POLÍTICA
O tiro pela culatra de Bolsonaro
PUBLICADO
11 meses atrásem
Matheus Leitão
Vinte quatro horas depois, aliados de Jair Bolsonaro continuam a criticar o fato de que o ex-presidente fugiu do script em seu primeiro pronunciamento após se tornar réu na ação sobre a trama golpista.
A ideia inicial era a de que o líder da extrema direita seguisse o roteiro que havia sido organizado pelos advogados e correligionários – e que estava anotado em um papel que o próprio Bolsonaro segurava nas suas mãos.
Não deu certo!
O ex-presidente saiu daquilo que havia sido acertado, voltou a atacar as urnas eletrônicas, o sistema eleitoral, o Supremo Tribunal Federal e o ministro Alexandre de Moraes, assim como fazia quando era presidente. As instituições foram sendo manchadas.
Após isso e por isso, os advogados de Bolsonaro pediram para ele não responder às perguntas dos jornalistas.
Entre aliados, a impressão é de que não ajudou o seu caso. E acaba atrapalhando também o dos outros acusados do chamado “núcleo crucial”.
Até as imagens produzidas no momento do pronunciamento foram criticadas. O ex-presidente passou uma postura de quem está preocupado, nervoso e com medo – sendo que o plano inicial era o de passar serenidade.
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POLÍTICA
A articulação para mudar quem define o teto de jur…
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10 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.
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