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O que realmente significa o ‘tarifaço’ de Trump

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O que realmente significa o ‘tarifaço’ de Trump

rprangel2004@gmail.com (Ricardo Rangel)

No que descreveu como “dia da libertação “, Donald Trump rasgou os tratados comerciais internacionais  e aumentou unilateralmente as tarifas dos EUA sobre importação. Dezenas de países serão afetados — e vão retaliar.

As bolsas de valores despencaram em todo o mundo, refletindo a inevitável elevação de preços que virá, e a consequente queda nas vendas. O valor da ação da empresa mais afetada, a Apple, caiu mais de 9% em um só dia.

A tarifa para o Brasil ficou em 10%, bastante abaixo das tarifas adotadas contra outros países, e a redução do comércio dos outros com os EUA até pode abrir oportunidades para nosso país.  O Brasil está correto em não reagir neste momento, mas isso não significa que a notícia possa ser boa para nós. Não é. É apenas menos ruim. E o problema real nem é a tarifa.

Os EUA, grandes vitoriosos em 1945, estabeleceram e lideraram desde então uma ordem mundial de organismos multilaterais e respeito a tratados. Com todos os seus muitos defeitos, essa ordem trouxe prosperidade nunca vista aos países que dela participaram. Sobretudo aos próprios EUA.

Nesta quarta-feira, Donald Trump, num gesto suicida, dinamitou essa ordem.

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Os EUA, sob Trump, agora traem seus aliados históricos, ameaçam militarmente os vizinhos, desrespeitam tratados comerciais. Mais: sequestram seus próprios habitantes na calada da noite, levam-nos para destinos ignorados, descumprem ordens judiciais. Chantageiam universidades e violam sua autonomia. Trump está demolindo a democracia americana tão rápido que o país está se tornando irreconhecível.

O dano ainda pode ser revertido no plano interno, mas é quase impossível revertê-lo no plano externo. O resto do mundo entendeu que os EUA deixaram de ser um aliado e passaram a ser um potencial adversário. Isso não vai mudar — mesmo que Trump volte atrás em tudo o que já fez até agora.

Os maiores prejudicados pelas estúpidas decisões de Trump serão os próprios EUA, que que abriram mão do posto de líder mundial, da livre circulação de ideias e da capacidade de atrair capital humano de ponta.

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Alguns setores comemorarão o fim da ordem mundial e o declínio americano como uma boa notícia. É um erro. A notícia não é boa nem para o Brasil nem para ninguém.

“Quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder; vai todo mundo perder”, ensinou certa vez, em outro contexto, a filósofa Dilma Rousseff.

(Por Ricardo Rangel em 04/04/2025)



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Frase do dia: Ciro Gomes

Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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Felipe Barbosa

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A articulação para mudar quem define o teto de jur…

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A articulação para mudar quem define o teto de jur...

Nicholas Shores

O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN). 

A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica. 

Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.

A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira. 

Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.

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Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios. 

Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.

A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.

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Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.

Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.

Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.

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Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.

Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.



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