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O que vem a seguir para a Moldávia após a vitória do presidente pró-Europa? – DW – 05/11/2024
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Foi um dia de eleições como nenhum outro em Europahistória recente.
Embora a participação na segunda volta das eleições presidenciais no República da Moldávia no domingo bateu recordes – especialmente entre os eleitores moldavos que vivem no estrangeiro – o dia foi ofuscado por tentativas generalizadas de interferir nas eleições e perturbar a votação.
Por um lado, houve ameaças sistemáticas de bomba contra assembleias de voto, que tiveram de ser temporariamente fechadas.
Além disso, a polícia moldava está a investigar alegações de que Rússia organizou numerosos voos para trazer eleitores da Rússia para a Turquia e outros países, para que pudessem votar nas embaixadas e consulados de lá.
Contagem de votos estressante
Depois de uma contagem exaustiva de 90 minutos, o resultado não oficial foi anunciado pouco depois da meia-noite.
No final, o resultado foi claro: o presidente em exercício da Moldávia, Maia Sandu, que gostaria de ver o seu país aderir ao UE e está pressionando por reformas radicais, venceu a eleição com cerca de 55% dos votos.
O seu adversário, Alexandr Stoianoglo, um antigo procurador-geral que foi destituído do cargo devido a alegações de corrupção e que tinha o apoio dos partidos pró-Rússia do país, obteve cerca de 45% dos votos.
A participação no domingo foi de cerca de 52% – um recorde para a República da Moldávia, especialmente quando se considera o quão difícil é para muitos eleitores votarem: alguns dos estimados 2,8 milhões de habitantes do país vivem na região separatista pró-Rússia de Transnístriaenquanto centenas de milhares vivem noutros locais da Europa.
A manipulação falhou apesar da interferência massiva
Em suma, as tentativas generalizadas da Rússia, nas últimas semanas e meses, de interferir nas eleições na Moldávia e moldar os seus resultados falharam. O caminho pró-europeu do país está seguro por enquanto.
No entanto, é provável que, sem o ataque híbrido da Rússia às recentes eleições e ao referendo, o resultado para Maia Sandu tivesse sido ainda mais decisivo.
O referendo da UE há duas semanas, quando foi perguntado aos eleitores se a ambição do país de aderir à UE deveria estar ancorada na constituição da Moldávia, aprovado com uma pequena maioria de cerca de 10.000 votos.
A polícia disse que uma enorme quantidade de votos foi comprada no referendo e no primeiro turno das eleições presidenciais há duas semanas.
‘Hoje você salvou a Moldávia!’
Antes da meia-noite, Maia Sandu compareceu perante seus apoiadores na sede do partido que ela mesma fundou, o Partido Ação e Solidariedade (PAS). Ela foi aplaudida e comemorado como o vencedor.
Depois da meia-noite, já completamente rouco, Sandu falou ao país e à imprensa. Seu discurso de aceitação foi muito emocionante.
“Hoje, queridos moldavos, vocês deram uma lição de democracia, digna de ser escrita nos livros de história”, declarou ela. “A liberdade, a verdade e a justiça prevaleceram.”
Sandu também se dirigiu aos moldavos que vivem no exterior: “Vocês são incríveis”, disse ela. “Você mostrou que seu coração está em nosso país.”
Observações autocríticas
Várias vezes em seu discurso, a presidente reeleita disse ter ouvido as vozes críticas e “a voz daqueles que votaram de forma diferente”.
A certa altura, ela mudou do romeno, a língua oficial da Moldávia, para o russo, e disse que, independentemente da sua etnia e língua, todos os cidadãos do país querem “viver em paz, prosperidade e numa democracia e numa sociedade unida”.
Sandu repetiu suas graves acusações de fraude no primeiro turno das eleições e na campanha das últimas duas semanas. Ela disse que houve um “ataque sem precedentes” ao país, uma tentativa de comprar votos com dinheiro sujo e “interferência de forças estrangeiras e grupos criminosos”.
Ela também se criticou a si mesma, observando que a velocidade das reformas tinha sido até agora inadequada e dizendo: “Devemos acelerar a implementação das reformas e consolidar a nossa democracia.”
Remodelação do gabinete prevista para muito em breve
Tanto o presidente como o governo que ela apoia estão sob enorme pressão para cumprir a sua missão. As expectativas em todo o país são muito altas.
Apesar de Sandu ter há muito tempo a reputação de ser absolutamente incorruptível, uma mulher íntegra e uma reformadora determinada, como presidente, ela tem poder limitado.
As eleições parlamentares deverão realizar-se na Moldávia no próximo ano. Se o governo do primeiro-ministro Dorin Recean, um aliado de Sandu, não apresentar melhores políticas sociais e mais reformas judiciais e anticorrupção, o caminho pró-europeu do país poderá estar em risco.
Uma remodelação do gabinete é esperada num futuro próximo. É provável que vários ministros sejam substituídos.
Eleições geopolíticas
Todos os comentadores da televisão pública moldava concordaram que as eleições de domingo foram geopolíticas, nas quais a Moldávia teve de decidir entre Rússia e a perspectiva de um futuro numa Europa democrática.
A maioria também concordou que houve “atividades criminosas sem precedentes” contra o país.
“A Rússia e o grupo criminoso de Ilan Shor investiram uma quantia equivalente a 1% do nosso produto interno bruto para influenciar estas eleições. Houve uma pressão fenomenal e uma enorme quantidade de desinformação e manipulação”, disse Valeriu Pasa, presidente da organização da sociedade civil Watchdog.
Pasa prosseguiu dizendo que “o nosso governo e o nosso país têm agora muitas lições a aprender (…) no poder judicial, na luta contra a corrupção e na forma como lidamos com a sociedade e, sobretudo, com os reformados – um número particularmente grande dos quais são suscetíveis à desinformação.”
Ele insistiu que “luvas de pelica não podem ser usadas na luta contra vigaristas como Shor. É necessária uma ação vigorosa”.
Um aviso severo aos parceiros europeus da Moldávia
O empresário moldavo nascido em Israel, Ilan Shor, é visto como um dos líderes do que é conhecido na Moldávia como o “roubo do século”, quando cerca de um bilhão de euros foi roubado de três bancos moldavos entre 2012 e 2014. Shor fugiu para Israel antes ele deveria começar sua sentença de 15 anos de prisão. Ele agora mora na Rússia.
A polícia da Moldávia suspeita que ele trabalhou com os serviços secretos russos para gerir um esquema sofisticado de compra de votos em grande escala no período que antecedeu as recentes eleições. Estima-se que foram comprados até 300 mil votos.
O escritor Nicolae Negru disse que a Rússia utilizou a Moldávia para testar tais métodos experimentais de manipulação, sublinhando que agora é importante perguntar como é que uma fraude desta escala não foi evitada pelas autoridades, apesar de já terem conhecimento disso há muito tempo.
O cientista político Iulian Groza, do Instituto Moldavo para Políticas e Reformas Europeias (IPRE), disse que a escala da manipulação e as “ferramentas sofisticadas da Rússia” não devem ser subestimadas.
“A Rússia não vai parar, nem no nosso país nem em qualquer outro lugar da Europa”, disse Groza. “As práticas e experiências recentes no nosso país devem dar a todos os nossos parceiros europeus o que pensar.”
Este artigo foi publicado originalmente em alemão e adaptado por Aingeal Flanagan.
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7 de abril de 2026A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.
Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.
O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.
O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.”
Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)
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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre
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7 de abril de 2026Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.
Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.
“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.
Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”
Mostra em 4 atos
A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).
O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.
No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.
No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.
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