ACRE
O boxe deveria ser proibido como esporte? | Notícias do boxe
PUBLICADO
2 anos atrásem
Estima-se que 40.000 fãs de boxe assistiram Oleksandr Usyk derrotar Tyson Fury na Kingdom Arena em Riad no início deste mês.
Milhões de pessoas sintonizaram transmissões legais e ilegais em todo o mundo para testemunhar Usyk defender seu título contra Fury em uma competição fascinante que supostamente rendeu aos boxeadores um prêmio combinado de US$ 191 milhões em dinheiro.
No início deste ano, cerca de 60 milhões de famílias assistiram ao confronto entre a velha lenda do boxe Mike Tyson e o famoso lutador do YouTube Jake Paul. Isso se somou às 72 mil pessoas dentro da arena no Texas que, juntas, pagaram colossais US$ 18,1 milhões para assistir à luta pessoalmente, segundo os promotores.
Boxe: é um nocaute
Em 2024, o extraordinário número de visualizações, consultas de pesquisa online e números de audiência em plataformas de visualização confirmaram o estatuto do boxe como um dos desportos mais populares e seguidos no mundo.
Mas dada a natureza brutal do boxe, deveria ele ser considerado um esporte?
Enquanto outros esportes estão trabalhando arduamente para aumentar a proteção dos participantes, especialmente contra lesões relacionadas a concussões, o boxe promove exatamente o oposto: causar o máximo de dano possível ao seu oponente, levando à finalização ou nocaute como resultado possível, tudo isso intencional, celebrado e elogiado com fama e recompensas financeiras.
“Em comparação com outros esportes de contato, o boxe é conhecido por ter algumas das taxas mais altas de concussão”, disse o Dr. Ejaz Shamim, neurocirurgião e presidente do Mid-Atlantic Kaiser Permanente Research Institute, à Al Jazeera.
“Uma concussão ocorre quando o cérebro se move para frente e para trás, atingindo o interior do crânio. Isso causa danos ao cérebro e ocorre toda vez que um boxeador é atingido na cabeça. Cada evento concussivo é semelhante a uma lesão cerebral traumática (TCE). Com cada TCE, há danos cerebrais irreversíveis.
“Pensa-se que no boxe um indivíduo sofre uma concussão a cada 12,5 minutos de luta sozinho. O capacete protetor não ajuda muito com a concussão. O trauma interno no cérebro ocorre toda vez que um boxeador leva um soco na cabeça, com ou sem proteção externa para a cabeça.”
De acordo com a Coleção Manuel Velázquez, que documenta mortes no boxe, uma média de 13 boxeadores são mortos no ringue anualmente. Uma pesquisa separada conduzida pela Associação de Médicos de Ringside disse que houve pelo menos 339 mortes entre 1950 e 2007, com uma “porcentagem maior em classes de peso mais baixas”.
A visão surreal de Tyson de 58 anos de volta ao ringue encantou milhões de seus fãs. Mas será que a popularidade, a fama e as receitas que o desporto traz devem absolvê-lo dos riscos e ameaças? E qual supera o outro?
“As pessoas podem entrar no boxe para descarregar raiva e frustração, mas rapidamente aprendem que essas coisas têm pouco ou nenhum lugar na academia de treinamento ou no ringue”, disse Philip O’Connor, jornalista esportivo.
“Muito, muito poucos têm o que é preciso para entrar no ringue e competir com outro ser humano usando um conjunto limitado de regras onde o objetivo é deixar seu oponente inconsciente ou pelo menos machucá-lo mais do que ele machucou você.
“Depois de uma vida inteira assistindo boxe e diversas artes marciais e praticando mais do que o meu quinhão, posso dizer que, da minha perspectiva, os benefícios mentais e físicos superam em muito os riscos, mas devemos sempre nos esforçar para melhorar a segurança e remover ou reduzir os riscos. na maior medida possível.”
Nada de amadorismo sobre lesões no boxe
Estudos mostram que até 20% dos boxeadores sofrerão uma concussão em suas carreiras, embora muitas não sejam relatadas, especialmente no boxe amador.
Nas Olimpíadas de Tóquio 2020, onde o boxe é classificado como esporte amador, foi o que apresentou o maior número de lesões, segundo o British Journal of Sports Medicine (BJSM). Nas Olimpíadas do Rio de Janeiro de 2016, ficou em segundo lugar, atrás do BMX. No geral, ocupa o quinto lugar na lista dos esportes olímpicos com as maiores taxas de lesões.
A Associação Americana de Cirurgiões Neurológicos afirma que 90% dos boxeadores sofrem uma lesão cerebral traumática durante sua carreira. A Alzheimer’s Research and Therapy relatou que ex-boxeadores permanecem mais vulneráveis ao envelhecimento natural do cérebro e às doenças cerebrais.
Embora a Federação Mundial de Boxe (WBF) e a Federação Internacional de Boxe (IBF) não tenham respondido às perguntas da Al Jazeera sobre a brutalidade do esporte e os aspectos de segurança, o Comitê Olímpico Internacional (COI) disse “fornecer aos atletas e espectadores o melhor e as condições mais seguras possíveis são as principais prioridades do COI e de todo o Movimento Olímpico”, acrescentando que “o boxe de estilo olímpico não tem nocautes como objetivo, nem os nocautes têm qualquer vantagem de pontuação”.
Um porta-voz da WBF havia afirmado anteriormente que “o boxe faz muito bem aos jovens, mantém-nos fora das ruas, longe das drogas, ensina-lhes disciplina, autoconfiança, que o bem supera de longe o mal”.

Popularidade do boxe
Dada a história do desporto, o número de participantes em todo o mundo e as finanças em jogo, é pouco provável que o boxe deixe de existir como desporto.
Só nos Estados Unidos, o número de pessoas que participam no boxe atingiu cerca de 6,7 milhões em 2021, de acordo com a empresa de estudos de mercado Statista, que acrescentou que o tamanho do mercado da indústria global de equipamentos de boxe ascendeu a mais de 1,6 mil milhões de dólares no mesmo ano.
A receita total do Conselho Mundial de Boxe (WBC) de 2011 a 2020 foi superior a US$ 32 milhões.
A Forbes informou que o boxeador profissional Floyd Mayweather Jr embolsou US$ 275 milhões em sua luta contra o boxeador de MMA Conor McGregor em 2017, com este último levando para casa cerca de US$ 100 milhões no maior pagamento da história do esporte.
“Em termos de popularidade da mídia global, o boxe em 2024 é o quinto esporte mais popular do mundo e o esporte de combate mais popular”, disse Kamilla Swart-Arries, professora associada da Universidade Hamad Bin Khalifa, no Catar.
“Atraiu figuras lendárias que também transcenderam o seu desporto para se tornarem ícones culturais globais. Muitos boxeadores alcançam fama internacional. Juntamente com os ícones e modelos, o boxe também tem baixas barreiras de entrada, é facilmente acessível e promove a construção de comunidades com ginásios de boxe tornando-se parte integrante das comunidades onde os jovens podem desabafar e praticar desporto como uma alternativa aos males sociais.”

O caminho a seguir
Então, em vez de proibir o boxe, será que o aumento dos protocolos de segurança, as regulamentações mais rígidas e a proibição de certas práticas podem garantir que o esporte se torne mais seguro?
“Melhorias significativas de segurança foram feitas no boxe ao longo dos anos para aumentar a proteção dos lutadores e reduzir o risco de lesões graves. Embora a natureza do desporto o torne de alto risco, estes avanços visam criar um ambiente mais seguro para os lutadores, minimizando a probabilidade de lesões graves e mortes”, acrescentou Swart-Arries.
“Não creio que (o boxe) deva ser abandonado, pois há muitos outros esportes que também são considerados perigosos. Todos estes desportos continuarão a gerar interesse e apelo global, portanto, não serão abandonados, por isso é importante que façam melhorias continuamente para torná-los mais seguros.”
Outro estudo publicado pelo BJSM disse que há cerca de seis a oito lesões por 1.000 rounds de boxe. Aproximadamente 10 a 20 por cento das lesões no boxe são graves ou potencialmente fatais, de acordo com a pesquisa do BJSM.
O’Connor, que também é treinador de artes marciais, diz que “um boxeador morrendo é um boxeador a mais”, acrescentando que o esporte “ainda tem um longo caminho a percorrer em termos de segurança dos lutadores”.
“O boxe, de alguma forma, sempre esteve conosco e sempre estará conosco. O objetivo deve ser garantir que seja executado de forma justa, transparente e segura, garantindo o bem-estar físico dos participantes. Toda e qualquer mudança deve ser considerada e implementada para manter a integridade do esporte.”
Lesões na cabeça, incluindo concussões, hemorragias cerebrais e fraturas no crânio, são as lesões mais comuns e graves no boxe. Entre outras lesões estão cortes, narizes quebrados e lesões oculares, trazendo à tona a brutalidade do esporte.
Embora a investigação prossiga, alguns estudos sugerem que até 50 por cento dos antigos boxeadores profissionais podem apresentar sinais de encefalopatia traumática crónica – uma doença cerebral crónica degenerativa – após o término da sua carreira.
“A prevenção de concussões é muito importante para prevenir o desenvolvimento de danos cerebrais permanentes no futuro”, disse Shamim, o neurocirurgião. “Cada concussão tem um efeito aditivo e com cada concussão você corre maior risco de desenvolver concussões subsequentes.
“O combate um contra um como esporte para espectadores, como o boxe, existe há milhares de anos e é improvável que algum dia desapareça. Mas o boxe traz consigo um alto risco de concussões e lesões cerebrais traumáticas. Com os esportes de combate, o risco de concussão e outros traumas sempre existirá.”
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
3 dias atrásem
9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
Relacionado
ACRE
Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
4 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
Relacionado
ACRE
Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login