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Onde encontro esperança em meio à dor e à dor | Conflito Israel-Palestina

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Esta é a época da renovação.

Um ano termina. Outro começa.

Na virada do calendário, é costume que colunistas como eu façam previsões sobre o que pode ou não estar por vir ou, alternativamente, ofereçam aos leitores desanimados motivos de esperança em meio a toda a dor e sofrimento.

Devo admitir que, como escritor, sempre relutei em me envolver em qualquer tarefa. A primeira me parece uma tarefa sem sentido, já que bancar o adivinho é um ato tolo de arrogância. A segunda é ainda mais problemática, especialmente quando o sempre esquivo “revestimento positivo” parece tão fora de alcance que desapareceu na irrelevância.

Este ano, tal como o anterior, será lembrado por ter de assistir – desolados e indefesos – enquanto os palestinianos continuam a ser vítimas de um genocídio arquitetado por um regime de apartheid dominado por uma insaciável luxúria assassina e capacitado por hipócritas que insistem que são apóstolos firmes da direitos humanos e direito internacional.

Dia após dia terrível, os palestinianos têm sofrido as consequências cruéis deste ardil miserável. O número de palestinos mortos e feridos desafia a crença. A maneira como suas mortes também desafia a crença.

Dia após dia terrível, os palestinianos presos nas suas próprias terras fragmentadas enfrentam dois destinos: sofrerão mortes súbitas e violentas – vítimas de drones, bombas e atiradores israelitas. Ou morrerão de forma lenta e agonizante – vítimas da fome, das doenças, do frio e da chuva.

A esperança, neste contexto desumano, é uma fantasia tortuosa. Ou assim pensei.

Então, me deparei com um sermão de Natal entregue pelo pastor e teólogo cristão palestino, reverendo Munther Isaac, à sua congregação em Belém.

O discurso de 20 minutos do Reverendo Isaac foi, ao mesmo tempo, uma acusação contundente aos arquitectos do genocídio e um apelo eloquente para não abandonar a esperança – por mais desgastada que ela possa estar.

Enquanto ouvia, minha mente e meu coração oscilavam entre a crença e a descrença.

Não sou um homem de oração, por isso a minha inclinação foi rejeitar as súplicas do Reverendo Isaac – apesar da sua força penetrante e da sua óbvia convicção – como sendo irrealistas, beirando o fantástico.

Eu estava cético.

Quando o sermão do reverendo Isaac atingiu seu crescendo otimista, tive uma epifania. Se um palestino enlutado consegue criar um raio de luz apesar da escuridão predominante, então eu também posso.

Creio que a intenção do Reverendo Isaac era assegurar ao resto de nós – crentes ou não – que a esperança existe e persiste; não pode ser extinto pelos provedores de morte e destruição.

A resistência pode assumir muitas formas. Ainda assim, para que a resistência tenha sucesso, deve ser impulsionada pela esperança de que um futuro livre de miséria e opressão não só é possível, mas, como a história confirma, é inevitável.

Então, o que o reverendo Isaac disse que me fez passar de pessimista taciturno a otimista cauteloso?

Ele começou com este lembrete comovente. “Cristo”, disse o reverendo Isaac, “ainda está nos escombros”.

O pastor estava se referindo a um presépio que ele havia erguido em sua igreja um ano antes, apresentando um Cristo recém-nascido envolto em um keffiyeh e engolfado pelos escombros do implacável genocídio de Israel.

O simbolismo é inconfundível. Cristo e os palestinos são um. Eles compartilham as mesmas circunstâncias e providência. Tal como Cristo sofreu nas mãos vingativas dos potentados que o condenaram à morte, o mesmo aconteceu com os palestinianos.

“(Donald) Trump disse que se os reféns não forem libertados em janeiro, haverá um ‘inferno a pagar’. Já é um inferno. Do que ele está falando? Reverendo Isaac disse. “É realmente difícil acreditar que outro Natal chegou até nós e que o genocídio não parou.”

Apesar de toda a dor, perda e dificuldades, a humanidade dos palestinos permaneceu intacta, disse o Reverendo Isaac.

“Também foram 440 dias de resiliência e até de beleza”, disse ele. “Sim. Penso em todos os heróis de Gaza. Os médicos. Os médicos. As enfermeiras. Os primeiros respondentes. Os voluntários. Aqueles que sacrificam tudo pelos seus semelhantes.”

O Reverendo Isaac também elogiou professores e músicos que ensinam e tocam música para “trazer um sorriso” às crianças palestinas traumatizadas nos remanescentes destroçados de Gaza.

“Sim, a perda é enorme”, disse o reverendo Isaac. “Mas não perdemos a nossa fé e a nossa humanidade colectiva. É dessa beleza que estou falando.”

O Reverendo Isaac implorou a cada um de nós que não sucumbissemos à resignação, à apatia ou ao desespero, uma vez que “o entorpecimento é uma traição à humanidade”.

Em vez disso, ele disse: “Não devemos descansar nem nos cansar. Fazer isso significa não apenas abandonar o povo de Gaza, mas também a nossa própria humanidade. É por isso que devemos continuar a falar sobre Gaza… e a opressão e matança sistemáticas até que acabem.”

Os cúmplices “criminosos de guerra” e os seus co-conspiradores responsáveis ​​pelos horrores perpetrados contra os palestinianos em Gaza e na Cisjordânia ocupada, “devem”, disse o Reverendo Isaac, “ser responsabilizados”.

“Em vez de serem recebidos pela justiça, são recebidos (aplausos) nos corredores do Congresso e defendidos pelos parlamentos europeus”, disse ele. “E ainda se atrevem a dar-nos sermões sobre direitos humanos e direito internacional.”

O reverendo Isaac está, é claro, certo em ambas as acusações vergonhosas.

“O genocídio terminará um dia”, acrescentou. “Mas a história lembrará onde as pessoas estavam. A história se lembrará do que eles disseram. Eles não podem alegar que não sabiam.”

Mais uma vez, o reverendo Isaac está certo. Nós nos lembraremos.

Entretanto, o reverendo Isaac está convencido de que: “Do meio dos escombros surgirá uma planta de vida, prometendo um novo amanhecer. A garantia de uma colheita onde a justiça e a restauração florescerão. E a videira dará frutos que nutrirão as gerações vindouras.”

Será necessário muito trabalho e paciência, mas concordo que a colheita que se aproxima irá de facto florescer e a videira da “justiça e restauração” irá, no devido tempo, dar frutos maduros e abundantes.

“Não perdemos e não perderemos a esperança”, disse o reverendo Isaac. “Sim, são 76 anos de uma Nakba em curso, mas também são 76 anos de vamos (firmeza), apegando-se aos nossos direitos e à justiça da nossa causa.”

O Reverendo Isaac terminou o seu sermão com esta advertência nascida das Escrituras e confirmada, entre outros lugares, na África do Sul, onde outro estado racista e de apartheid foi finalmente derrotado.

“Todo Herodes passará, todo César desaparecerá, pois os impérios têm prazo de validade… e lembremo-nos de que, segundo Jesus, são os mansos, e não os poderosos, que herdam a terra.”

As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.



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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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