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O que esperar – DW – 22/12/2024
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Trabalhadores da construção civil em Roma têm trabalhado arduamente há semanas e os bispos de todo o mundo têm motivado os católicos a visitar o Cidade Santa. Na véspera de Natal, 24 de dezembro, Papa Francisco abrirá um “Ano Santo”.
Antes de mais nada, é um evento religioso tradicional: uma peregrinação solene às basílicas de São Pedro e São Paulo e outras igrejas em Roma. O primeiro Ano Santo foi oficialmente realizado em 1300.
Não é apenas uma tradição religiosa – é também uma importante fonte de receitas: os especialistas estimam que cerca de 30 milhões de visitantes adicionais virão a Roma em 2025 por causa do jubileu.
Um ‘despertar espontâneo’ histórico
Jörg Ernesti, um teólogo católico baseado na cidade bávara de Augsburg, descreve o ano de 1300 como “um despertar espontâneo”. Na época, a chegada a Roma de um grande número de peregrinos fez com que o Papa Bonifácio VIII declarasse um “Ano Jubileu”, também chamado de “Ano Santo”. No entanto, o ano especial daquela época não começou na véspera de Natal, mas no final de fevereiro, com a “bula papal”. Bonifácio também aproveitou a ocasião para se defender contra acusações de heresia.
Ernesti disse que Bonifácio estipulou originalmente que um Ano Santo deveria ser declarado a cada 100 anos. Mas já em 1350, quando o papado estava em profunda crise e uma sucessão de sete papas residia em Avinhão, foi declarado um segundo Ano Santo. E desde o século XV, um é declarado a cada 25 anos. O historiador Ernesti diz que “o aspecto financeiro sempre desempenhou um papel”, acrescentando: “Mas a solidariedade da Igreja universal durante o Ano Santo é sempre importante”.
O Vaticano também sempre proclama uma “indulgência” jubilar para o Ano Santo. Isso significa que se os “verdadeiramente penitentes” fizerem uma peregrinação a pelo menos uma grande Basílica Papal em Roma, ou à Terra Santa, receberão o perdão total de todos os seus pecados na vida após a morte.
O Ano Santo mais recente foi 2016. Foi o chamado “Ano Santo Extraordinário”, porque foi proclamado antes do ciclo habitual de 25 anos, pelo Papa Francisco. Ele o anunciou como um “Ano Santo da Misericórdia” em 13 de março de 2015 – exatamente dois anos após sua eleição. Além disso, podemos esperar outro “Ano Santo” em 2033, que marcará o 2.000º aniversário da morte de Jesus por crucificação.
Um evento de mídia global
Jörg Ernesti tinha 8 anos na véspera de Natal de 1974. Ele se lembra vividamente de ter assistido a uma transmissão de TV ao vivo com sua família do Papa Paulo VI anunciando a abertura do Ano Santo na Praça de São Pedro, em Roma. Cerca de 40 estações de TV transmitiam ao vivo para cerca de 8 bilhões de telespectadores.
O Papa Paulo VI (1963-1978) foi o primeiro chefe da Igreja Católica a transformar o Ano Santo num evento mediático global. Tornou-se presidente do Concílio Vaticano II, que se realizou de 1962 a 1965. Reuniu-se durante quatro anos para “atualizar” a Igreja – especialmente a sua atitude em relação à liberdade religiosa. Paulo VI teve, portanto, muitos críticos, tanto conservadores como progressistas. Por isso, dedicou o Ano Santo de 1975 à “Renovação e Reconciliação”, como foi oficialmente chamada. Paulo VI foi pioneiro em dar ao Ano Jubilar um título programático. Essa prática continua até hoje.
No final de 2015, o Papa Francisco abriu um Jubileu extraordinário para o 50º aniversário do fim do Concílio Vaticano II. O lema daquele ano foi: “Misericordiosos como o Pai!” Com este tema, Francisco quis ancorar em todo o mundo o tema da misericórdia da sua própria vida. Um gesto muito especial só para aquele Jubileu: permitiu que dioceses de todo o mundo instalassem uma “porta santa” na sua igreja, que os peregrinos pudessem visitar.
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‘Peregrinos da esperança’
O Ano Santo de 2025 intitula-se: “Peregrinos da Esperança”. Este lema reflete de perto como Francisco vê o seu próprio papel – e o da Igreja – num mundo cheio de crises e conflitos. Há anos que ele diz que o mundo parece estar a viver uma “Terceira Guerra Mundial” – uma guerra globalizada que afecta as pessoas mais pobres. Ele também denunciou veementemente as exportações de armas e as guerras.
O Ano Santo não deve ser entendido apenas como uma tradição. O historiador da Igreja Ernesti explica que “nem tudo o que associamos a isso hoje estava lá no início”. A “Porta Santa”, por exemplo, assim como o martelo para “abrir a porta” e o “bloqueio da porta” no final do ano, foram acréscimos que ocorreram muitos séculos depois do ano 1300. Agora, Francisco decidiu que simplesmente “empurraria a porta” e depois passaria por ela. A Porta Santa é o portal direito da Basílica de São Pedro, que está sempre fechado.
O Ano Santo de 2025 também contará com algumas novidades. Um deles é o primeiro “mascote” do Jubileu. A figura de peregrinação em estilo mangá “Luce” (ver foto superior) pretende atrair especialmente os jovens, dos quais o Vaticano espera vários milhões em Roma no final de julho.
E no dia 6 de setembro haverá uma peregrinação de membros da LGBTQ+ comunidade à Basílica de São Pedro — um evento que aparecerá pela primeira vez no calendário oficial de peregrinação.
Este artigo foi escrito originalmente em alemão.
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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre
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19 de maio de 2026O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.
A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.
Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.
O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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