NOSSAS REDES

ACRE

Olivetto foi o principal publicitário da história da Folha – 13/10/2024 – Mercado

PUBLICADO

em

Naief Haddad

Washington Olivetto, que morreu neste domingo (13) aos 73 anos, foi o principal publicitário dos 103 anos de história da Folha. “Hitler” (1987), uma das campanhas dirigidas por ele para o jornal, conquistou o Leão de Ouro em Cannes, considerado ainda hoje o festival de criatividade de maior prestígio do mundo.

Nenhum outro veículo de imprensa do país obteve tantos prêmios em eventos internacionais dedicados à propaganda como a Folha, e grande parte desse êxito se deve a Olivetto.

Em entrevista ao jornal em junho de 2020, o publicitário paulistano se referiu às campanhas mais marcantes do jornal como “simples, corajosas e verdadeiras”.

Em 1987, Luiz Frias, atualmente publisher do Grupo Folha, procurava um nome em ascensão na publicidade brasileira e entrou em contato com Olivetto, que havia acabado de fundar com sócios suíços a W/GGK —essa agência posteriormente deu origem à W/Brasil.

Fecharam uma parceria, e o primeiro resultado foi a campanha do alarme, lembrou o publicitário. O filme exibia manchetes de impacto, como “Bomba do terror causa morte no Rio” e “300 mil nas ruas pelas Diretas”, enquanto uma sirene soava. De repente, vinha o slogan “este país tem um alarme, Folha de S.Paulo“.

De acordo com Olivetto, a campanha chamou a atenção pela variedade de mídias em que foi veiculada: TVs, rádios e, de modo inusitado, bancas de jornal.

A W/GGK surpreendeu os paulistanos instalando alarmes nas grandes bancas da cidade para associar a estridência do equipamento ao jornalismo crítico da Folha.

No final de 1987, um filme de um minuto foi produzido a partir de uma ideia de Frias e Olivetto. Dezenas de pontos pretos surgiam na tela, segundo depois já eram centenas, que, enfim, formavam o rosto de Adolf Hitler.

Enquanto as feições do ditador alemão eram delineadas, a voz em off de Ferreira Martins apresentava avanços econômicos e sociais promovidos por Hitler na fase inicial do seu governo. No desfecho do comercial, o locutor dizia: “É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade”. E arrematava: “Folha de S.Paulo, o jornal que mais se compra e que nunca se vende”.

Em 1988, a W/GGK levou “Hitler” a Cannes e saiu consagrada. O sucesso se devia, sobretudo, ao talento de um quarteto: Olivetto, dono da agência e responsável pela direção de criação; Nizan Guanaes, o redator; Gabriel Zellmeister na direção de arte; e Andrés Bukowinski, que dirigiu o filme.

Onze anos depois, a revista inglesa Shots selecionou 40 finalistas para o prêmio de melhor filme publicitário do século 20. Havia só um candidato brasileiro, “Hitler”.

Segundo Olivetto, a campanha foi relevante para “consolidar uma nova imagem da Folha, uma imagem de prestígio que já vinha sendo construída com a participação nas Diretas Já e em campanhas como ‘De Rabo Preso com o Leitor’.”

Esta propaganda citada por ele havia sido lançada em 1986, um pouco mais de um ano antes de “Hitler”. Foi produzida pelo publicitário Jarbas de Souza, que morreu em 2016.

Para Olivetto, “Hitler” não apenas foi uma notável peça individual da publicidade como moldou fortemente os filmes da Folha nos anos seguintes. É o caso de “Collor Antes e Depois” (1991) e “Os Presidentes” (1997), ambos da W/Brasil e ambos premiados em Cannes.

Nas décadas seguintes, o jornal trabalhou com agências como África, fundada por Nizan Guanaes, provavelmente o principal nome entre os publicitários influenciados por Olivetto.

Há quatro anos, o jornal lançou “Amarelo/Democracia”, campanha produzida internamente e voltada à defesa dos valores democráticos. “Nós vimos e nunca esqueceremos os horrores da ditadura. E sempre defenderemos a democracia”, dizia, mais uma vez, Ferreira Martins, uma das vozes icônicas da publicidade brasileira.

Separadas por 33 anos, a nova campanha prestava uma homenagem a “Hitler” e, claro, a Washington Olivetto.



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Pesquisa da Ufac é premiada em Congresso Brasileiro de Sementes — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ítalo Ribeiro em CBSementes-2026.png

Pesquisadores de programas de pós-graduação (PPGs) da Ufac conquistaram o prêmio de melhor trabalho na categoria Mestrado durante o 23º Congresso Brasileiro de Sementes, realizado de 25 a 28 de agosto, em Foz do Iguaçu (PR), e promovido pela Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes. O estudo trata de uma técnica baseada no uso de ultrassom para acelerar a germinação e o crescimento de mudas.

A autora principal é a mestranda Lívia Brito, com a colaboração de Ítalo Ribeiro, Rayane de Oliveira, João dos Santos, Janaína Alencar, Evandro Ferreira e Luis Maggi, que integram os PPGs em Ciência, Inovação e Tecnologia para a Amazônia; Biodiversidade e Biotecnologia; Produção Vegetal e Ciência Florestal, além do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

O trabalho avaliou os impactos do ultrassom na espécie arbórea conhecida popularmente como bordão-de-velho ou sete-cascas. A planta possui valor econômico para alimentação humana e animal, além de potencial para projetos de reflorestamento. Contudo, a produção de mudas enfrenta barreiras devido ao seu revestimento, uma rigidez na casca da semente que dificulta a entrada de água e atrasa a germinação.

Os testes conduzidos no Laboratório de Biofísica da Ufac/Bionorte demonstraram que a aplicação de ultrassom com determinada frequência e intensidade pelo período de cinco minutos aumentou o percentual e a velocidade do processo de germinação. A tecnologia é pioneira no país, sem registros anteriores de aplicação em escala industrial no Brasil.

Segundo Lívia, a expectativa da equipe é estender a metodologia a outras culturas agrícolas e espécies nativas, sobretudo as ameaçadas de extinção. A investigação também abrange experimentos com a castanha-do-brasil, apontando dados preliminares de que doses específicas de ultrassom podem elevar os teores de proteína bruta e nitrogênio total nas plantas.

A comitiva da Ufac no congresso contou ainda com outras apresentações. Ítalo Ribeiro expôs os efeitos da técnica no crescimento inicial da ‘Apuleia leiocarpa’, espécie moveleira sob ameaça de extinção; Ronald Antônio Nascimento de Souza apresentou resultados aplicados a sementes de sangue-de-dragão e moringa; e o professor e orientador Luis Eduardo Maggi apresentou um software em desenvolvimento projetado para estimar com precisão a quantidade de energia acústica aplicada sobre as sementes.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

V SIMECO — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

V SIMECO.jpeg



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Egressa de mestrado em CZS obtém prêmio de pós-graduação — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Mirian Soares de Amorim.jpeg

A engenheira agrônoma Mirian Soares de Amorim, aluna egressa do curso de Agronomia e do mestrado em Ciências Ambientais, do campus Floresta da Ufac, em Cruzeiro do Sul, obteve o 2º lugar na categoria Pós-Graduação do 5º Prêmio Margarida Alves de Estudos sobre Ruralidades e Feminismos, cujo resultado final foi divulgado em 17 de março. O evento foi promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.

O estudo destaca a articulação entre a transição agroecológica e a igualdade de gênero, enfatizando o papel central das mulheres rurais, ribeirinhas e agricultoras na preservação da agrobiodiversidade e na soberania alimentar na Amazônia. No mestrado, sob orientação do professor Kleber Andolfato de Oliveira, Mirian também aprofundou investigações sobre o desenvolvimento sustentável e o papel das populações rurais no manejo dos ecossistemas amazônicos.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS