NOSSAS REDES

ACRE

O que meus descendentes acharão da minha foto daqui a 100 anos? | Família

PUBLICADO

em

Séamas O’Reilly

TA foto mostra minha avó. Ela está entre os adultos ao fundo, a quarta à direita, espiando por entre uma fileira de rostos antigos. O tipo de rostos que você não vê mais, rostos que só poderiam vir do passado. Mesmo sem o tom sépia e as roupas de época, você sabe que seria difícil mostrar a eles um iPhone ou conversar com eles sobre IA. Francamente, você teria dificuldade em explicar o ITV4.

Mas isso é sépia, esta foto, quase artificialmente; seus adultos imóveis e crianças inquietas capturados em uma permanência misteriosa, tão perfeitamente compostos que lembram a capa de um emocionante livro de memórias da infância irlandesa. A julgar pelos meninos e meninas em seus terninhos e vestidos brancos brilhantes, trata-se de uma cerimônia de primeira comunhão, provavelmente com alunos da pequena escola primária em Mulleek, Fermanagh, onde ela lecionou por 30 anos.

Recebi-o da minha prima Leanne. (Como prima de segundo grau do meu pai, ela é, eu acho, minha prima de segundo grau uma vez afastada, mas não receberei correções neste ponto). Ela acha que a foto tem cerca de 50 anos, ou seja, 1975 ou algo assim.

Minha avó parece ter 68 anos na foto, mas isso não nos diz muito. O registro fotográfico mostra que ela começou sua vida aos 68 anos e simplesmente foi ficando cada vez menor a partir daí. Há fotos dela com meu pai quando era bebê, quando ela devia ter 39 anos, e ainda assim seu cabelo rebelde e seu olhar de aço apresentam o semblante de uma mulher muitas décadas mais velha que ela. Sempre achei que ela tinha o ar implacável de quem fica com os braços cruzados na cama elástica.

Olhando para ele, sinto aquela reviravolta vertiginosa no estômago que muitas vezes sinto quando vejo fotos antigas como esta; a sensação de que um momento aleatório se tornou arbitrariamente permanente e, com isso, a compreensão incompreensível de que aquele microssegundo era tão real quanto aquele em que habito atualmente; a sensação de que a vida dela parece tão desconectada e estranha da minha, apesar de minha existência depender literalmente da dela.

Com uma pontada de vergonha, devo dizer que não sabia a data de sua morte até perguntar à minha família enquanto distribuíamos a foto. A maior parte do que sei sobre ela foi obtida de fotos espalhadas como esta e de histórias contadas por meu pai sobre seus tempos de escola primária, durante os quais ela foi sua professora.

Ela morreu antes de eu completar três anos, então não tenho lembrança dela. Por acaso, o aniversário daquela morte foi há apenas alguns dias, mais ou menos na época em que me vi olhando para esta foto por longos períodos. Talvez seja por isso que estou tão impressionado com a distância que senti inicialmente e com vergonha por reduzir uma vida inteira – uma vida que gerou a minha – a uma caricatura de comédia baseada em instantâneos e boatos.

Então peço desculpas e peço que ela descanse em paz. Porque daqui a 50, 60 ou 100 anos, meus descendentes poderão estar olhando para uma foto minha, parecendo comicamente antigos de uma maneira que ainda não posso prever, tão distantes de suas vidas que seriam um estranho.

‘Quem era esse cara?’, eles dirão enquanto eu olho para eles em uma tela holográfica, ‘você realmente não tem mais rostos assim.’



Leia Mais: The Guardian

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

//www.instagram.com/embed.js



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS