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O acordo de cessar-fogo Israel-Gaza está por um fio. Isto é o que deve acontecer para que a paz dure | Simon Tisdal

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Simon Tisdall

Ta aparência desafiadora de combatentes fortemente armados do Hamas durante Entrega de domingo à Cruz Vermelha de três reféns israelitas detidos em Gaza desde as atrocidades terroristas de 7 de Outubro de 2023 foi um lembrete sinistro, se fosse necessário, de que o acordo de cessar-fogo negociado na semana passada está por um fio – e pode romper-se a qualquer momento.

O problema básico, daqui para frente, é que nem o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nem a liderança reconstituída do Hamas desejam verdadeiramente que a trégua dure. Netanyahu tinha braços fortesmetaforicamente chutando e gritando, para concordar com o acordo entre Donald Trump e seu enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff.

Durante muitos meses, Netanyahu, ele próprio refém de aliados da coligação de extrema-direita, resistiu exactamente às mesmas propostas apresentadas em Maio passado pelo então presidente dos EUA, Joe Biden. A sua aquiescência possivelmente limitada no tempo parece agora nascer em grande parte da relutância em chover no desfile de posse de Trump em Washington.

Quase antes de a tinta secar, Netanyahu teria assegurado aos ministros descontentes que o cessar-fogo era temporário e que não tinha intenção de honrar integralmente os seus termos. Diz-se que ele prometeu aos linha-dura Itamar Ben-Gvirque renunciou em protesto, e Bezalel Smotrich, que ameaça fazê-lo, que em breve retomará a guerra.

A primeira fase do cessar-fogo deverá durar seis semanas. Negociações em a segunda etapaque apela a uma retirada militar total de Israel e à libertação de todos os reféns vivos em troca de mais libertações de prisioneiros palestinianos, deve começar o mais tardar até daqui a 15 dias. É duvidoso que eles saiam do chão.

“Netanyahu tem duas maneiras de afundar o acordo e encontrar uma desculpa para renovar a guerra. Uma opção é simplesmente paralisar as negociações para a fase dois… e perder tempo. Ele realizou esse mesmo exercício várias vezes para a equipe de Biden, que estava muito fraca ou não estava disposta a admitir a realidade de sua sabotagem”, escreveu o Analista do Haaretz, Amir Tibon.

“A segunda opção é provocar um surto de violência na Cisjordânia. A faísca já está a arder ali: colonos extremistas incendiaram casas e carros em várias aldeias palestinas no domingo à noite, ao mesmo tempo que milhões de israelitas celebravam o regresso dos três reféns.”

A violência na Cisjordânia, provocada deliberadamente ou não, é apenas um possível gatilho para uma estratégia de destruição. Netanyahu pode afirmar que Hamas não está cumprindo o acordo; ele já fez isso no fim de semana, atrasando o início do cessar-fogo em várias horas. Confrontos repentinos e aleatórios que rompem a trégua em Gaza e/ou no Líbano são outras possibilidades a observar.

Netanyahu enfrenta uma escolha fatídica nas próximas duas semanas ou mais. Ao abandonar o cessar-fogo, ele poderia apaziguar a direita, manter a sua coligação unida, manter-se no poder e evitar investigações sobre a sua política pré-7 de Outubro de tolerar o Hamas e o seu fracasso em impedir o pior ataque aos judeus desde 1945. Se a guerra recomeçar, , ele diz que tem a promessa de Trump de armas ilimitadas.

Ou poderia apostar na paz, enfrentar a fúria da extrema-direita e arriscar o colapso do seu governo e eleições antecipadas. Poderíamos então esperar que Netanyahu fizesse campanha como o líder da guerra que supostamente derrotou o Hamas, trouxe alguns reféns para casa, esmagou o Hezbollah no Líbano e fez o Irão sangrar no nariz, duas vezes.

Dado que se diz que cerca de 60% a 70% dos eleitores israelitas são a favor do fim da guerra, é possível que Netanyahu, quebrando o hábito de uma vida política, possa fazer a coisa certa. Uma paz duradoura ganharia pontos com a Casa Branca, abrindo caminho para Trump prosseguir o seu projecto favorito: a normalização das relações de Israel com a Arábia Saudita e o consequente isolamento do Irão por meios não militares.

O problema é que o Hamas e os militantes aliados da jihad islâmica em Gaza também não querem que o cessar-fogo dure. A sua demonstração de força no domingo, embora muito limitada, enviou uma mensagem provocativa de que o Hamas sobreviveu, que ainda controla os restantes reféns e que ainda não existe nenhuma autoridade sucessora em Gaza. Numa declaração na segunda-feira, prometeu que Gaza “subirá novamente”- sob sua tutela duvidosa.

Fala-se muito sobre uma administração interina de tecnocratas apoiada pelo Egipto e pelo Qatar, sobre a Autoridade Palestiniana (que supostamente dirige a Cisjordânia) assumir o comando de Gaza. Mas neste momento, ninguém está habilitado ou pronto para assumir a governação – e o Hamas, por defeito, está a preencher o vazio de poder. Netanyahu é parcialmente culpado. Ele recusou-se durante 15 meses a desenvolver ou discutir planos para o “dia seguinte”.

Olhando para as próximas semanas, a segurança interna Gaza pode tornar-se uma questão crítica à medida que dezenas de milhares de pessoas deslocadas e famintas regressam às casas destruídas e aos bairros em ruínas e começam a tentar recuperar as suas vidas. O Hamas tentará controlar a distribuição de ajuda pela ONU e agências aliadas, tal como controla a libertação de reféns através da Cruz Vermelha. Isto poderia causar o aprofundamento da instabilidade e o aumento dos conflitos internos.

Entretanto, pode-se esperar que o Hamas comece rapidamente a reconstruir as suas capacidades militares, mais determinado do que nunca, depois da surra que recebeu, a impor um preço terrível a Israel – a cuja destruição continua comprometido. “As imagens dos combatentes do Hamas ofereceram um lembrete claro de que o grupo terrorista continua no comando de Gaza”, o Times of Israel observou.

Autoridades israelenses estimam que apenas dois dos 24 batalhões do grupo permanecem operacionais, disse o jornal. Mas alegadamente está a reagrupar-se sob o comando de Mohammed Sinwar, o irmão mais novo de Yahya Sinwar, o mentor do 7 de Outubro que Israel matou no Outono passado. O secretário de Estado cessante dos EUA, Antony Blinken, disse na semana passada os EUA acreditavam que o Hamas tinha recrutado tantos combatentes quantos tinha perdido desde o início da guerra.

Tal como aconteceu durante crises anteriores no Médio Oriente, seria de esperar que o presidente dos EUA interviesse nesta conjuntura crítica para garantir que ambos os lados cumprissem a sua palavra e que o cessar-fogo se transformasse numa paz permanente. Mas Trump não é esse tipo de presidente. Ele temia que a guerra ofuscasse seu grande dia. Agora sua atenção está se movendo para outro lugar. Ele não oferece nenhum plano, nenhuma ideia nova – apenas listas de desejos, ameaças e preconceitos.

Se os líderes de Israel e do Hamas decidirem atacar novamente nas próximas semanas e meses, poderá não haver forma de os deter – apesar do facto de a maioria dos israelitas, palestinianos e um mundo que observa ansiarem pela paz.



Leia Mais: The Guardian

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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