Rosa, fuzilado com 257 tiros por militares do Exército no Rio de Janeiro em 2019. Os responsáveis foram julgados e absolvidos. Para preto, pobre e favelado, a história não vira livro, não vai ao cinema, e as memórias são apagadas em canos de fuzis. Em “Ainda Estou Aqui“, o silêncio é simbolizado por Zezé, vivida pela atriz Pri Helena, a empregada doméstica. Ela serve, observa, participa da dor, mas desaparece. Sem voz, sem história, sem despedida.

Entendo que “Ainda Estou Aqui” não tem a proposta de ser uma análise sobre negros na ditadura. O filme foca em Eunice Paiva, interpretado por Fernanda Montenegro, uma mulher central para os direitos humanos no Brasil. Após perder o marido, o ex-deputado Rubens Paiva, ela dedicou sua vida a lutar pela memória dos desaparecidos e pelas reparações às vítimas do regime. É inegável sua importância histórica. Mas por que não surgem Eunices aos montes nas periferias? Simples: O modus operandi da ditadura nas favelas nunca acabou. Perseguição, tortura e morte fazem parte do cotidiano periférico desde que a primeira caravela atracou no Brasil.

Entre 1962 e 1974, auge da ditadura no Brasil e quando o filme se passa, mais de 140 mil pessoas foram removidas de áreas valorizadas do Rio, como a Lagoa e o Leblon, sob o pretexto de modernização urbana, em um processo que beneficiou a especulação imobiliária, a classe média e reforçou a repressão estatal. Quando tudo estava ainda bem para a família Paiva, que morava no Leblon, negros e pobres era tirados dos seus lares e silenciados.

Essa seletividade não é nova. “Que Horas Ela Volta?” tenta abordar as hierarquias sociais por meio de Val, mas o faz sob a lente de uma cineasta que imagina o que sua empregada que a serve há anos sente e vive. Em “Marighella“, a resistência armada vira um espetáculo heroico, mas ignora as bases operárias e sindicais. A periferia é cenário. A figura de Zezé é tratada da mesma forma: uma peça descartável em um tabuleiro que nunca foi feito para ela.

A ditadura militar não foi só sobre tortura em porões. Foi sobre o terror cotidiano nas favelas: remoções forçadas, toques de recolher implícitos, jovens desaparecidos. E essa engrenagem nunca parou. Em 2024, as mortes cometidas por policiais cresceram 78,5% em São Paulo, reflexo direto de uma lógica que criminaliza e extermina corpos negros. Zezé desaparece no filme porque essa é a realidade de quem vive nas margens: silenciado antes de poder reivindicar qualquer espaço.

O cinema brasileiro prefere retratar as favelas como cenários de violência, enquanto as histórias da classe média recebem profundidade e complexidade. “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite” ilustram essa visão, focando na criminalidade e na brutalidade policial. Já filmes como “O Som ao Redor” mergulham nas nuances e dilemas da classe média.

Essa disparidade privilegia histórias da classe média, enquanto simplifica ou ignora as vivências das periferias, reduzindo-as a estereótipos ou cenários de violência. O cinema brasileiro precisa romper com essa lógica, mas como fazê-lo, se quem escreve e dirige grandes filmes vive em uma lógica aristocrática, onde o único referencial periférico continua sendo a favela ou a empregada Zezé?

Não é sobre o filme do momento, mas do que realmente importa: por que para nós sobra apenas a estética de vilão, quando temos muito mais a oferecer? Seguimos vendo apenas uma parte da realidade — a do outro, como eles vivem e como acham que vivemos. É preciso lembrar: a sétima arte brasileira, em geral, odeia a favela, o negro e o pobre. Seu caminho é perpetuar o apagamento histórico, e isso precisa ser rompido.


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Egressa de mestrado em CZS obtém prêmio de pós-graduação — Universidade Federal do Acre

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Mirian Soares de Amorim.jpeg

A engenheira agrônoma Mirian Soares de Amorim, aluna egressa do curso de Agronomia e do mestrado em Ciências Ambientais, do campus Floresta da Ufac, em Cruzeiro do Sul, obteve o 2º lugar na categoria Pós-Graduação do 5º Prêmio Margarida Alves de Estudos sobre Ruralidades e Feminismos, cujo resultado final foi divulgado em 17 de março. O evento foi promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.

O estudo destaca a articulação entre a transição agroecológica e a igualdade de gênero, enfatizando o papel central das mulheres rurais, ribeirinhas e agricultoras na preservação da agrobiodiversidade e na soberania alimentar na Amazônia. No mestrado, sob orientação do professor Kleber Andolfato de Oliveira, Mirian também aprofundou investigações sobre o desenvolvimento sustentável e o papel das populações rurais no manejo dos ecossistemas amazônicos.



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Ufac consolida criação do curso de Farmácia com 50 vagas — Universidade Federal do Acre

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Curso de Farmácia-entrega de Menção Honrosa (2).jpg

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com membros da comissão responsável pela proposta de criação do curso de Farmácia. O encontro ocorreu nesta segunda-feira, 31, na sala de reuniões da Reitoria, visando consolidar o Projeto Político-Pedagógico da nova graduação, além de homenagear, com a entrega, pela Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), de Menção Honrosa ao reitor e a pessoas cujo empenho culminou na abertura do curso.

A iniciativa faz parte do programa Universidades Transformadoras, pactuada com o Ministério da Educação (MEC). O curso prevê a oferta de 50 vagas para estudantes e liberação de 11 códigos de vagas para professores. A aula inaugural e início das atividades acadêmicas estão previstos entre 2028 e 2029.

“Esse é um curso que se assenta fortemente na demanda de conhecer os bioativos da floresta amazônica e transformar esse conhecimento em riqueza, patentes, inovação e qualidade de vida para a sociedade”, disse Josimar Ferreira. Além disso, ele ressaltou a necessidade de conectar o novo curso às estruturas já consolidadas da Ufac, otimizando disciplinas e espaços curriculares em conjunto com as áreas de saúde e química.

A presidente da comissão de criação do curso, Andréia Andrade, lembrou que o projeto começou em 2011. “Hoje nos reunimos com a perspectiva de viabilizar a abertura do curso diante do que já temos na instituição. Nosso objetivo é ofertar uma formação generalista, com investimento otimizado na estrutura existente e com forte inserção na pesquisa e extensão, aproveitando a nossa biodiversidade e criando caminho para futuros programas de pós-graduação.”

Também participaram da reunião representantes externos da categoria profissional, como a ex-conselheira federal, membro da comissão e diretora de Relações Institucionais da Fenafar, Isabela de Oliveira Sobrinho. “Acompanhei a busca por esse projeto pedagógico desde o início e ver essa etapa final é um avanço enorme”, pontuou. “É um trabalho a muitas mãos para trazer o melhor para a Ufac. Trata-se de um curso de grande magnitude, focado em tecnologias de medicamentos e em pesquisas com nossas plantas nativas para gerar qualidade de vida à população.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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Seminário na Ufac debate formação em enfermagem obstétrica — Universidade Federal do Acre

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Seminário enfermagem obstétrica (2).jpg

A Ufac sediou o seminário Desafios Atuais na Formação para a Prática da Enfermagem Obstétrica, que ocorreu nesta sexta-feira, 28, na sala dos Colegiados, campus-sede. O encontro reuniu professores, pesquisadores, gestores e profissionais de saúde para debater a reestruturação do modelo de assistência ao parto e ao nascimento, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a interiorização da qualificação profissional no Estado.

O evento integra um projeto nacional, composto por uma rede de 40 instituições de ensino superior articuladas para formar mais de 700 enfermeiras obstétricas pelo país, com foco prioritário nas regiões do interior. No Acre, o programa abrange turmas de especialização e residência voltadas para profissionais atuantes nas regionais do Alto Acre, Alto Purus, Baixo Acre, Tarauacá-Envira e Juruá.

“A Ufac cumpre o seu papel social ao ampliar a formação e capacitar profissionais que atuam em um momento tão ímpar quanto o nascimento de uma criança”, disse o reitor Josimar Ferreira. “Contamos com alunos de todas as regionais. Isso gera um efeito multiplicador: o profissional capacitado coordena equipes locais e eleva diretamente a qualidade do atendimento prestado à população pelo SUS.”

A coordenadora das formações no Estado e professora da Ufac, Sheley Borges, destacou a necessidade de repensar a prática profissional para garantir um cuidado humanizado e seguro. “A intencionalidade da nossa formação é reduzir a mortalidade materna e neonatal e alcançar as mulheres em uma dimensão em que sejam respeitadas. Queremos garantir que as escolhas não ocorram por medo, como optar por uma cesariana sem compreender que é uma cirurgia de grande porte.”

A coordenadora nacional do curso de especialização em Enfermagem Obstétrica da Rede Alyne, vinculada à Universidade Federal de Minas Gerais, Kleyde Ventura, ressaltou a relevância estratégica da parceria com a Ufac. “No Acre, vivemos uma condição muito especial, pois, com exceção de uma aluna, todas as especializadas são do interior. Estamos interiorizando e descentralizando os modos de formar, abordando o trabalho multiprofissional e a articulação de redes para garantir assistência de qualidade e direitos assegurados.”

Também participaram do seminário o promotor de Justiça do MP-AC, Gláucio Oshiro; o coordenador do curso de Enfermagem da Ufac, João Francalino; e o epidemiologista Serafim Salgado, coordenador das metodologias aplicadas no programa de formação.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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