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O que está por trás do rearmamento da Sérvia? – DW – 07/11/2024
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É Sérvia planejando desestabilizar vizinhos Kosovo e Bósnia-Herzegovina ou mesmo para lançar um ataque militar?
Tanto o Presidente do Kosovo, Vjosa Osmani, como o seu homólogo bósnio, Denis Becirovic, alertaram recentemente sobre tal cenário.
Numa entrevista televisiva em Setembro, Osmani disse que há esperança para os Balcãs Ocidentais para se juntar ao UE e OTAN“mas a pré-condição para isso é tratar a Sérvia como ela é: um estado satélite da Rússia que é aprofundar a sua cooperação militar, económica e política com a Rússia.”
A advertência de Becirovic sobre as inclinações territoriais da Sérvia, que emitiu na Nações Unidas Assembleia Geral, em Nova Iorque, no final de Setembro, foi ainda mais insistente.
Ele disse: “Aqui, no pódio da Assembleia Geral da ONU, quero alertar publicamente o público global que, mais uma vez, a liderança da () República da Sérvia está a ameaçar a soberania e a integridade territorial da Bósnia e Herzegovina”.
A ‘farra de compras de armas’ em Belgrado
É um fato que Belgrado há anos que investe maciçamente nas suas forças armadas, comprando armamento moderno, como caças franceses e helicópteros de ataque russos, que o presidente sérvio, Aleksandar Vucic, elogiou como “tanques voadores”.
Também comprou sistemas de defesa aérea chineses, que foram transportados de Pequim para Belgrado pouco depois A invasão em grande escala da Rússia na Ucrânia.
Houve também relatos de que a Sérvia adquiriu do Irão milhares de drones do tipo utilizado pela Rússia para atacar diariamente cidades ucranianas.
A revista de negócios britânica O economista escreveu em 2021 que a “onda de compras de armas” de Belgrado estava deixando seus vizinhos nervosos.
Sérvia armazena armas
O renomado Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo observou em 2022 que, com 1,3 mil milhões de euros (1,4 mil milhões de dólares), o orçamento de defesa de Belgrado era dez vezes maior do que o do Kosovo.
A predominância militar da Sérvia na região é ilustrada pela sua frota de 250 tanques de batalha, o que é mais do que em todas as outras antigas repúblicas jugoslavas juntas (a título de comparação, as forças armadas da Alemanha têm 295 tanques).
Croácia é o segundo na ex-Iugoslávia com 75, a Bósnia em terceiro com 45 e Macedônia do Norte quarto com 31. Nem Montenegro nem Kosovo têm tanques.
Esta é uma das razões pelas quais as pequenas, mas crescentes, forças armadas do Kosovo foram equipadas com drones Bayraktar turcos no ano passado e 250 sistemas de armas antitanque Javelin dos EUA este ano.
Sem estes dois sistemas de armas, que o exército ucraniano está a utilizar com sucesso na sua luta contra a Rússia, a Ucrânia na sua actual forma independente já não existiria.
O projeto ‘Mundo Sérvio’
Isto levanta a questão de saber por que razão Belgrado tem armazenado tantas armas nos últimos anos sem estar sob a ameaça dos seus vizinhos. Estará o Presidente Vucic a planear atacar os vizinhos da Sérvia, tal como sugerido pelo Presidente do Kosovo?
As declarações, as ameaças e as ações da liderança da Sérvia parecem apoiar esta afirmação.
A liderança da Sérvia está a impulsionar um projecto conhecido como “Mundo Sérvio” – uma versão ligeiramente diluída da ideologia da “Grande Sérvia” do antigo presidente sérvio Slobodan Milosevic – que obteve uma resposta positiva dos sérvios nos vizinhos Kosovo e Bósnia-Herzegovina.
Milosevic morreu em 2006 na sua cela no centro de detenção do tribunal de crimes de guerra da ONU, em Haia. Para alcançar o seu objectivo nacionalista para a Sérvia – nomeadamente unir todas as regiões habitadas pelos sérvios da antiga Jugoslávia – Milosevic iniciou quatro guerras na década de 1990 que mataram 130.000 pessoas.
Vários membros de alto escalão do governo da Sérvia serviram sob Milosevic, incluindo o presidente Aleksandar Vucic e o ministro do Interior Ivica Dacic, que a certa altura lideraram a equipa de propaganda de Milosevic.
Assembleia totalmente sérvia
No início de Junho, o Presidente Vucic liderou uma “Assembleia de Todos os Sérvios”, que contou com a presença de representantes das comunidades sérvias nos países da ex-Jugoslávia. O lema da assembleia, que se realizou em Belgrado, foi “Sérvia e República Srpska – Um povo, uma assembleia.”
Foi uma assembleia estratégica que formulou uma declaração que poderia ser descrita como o plano de implementação do “Mundo Sérvio”.
A declaração descreve o Kosovo como uma parte inalienável da Sérvia. Também fala do “interesse nacional unido do povo sérvio”.
Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão em Berlim emitiu uma condenação invulgarmente forte, dizendo que o governo alemão considerou a declaração “muito preocupante e prejudicial para a Bósnia-Herzegovina, a Sérvia e todos os países dos Balcãs Ocidentais”.
Becirovic comentou a assembléia de 8 de junho em Belgrado em seu discurso na ONUafirmando que a sua declaração foi “destrutiva” e que “não foi apenas um ato declarativo, mas um perigoso documento de programa de estado maior que ameaça o Acordo de Paz de Dayton e o estado da Bósnia e Herzegovina.”
A guerra está no horizonte?
Nenhum dos países vizinhos que parecem ser o foco dos interesses territoriais de Belgrado possui forças armadas prontas para a guerra.
Sem a protecção das duas missões de paz ocidentais na região — a Forças da OTAN no Kosovo (KFOR) e a força EUFOR/Althea liderada pela UE na Bósnia — seriam presas fáceis para qualquer expansionismo agressivo por parte de Belgrado.
Nos últimos anos, vários Acúmulo de tropas sérvias na fronteira do Kosovo e um ataque de um Unidade paramilitar sérvia nas forças de segurança do Kosovo causou agitação e tensão. Foi precisamente com estes ataques paramilitares sérvios que a guerra na Croácia começou em 1991 e um ano depois na Bósnia.
O papel da República Srpska
É possível que Belgrado estivesse testando a água. Contudo, a resposta tanto dos EUA como da NATO foi rápida e inequívoca e Belgrado recuou.
Washington interveio novamente em Agosto, desta vez na forma de William Burns, director da CIA, que viajou para a Bósnia-Herzegovina especificamente para pôr fim às actividades separatistas do líder sérvio-bósnio Milorad Dodik.
Dodik já tomou várias medidas no sentido de declarar a independência da Republika Srpska e armou milhares de membros de organizações paramilitares.
Os políticos da capital da Bósnia, Sarajevo, estão a preparar-se para a eventualidade de a Republika Srpska poder pressionar pela secessão. Se isto conduzir a um conflito armado e se os sérvios bósnios ficarem sob pressão militar, é inteiramente provável que Belgrado possa enviar os seus tanques para a Bósnia para apoiar os sérvios bósnios.
Uma nova guerra nos Balcãs não pode, portanto, ser excluída.
Como responderia uma administração Trump?
Não está completamente claro como os EUA responderiam a tal situação sob uma administração Trump. Um candidato muito cotado para o cargo de Secretário de Estado de Trump é o ex-embaixador dos EUA na Alemanha, Richard Grenell.
O genro de Grenell e Trump, Jared Kushner, tem grandes interesses comerciais na Sérvia.
Este artigo foi publicado originalmente em alemão e adaptado por Aingeal Flanagan.
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22 de maio de 2026Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) participaram, nos dias 10 e 11 de abril, do HSIL Hackathon 2026, promovido pelo Health Systems Innovation Lab da Harvard T.H. Chan School of Public Health. A participação da equipe ocorreu no Hub de Inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, o InovaHC, em uma edição realizada simultaneamente em mais de 30 países. O grupo conquistou o 3º lugar geral entre mais de 30 equipes com o projeto Viginutri, solução voltada à prevenção da desnutrição hospitalar.
A equipe foi liderada pela acadêmica de Medicina da Ufac Maria Júlia Bonelli Pedralino e contou com a participação de Guilherme Félix, do curso de Sistemas de Informação, Bruno Eduardo e Wesly, do curso de Medicina. Segundo Maria Júlia, representar o Acre e a Ufac em um evento dessa dimensão foi uma experiência marcante para sua trajetória acadêmica e pessoal. “O Acre tem muito a dizer nos espaços onde o futuro da saúde está sendo construído”, afirmou.
O projeto premiado, Viginutri, foi desenvolvido durante o hackathon em São Paulo e propõe uma solução para auxiliar no enfrentamento da desnutrição hospitalar, problema que pode afetar o prognóstico de pacientes internados e gerar impactos para a gestão hospitalar. A proposta une medicina e nutrição e será aperfeiçoada a partir da premiação recebida pela equipe.
Com a classificação, o grupo garantiu uma aceleração de um ano pela Associação Brasileira de Startups de Saúde, com mentoria especializada e a perspectiva de validar a solução em um hospital real. De acordo com Maria Júlia, a conquista abre a possibilidade de levar uma ideia desenvolvida por estudantes da Ufac para uma etapa de aplicação prática.
A estudante também ressaltou o apoio recebido da Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia da Universidade Federal do Acre (Proint) e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex). Segundo ela, a conquista só foi possível porque a universidade acreditou no projeto e ofereceu as condições necessárias para que o grupo representasse a instituição fora do Acre. “Essa conquista não teria sido possível sem o apoio da Proint e Proex”, disse.
A trajetória do grupo teve início em um hackathon realizado anteriormente no Acre, onde surgiu o projeto Sentinelas da Amazônia, experiência que contribuiu para a formação da equipe e para o interesse dos estudantes em iniciativas de inovação.
Como desdobramento da participação no evento, a equipe deve promover, no dia 12 de junho, às 10h30, no Sebrae Lab, no Centro de Convivência, uma roda de conversa sobre a experiência no hackathon, com o objetivo de incentivar outros acadêmicos a buscarem pesquisa, inovação e desenvolvimento de ideias no ambiente universitário.
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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre
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21 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.
A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.
O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.
Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.
A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.
A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.
O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.
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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre
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19 de maio de 2026O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.
A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.
Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.
O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.
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