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O Filho e o Polvo – 05/01/2025 – Opinião

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Férias escolares. É meu turno com Martim. Mas, apesar de ser meu turno com Martim, a quem devo lealdade suprema, a certa altura me sinto mais inclinado a ler “A Trégua”, do uruguaio Mario Benedetti. É claro que não irei simplesmente ignorar Martim, até porque está além do meu poder ignorar Martim. Não por incapacidade minha, que tenho todos os recursos espirituais para ignorá-lo, mas porque Martim é uma criança e não se fará ignorável. A marca do adulto é ser ignorável. Fulano é um membro confiável da comunidade quando podemos dizer “Ignoremos Fulano” sem que coisas desagradáveis aconteçam. Não posso dizer “Ignorarei Martim.” Não é um membro confiável da comunidade. Só me resta ir com ele para a fantasia.

Balançando numa rede, decidimos que estamos, na verdade, num bote em alto-mar, pois sobrevivemos ao naufrágio. Nunca se erra com o tema do naufrágio. O que mais se pode esperar da vida além disto: sermos dois náufragos em alto-mar? Pouco. (Ler Benedetti.) As aventuras se sucedem: monstros marinhos, avistamento de sereias, caça a tubarões com arpão. Pois Martim, em meio ao desespero do naufrágio, conseguiu trazer para o bote arpão, luneta e forno de assar peixes. E assim se vive a boa vida do mar. Até que avistamos terra. Em terra, a fantasia do naufrágio chega ao fim.

Mas não o meu turno.

Faço então o que todo pai responsável faz: procuro induzir Martim a se distrair sozinho. Operação delicadíssima. Devo me valer de todos os meus anos de dissimulação e cinismo. Nessa empreitada um polvo de plástico me ajuda. O enredo: fuga do Aquário Municipal. Tenho a leve sensação de que estou plagiando o roteiro de algum filme, mas Martim se envolve, deita de barriga no chão, fabula.

Eu me retiro e deito na rede com meu Benedetti. Na rua, o narrador encontra um conhecido, de quem só se lembra vagamente. Escreve que o tal conhecido se esforça “para me reconstruir pormenores e me convencer de que havia participado da minha vida.” Como é bom isso de “me convencer de que havia participado da minha vida”. Eu não hesitaria em acreditar que alguém participou da minha vida: minha memória é ruim, para além de cinco anos atrás tudo é vago e possível. Sigo lendo.

A certa altura, percebo um silêncio pela casa. Silêncio é mau sinal. O que me ocorre é que Martim abandonou o polvo em fuga e foi perturbar a Mãe. E não é o turno da Mãe. Esse fato é inexorável, absolutamente cabal. Mas é possível que continue brincando em silêncio. Há perigo em conferir: uma criança que brinca sozinha em silêncio é uma criança num frágil encantamento. O mínimo gesto pode rompê-lo. Deixo a rede e vou na ponta dos dedos. Não vejo Martim na sala, mas, alívio!, o encontro no corredor submarino, ainda com o polvo, sussurrando dentro do escafandro. Por um momento não respiro, pois uma banda do meu corpo já se fez visível no corredor. É preciso retroceder essa banda do corpo com todo o cuidado. Mas o pai é macaco velho. Retrocedo. Na rede, minha outra metade é minha de novo. Trégua.



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Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital — Universidade Federal do Acre

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Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital-interna.jpg

A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou da solenidade de inauguração da nova sede da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape), da qual ela é presidente do Conselho Curador. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 26, no campus-sede, local em que se localiza o espaço administrativo e operacional da fundação.

Guida destacou a importância da Fundape para a Ufac e para outras instituições da Região Norte. Para ela, a fundação passou por um processo de fortalecimento nos últimos anos. “A Fundape hoje nos faz realizar, na verdade, todas as parcerias de formação de docentes, de ensino, de pesquisa, de extensão, de inovação”, afirmou.

Segundo a reitora, a fundação ampliou sua atuação para além do Acre, atendendo também instituições de Rondônia, Amapá e Roraima. “Olha a grandeza disso. E nós, enquanto Universidade Federal do Acre, temos que nos orgulhar”, pontuou.

O diretor-presidente da Fundape, Ismar Bernardo de Araújo, disse que a inauguração da sede própria representa uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe e visão de futuro. “Hoje não celebramos apenas a abertura de um novo espaço físico; celebramos uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe, visão de futuro e confiança.”

Ismar lembrou que a Fundape foi instituída em 22 de junho de 1998 e completa 28 anos em 2026. Atualmente, a fundação conta com 38 colaboradores, representa quatro universidades federais, três institutos federais e um hospital universitário, estando presente em quatro Estados da região Norte.

Membro fundador da Fundape e pró-reitor de Planejamento da Ufac, Alexandre Hid, relembrou a criação da fundação e os desafios enfrentados ao longo da trajetória institucional. “Hoje a fundação está aí forte e firme para maiores e melhores desafios.”

Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital-interna-2.jpg

Também participaram da solenidade a reitora da Unir, Marília Pimentel; o procurador-geral adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais do MP-AC, Carlos Roberto da Silva Maia, representando o procurador-geral Oswaldo Lima Neto; o diretor técnico da Fundape, Camilo Gouveia; o diretor administrativo-financeiro da Fundape, Dionel de Araújo; Gemil Júnior, suplente do senador Alan Rick (Republicanos-AC); a pró-reitora de Inovação, Pesquisa e Pós-Graduação do Ifac, Alana Chocorosqui, representando o reitor Fábio Storch; o ex-reitor da Ufac, Minoru Kinpara; além de dirigentes, coordenadores de projetos, colaboradores e representantes de instituições parceiras.

 



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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.

O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.

A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.

O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.

 



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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre

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A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.

Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.

A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.

“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.

“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”

A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.

Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.

 



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