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O exilado iraniano Mohammad Rasoulof é o candidato da Alemanha ao Oscar – DW – 18/12/2024
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15 filmes já foram selecionados para 2024 Óscar corrida para Melhor Longa-Metragem Internacional, anunciou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas na terça-feira.
Entre eles está a Alemanha, que apresentou Mohammad Rasoulofseu último filme, “A Semente do Figo Sagrado”.
A obra foi inspirada no protestos em massa no Irã em 2022, desencadeadas pelo assassinato de uma jovem, Mahsa Aminipela chamada polícia da moralidade. Rasoulof ouviu as manifestações do seu cela de prisão quando teve a ideia de um thriller explorando a violência estatal, a paranóia e a censura.
“A Semente do Figo Sagrado” segue Iman, um investigador do Tribunal Revolucionário do Irão que é leal ao regime, mas que começou a questionar a natureza arbitrária e sumária das sentenças de morte que lhe foi pedido que assinasse.
Em casa, a sua esposa e as suas filhas são apanhadas nos protestos “Mulheres, Vida, Liberdade” desencadeados pela morte, sob custódia, de Mahsa Amini, de 22 anos.
Amini foi detida por supostamente não usar o hijab adequadamente e teria sido espancada pela polícia.
Fugindo do Irã a pé
Depois de filmar o longa em segredo — o regime iraniano proibiu o diretor de fazer filmes em 2017 — Rasoulof teve que abandonar a produção e fugir do país a pé, atravessando a fronteira. Ele acabara de ser condenado a oito anos de prisão e a chicotadas por criticando o regimeincluindo a sua resposta agressiva ao protestos pró-democracia.
Depois de sair IrãRasoulof conseguiu solicitar asilo na Alemanha; ele havia morado no campo alguns anos antes. O seu passaporte foi confiscado no Irão antes da sua fuga, mas as suas informações já estavam arquivadas nas autoridades alemãs.
O diretor escolheu a Alemanha em parte porque “A Semente do Figo Sagrado” estava sendo editado em Hamburgo por Andrew Bird, que trabalha com o premiado diretor alemão-turco Fatih Akin.
Mesmo assim, Rasoulof não pôde visitar o país quando seu filme “Não Há Mal” ganhou o Urso de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Berlim em 2020. Esse filme era sobre a pena de morte no Irã, e ele o fez enquanto esperava a confirmação de outra sentença de prisão.
Um dissidente no exílio
Rasoulof recebeu um prêmio especial do júri por “A Semente da Figa Sagrada” no Festival de Cinema de Cannes em maio pouco depois de escapar do Irã e terminar o filme no exterior. O filme também ganhou o prêmio Fipresci da indústria cinematográfica, concedido durante o festival.
“Ficou bastante claro para mim que o que mais importava agora era continuar fazendo filmes e contando minhas histórias”, disse Rasoulof em Cannes.
“Eu tinha mais histórias para contar e nada poderia me impedir de contá-las.”
Por que um filme iraniano representando a Alemanha no Oscar?
A German Films, com sede em Munique, é uma empresa de marketing cinematográfico que nomeia o júri independente responsável pela seleção do filme nacional do Oscar. O júri deste ano escolheu “A Semente do Figo Sagrado” entre 13 filmes.
O fato de “A Semente do Figo Sagrado” ter sido produzido pela Run Way Pictures, com sede em Hamburgo, ter recebido financiamento de uma diretoria de cinema do norte da Alemanha e ter um distribuidor alemão tornou-o elegível para seleção.
O júri classificou o mais recente triunfo cinematográfico de Rasoulof como um “trabalho notável de um dos grandes diretores do cinema mundial”.
“Estamos muito felizes em saber que Rasoulof está seguro no nosso país”, continuou a declaração do júri. “E estamos muito satisfeitos por ele representar a Alemanha no Oscar em 2025.”
O diretor e seus produtores afirmaram em comunicado que a seleção “mostra quão poderoso pode existir o intercâmbio intercultural em uma sociedade livre e aberta”.
No passado, o júri alemão escolhia histórias e produções locais. Estes incluem “The Tin Drum” (1979), de Volker Schlöndorff, “The Lives of Others” (2006), de Florian Henckel von Donnersmarck, e “Tudo tranquilo na Frente Ocidental” (2022), de Edward Berger, todos ganhadores do Oscar de filme internacional.
Dos 15 filmes selecionados anunciados em 17 de dezembro, cinco finalistas indicados ao Oscar por Melhor Longa-Metragem Internacional será anunciado em 17 de janeiro, e os vencedores serão apresentados em março de 2025.
Este artigo foi atualizado em 18 de dezembro de 2024 para refletir a última lista de finalistas do Oscar.
Editado por: Cristina Burack
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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre
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19 de maio de 2026O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.
A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.
Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.
O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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