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O que sabemos – DW – 10/12/2024

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É quase impossível tratar uma doença como a Doença X que é espalhando-se na República Democrática do Congo – os médicos nem sabem se é uma infecção viral ou bacteriana.

Até agora, o RDC registrou 406 casos da doença não diagnosticada. Foram notificados casos graves entre pessoas gravemente desnutridas, incluindo 31 mortes, principalmente crianças.

A propagação da doença está actualmente concentrada no distrito de Panzi, na província de Kwango, localizada a cerca de 700 quilómetros (435 milhas) da capital, Kinshasa. O distrito de Panzi é remoto, com estradas de difícil acesso e infraestruturas de saúde quase inexistentes.

Autoridades de saúde dizem que é mais provável que a doença seja uma doença já conhecida, e não uma doença totalmente nova. Mas eles ainda não sabem qual.

“Relatos de surtos com mortes surgem em algum lugar do mundo várias vezes por ano. Quase todos acabam sendo uma infecção já bem conhecida, com consequências globais limitadas”, disse Paul Hunter, epidemiologista da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, em uma declaração à imprensa.

Qual é a causa mais provável do surto da doença?

Jake Dunning, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, disse que chamar o incidente de surto da Doença X pode ser enganoso e contraproducente.

“A doença X só deveria realmente ser utilizada quando existe uma doença infecciosa com potencial epidêmico ou pandêmico e um novo patógeno foi identificado ou há forte suspeita. Seria mais apropriado dizer que, atualmente, este é um evento de morbidade e mortalidade não diagnosticado “, disse Dunning à DW por e-mail.

A doença não diagnosticada causa sintomas semelhantes aos da gripe, como febre, dor de cabeça, tosse e anemia.

É por isso que Organização Mundial de Saúde (OMS) também acredita que a doença não identificada provavelmente terá origem em causas já conhecidas.

Com base nos sintomas, a pneumonia aguda, a gripe, a COVID-19, o sarampo e a malária estão a ser consideradas como possíveis causas.

Mas também pode ser uma mistura de doenças que causam o surto, incluindo outras doenças transmitidas por mosquitos, como dengue e chikungunya, bem como malária.

Malária é uma doença comum na região e pode estar causando ou contribuindo para os casos”, disse o A OMS informou em 8 de dezembro.

Hunter diz que a doença é provavelmente uma infecção respiratória. Como alguns pacientes relataram anemia como sintoma, Hunter acredita que a bactéria Pneumonia por micoplasma poderia ser um provável culpado.

“Mas é muito cedo para fazer um diagnóstico definitivo até que novas análises sejam divulgadas”, disse Hunter.

África CDC investiga causas com autoridades locais, OMS

O Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (África CDC) destacou uma equipa multidisciplinar de especialistas em ciência e saúde para apoiar a investigação em curso da OMS e do Ministério da Saúde da RDC.

“Testes laboratoriais estão em andamento para determinar a causa exata”, informou a OMS.

Entretanto, estão a realizar testes de diagnóstico e a implementar medidas de controlo de doenças, com base no facto de mais do que uma doença ser responsável pelas infecções.

No entanto, é provável que enfrentem dificuldades na detecção da causa devido ao afastamento da área afectada e às barreiras logísticas.

A cobertura limitada de telefonia móvel e de Internet em toda a região tem dificultado a implantação de equipas de resposta. Fica a dois dias de carro do principal centro de saúde mais próximo em Kinshasa devido à estação chuvosa que afeta as estradas.

Um hospital na RDC: um pequeno prédio térreo com uma estrada de terra na frente
Os hospitais em regiões remotas da RDC, como este em Rethy, estão mal equipados para testar doenças raras.Imagem: Alexis Huguet/AFP/Getty Images

Por que esta doença é tão misteriosa?

Especialistas em saúde acreditam que as causas do surto são desconhecidas devido à capacidade limitada de testes na região.

Os laboratórios clínicos no distrito de Panzi só podem testar patógenos comuns. A detecção de patógenos mais raros muitas vezes exige o envio de amostras para laboratórios especializados. Os cientistas usam técnicas que não estão disponíveis em áreas remotas, como sequenciamento genéticopara descobrir quais patógenos estão causando a propagação de uma doença.

Para a RDC, isto pode significar que as amostras serão enviadas para o estrangeiro para testes, aumentando os atrasos.

“A RDC tem alguns excelentes médicos, cientistas e laboratórios, todos bem versados ​​em surtos e infecções emergentes, mas a RDC é um país enorme e, sem dúvida, continua a ter recursos limitados e um ambiente complexo”, disse Dunning à DW.

A falta de informação sobre a doença torna mais difícil para as autoridades de saúde locais avaliar com precisão a ameaça que enfrentam.

As equipas internacionais de saúde estão a investigar a chamada dinâmica de transmissão e a procurar activamente casos adicionais, tanto nas unidades de saúde como a nível comunitário.

“É vital que estes casos sejam investigados prontamente para que medidas adequadas de tratamento e controle possam ser implementadas”, disse Hunter.

Vice-governador do Cuango Remy Saki disse à DW em 8 de dezembro que a província havia implementado medidas para evitar a propagação da epidemia.

As medidas incluem limitar a circulação de pessoas e registar a entrada e saída de pessoas das aldeias vizinhas, bem como o uso de máscaras faciais.

Editado por: Zulfikar Abbany



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Ufac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard — Universidade Federal do Acre

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Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) participaram, nos dias 10 e 11 de abril, do HSIL Hackathon 2026, promovido pelo Health Systems Innovation Lab da Harvard T.H. Chan School of Public Health. A participação da equipe ocorreu no Hub de Inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, o InovaHC, em uma edição realizada simultaneamente em mais de 30 países. O grupo conquistou o 3º lugar geral entre mais de 30 equipes com o projeto Viginutri, solução voltada à prevenção da desnutrição hospitalar.

A equipe foi liderada pela acadêmica de Medicina da Ufac Maria Júlia Bonelli Pedralino e contou com a participação de Guilherme Félix, do curso de Sistemas de Informação, Bruno Eduardo e Wesly, do curso de Medicina. Segundo Maria Júlia, representar o Acre e a Ufac em um evento dessa dimensão foi uma experiência marcante para sua trajetória acadêmica e pessoal. “O Acre tem muito a dizer nos espaços onde o futuro da saúde está sendo construído”, afirmou.

O projeto premiado, Viginutri, foi desenvolvido durante o hackathon em São Paulo e propõe uma solução para auxiliar no enfrentamento da desnutrição hospitalar, problema que pode afetar o prognóstico de pacientes internados e gerar impactos para a gestão hospitalar. A proposta une medicina e nutrição e será aperfeiçoada a partir da premiação recebida pela equipe.

Com a classificação, o grupo garantiu uma aceleração de um ano pela Associação Brasileira de Startups de Saúde, com mentoria especializada e a perspectiva de validar a solução em um hospital real. De acordo com Maria Júlia, a conquista abre a possibilidade de levar uma ideia desenvolvida por estudantes da Ufac para uma etapa de aplicação prática.

A estudante também ressaltou o apoio recebido da Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia da Universidade Federal do Acre (Proint) e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex). Segundo ela, a conquista só foi possível porque a universidade acreditou no projeto e ofereceu as condições necessárias para que o grupo representasse a instituição fora do Acre. “Essa conquista não teria sido possível sem o apoio da Proint e Proex”, disse.

A trajetória do grupo teve início em um hackathon realizado anteriormente no Acre, onde surgiu o projeto Sentinelas da Amazônia, experiência que contribuiu para a formação da equipe e para o interesse dos estudantes em iniciativas de inovação.

Como desdobramento da participação no evento, a equipe deve promover, no dia 12 de junho, às 10h30, no Sebrae Lab, no Centro de Convivência, uma roda de conversa sobre a experiência no hackathon, com o objetivo de incentivar outros acadêmicos a buscarem pesquisa, inovação e desenvolvimento de ideias no ambiente universitário.



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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre

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A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.

A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.

O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.

A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.

A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.

O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.



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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



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