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Ofício surgiu na França no começo do século 19 – 15/10/2024 – Andanças na metrópole

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Vicente Vilardaga

Os tênis e sapatênis acabaram com um profissão que outrora era comum na cidade: a dos engraxates. Hoje são raros os homens e mulheres que fazem questão de manter seus sapatos brilhantes.

Esses clientes são basicamente advogados, profissionais do mercado financeiro e funcionários públicos. Os trajes impecáveis deixaram de ser uma exigência do trabalho e as pessoas passaram a se vestir de maneira mais informal.

É uma profissão em vias de extinção. Na praça Antônio Prado, no começo da avenida São João, sobrevivem dois quiosques de engraxates que são os últimos do Centro. Eles se chamam Engraxataria São Paulo e se situam ao lado da Bolsa de Valores e perto da BMF (Bolsa Mercantil de Futuros).

Trabalham ali oito engraxates, que atendem cerca de 15 pessoas por dia cada um e cobram R$ 20,00 para deixar um par de sapatos reluzente. O serviço demora de 15 a 20 minutos. No lugar também é possível comprar calçados e cadarços.

A profissão tem história. Conta a lenda que ela nasceu em 1806, quando Napoleão governava a França e um operário poliu, em sinal de respeito, as botas de um general e foi pago com uma moeda de ouro pela iniciativa.

No Brasil, os primeiros engraxates surgiram no final do século 19 e eram jovens imigrantes italianos, que circulavam com caixas de madeira, graxa e escovas.

Na Itália, quem prestava o serviço eram garotos chamados de “sciusciàs”, cuja rotina foi retratada em um filme de Vittorio De Sica, em 1946. Além de engraxar sapatos, eles também vendiam doces e dispunham de um jornal do dia para entreter o cliente.

O inventor da cadeira de engraxate foi o americano Morris Kohn, em 1890, que patenteou vários outros equipamentos, como diligências e carrinhos de mão para comércio ambulante.

A Engraxataria São Paulo existe desde 1890 e o atual decano dos engraxates da praça Antônio Prado é Fernando Guimarães, de 46 anos, que vai completar 30 anos no ofício em 2025.

Segundo ele, o lugar resiste por causa da clientela do antigo centro financeiro da cidade que ainda mantém a tradição de cuidar dos sapatos. “Mas os bancos saíram da região e muitos advogados, depois da pandemia, passaram a fazer o trabalho em home office”, diz. O movimento caiu.

Guimarães conta que tem clientes fixos e alguns gostam tanto do seu trabalho que engraxam seus sapatos com ele há quase três décadas.

A maioria absoluta da clientela é de homens, mas cerca de 20% são mulheres. Todos os engraxates do local são parentes e amigos.

A Engraxataria São Paulo ocupa belos quiosques de madeira que já passaram por várias reformas desde os anos 1990. Até algum tempo atrás o negócio era patrocinado pela BMF, que bancava a manutenção. Hoje não qualquer patrocínio.

Guimarães lembra que quando começou a trabalhar ali, o serviço custava R$ 2,00 e ele lustrava cerca de 40 pares de sapato por dia. Para cumprir as metas atuais, ele trabalha diariamente quase 12 horas.

“Com meu trabalho consegui manter a família, eu, minha mulher, quatro filhos e quatro cachorros. Mas quero encontrar um trabalho mais tranquilo no futuro e aproveitar mais a vida”, diz.

Ele lembra que antigamente tinham engraxates em vários pontos do Centro, inclusive na praça da Sé. Mas hoje nem ambulantes há mais. A profissão definha.

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.

Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.

Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.

O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.

“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.

A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.

“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.

Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.

A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.

Fhagner Soares – Estagiário

 



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