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Os restantes Bali Nine regressaram à Austrália depois de quase 20 anos numa prisão indonésia – porquê agora? | Tim Lindsey para a conversa
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2 anos atrásem
Tim Lindsey for the Conversation
UMDepois de semanas de intriga sobre um possível acordo, os membros restantes do Bali Nine foram liberados da prisão na Indonésia e voltou para a Austrália. Os cinco australianos cumpriram quase 20 anos de prisão perpétua por envolvimento em uma operação de contrabando de drogas.
A base jurídica para o seu regresso ainda não é clara porque não existe nenhum acordo de transferência de prisioneiros entre Indonésia e Austrália. Isto não é surpreendente, dado que acordos deste tipo são notoriamente difíceis de negociar, devido às disparidades nas sentenças entre países para crimes como estes.
Mas é claro que a transição do antigo presidente Joko “Jokowi” Widodo para o novo líder do país, Prabowo Subianto, no início deste ano, foi fundamental para que este acordo acontecesse agora. Existem três razões para isso.
Um novo presidente em busca de credibilidade
Jokowi foi eleito para o seu primeiro mandato em 2014, depois de fazer campanha numa plataforma “dura com as drogas”. Ele manteve esta promessa durante toda a sua presidência, recusando conceder clemência aos infratores da legislação antidrogas e encorajador a polícia a atirar em traficantes de drogas se eles resistissem à prisão.
Os tribunais também impuseram sentenças duras aos infratores da legislação antidrogas durante este período, o que significou que muitas pessoas – principalmente indonésios, claro – foram para a prisão, mesmo por delitos de drogas relativamente menores. Isto levou a enormes superlotação nas prisões da Indonésia, criando condições horríveis para os prisioneiros e custos enormes para o governo.
Mas apesar destes problemas e da pressão de muitos países – especialmente aqueles que tinham cidadãos presos na Indonésia – Jokowi recusou-se a ceder na sua posição de “guerra às drogas”.
E assim, as longas negociações para trazer de volta os membros restantes do Bali Nine estavam fadadas ao fracasso enquanto Jokowi permanecesse no cargo. Isto talvez tenha sido mais notável no governo do primeiro-ministro Tony Abbott, quando dois membros do grupo foram executados.
O que mudou desde então foi a eleição de Prabowo em Fevereiro deste ano.
À primeira vista, parece surpreendente que ele seja o único a dar misericórdia aos Bali Five, dada a sua reputação. Durante o período militar sob o comando do ex-ditador Suharto (então seu sogro), ele enfrentou alegações sérias e credíveis de violações dos direitos humanos envolvendo tropas sob o seu comando em Timor-Leste e na Papua, o que ele nega.
Em 1998, as forças especiais que ele comandou também foram acusado de sequestrar e torturar mais de 20 estudantes manifestantes, 13 dos quais ainda estão desaparecidos, dados como mortos. Prabowo nunca foi julgado, embora vários de seus homens o tenham feito.
No entanto, quando Prabowo concorreu pela terceira vez à presidência este ano, fez um enorme esforço para renomear-se e se distanciar de seu passado controverso.
Nas últimas semanas ele até trouxe alguns dos sobreviventes desses raptos para o seu partido político e em seu governo – outrora um resultado impensável.
E mostrar misericórdia para com infratores estrangeiros em matéria de drogas que cumprem penas pesadas faz parte desta reformulação da marca, mas desta vez dirigida ao público estrangeiro.
Perspectiva internacional de Prabowo
Dado que Jokowi se recusou a considerar permitir o Bali Nove para voltar para casa, esta mudança diferencia Prabowo dramaticamente de seu antecessor. Isso também o coloca em uma posição muito boa internacionalmente.
Ao contrário de Jokowi, que estava muito mais preocupado com questões internas e decididamente não era um presidente de relações exteriores, Prabowo está muito concentrado no lugar da Indonésia no mundo.
Vimos isso durante o seu mandato como ministro da Defesa, quando atuou em fóruns internacionais e até procurou intermediar um acordo para acabar com a guerra da Rússia na Ucrânia. Isto não teve sucesso, mas reflete o facto de ele se ver como um ator no cenário global.
Esse é um fator muito importante em sua decisão de mandar os membros restantes do Bali Nine para casa. E eles não são os únicos beneficiários. Ele também está supostamente planejando liberar uma mãe filipina que foi condenada à morte por contrabando de drogas, bem como um Prisioneiro francês antes do Natal.
Claramente, Prabowo vê isto como uma forma de arquitetar uma redefinição tanto para as relações da Indonésia com uma série de países, como para a sua própria reputação. Cria uma base diplomática para que Prabowo se envolva com a comunidade internacional de uma forma mais construtiva. Também elimina o que muitas vezes tem sido irritante para a diplomacia da Indonésia, especialmente quando se trata de países que aboliram a pena de morte.
Uma mudança de tom da Austrália
Também é importante que o governo albanês tenha abordado estas negociações de uma forma discreta, em vez de sinalizar agressivamente a sua posição, como alguns governos australianos fizeram no passado.
Há poucas dúvidas de que a Abbott demandas muito públicas o facto de a Indonésia não ter executado dois outros membros dos Bali Nine porque a Austrália tinha prestado ajuda à Indonésia foi contraproducente e criou uma reacção negativa. Este tipo de diplomacia de megafone dirigida a Jacarta quase sempre sai pela culatra.
Por outro lado, as negociações que levaram à transferência dos restantes membros para casa aconteceram nos bastidores e foram bastante secretas.
Houve negociações confidenciais entre Albanese e Prabowo na Cúpula da APEC em Lima, Peru, em novembro. Seguiu-se a visita do Ministro dos Assuntos Internos, Tony Burke, à Indonésia para negociar directamente com o Ministro Coordenador do Direito, Direitos Humanos e Correcções, Yusril Ihza Mahendra.
Estas reuniões foram apoiadas por um trabalho extenso e discreto do Departamento de Negócios Estrangeiros e Comércio e das equipas jurídicas australianas e indonésias dos Bali Five.
Não sabemos o conteúdo do acordo assinado por Burke e Mahendra. Mas o facto de ter levado os cinco homens a regressar a casa, livres, no domingo, é um lembrete de que esta forma de operar é muito mais produtiva e eficaz quando se lida com a Indonésia.
O que isso significa para o relacionamento?
A relação governo a governo entre a Austrália e a Indonésia é forte há muito tempo, beneficiando de apoio bipartidário devido à importância estratégica da Indonésia para o seu vizinho meridional. A fraqueza tem sido ao nível interpessoal, que foi dramaticamente esvaziado ao longo dos anos.
A diáspora indonésia na Austrália é pequena e os estudos indonésios nas escolas e universidades australianas têm entrou em colapso nas últimas quatro décadas. Na verdade, eles parecem estar a caminho da extinção.
As empresas australianas continuam relutantes em testar os riscos e complexidades da economia em expansão da Indonésia, apesar de um acordo de comércio livre entre os nossos países.
O único ponto real de envolvimento consistente entre o nosso povo é a ilha turística de Bali. Mais de 1,2 milhões de australianos viajam para lá todos os anos, mas pacotes de férias baratos dificilmente constituem uma base sólida para construir relações duradouras e significativas entre duas comunidades muito diferentes.
Muitos observadores em todo o mundo têm-se preocupado com o tipo de presidente Prabowo que será, dado o seu passado como homem forte militar e o facto de ter frequentemente criticado publicamente a democracia como sendo a opção errada para a Indonésia. Seu partido, por exemplo, ainda defende em seu site para um retorno à constituição autoritária de 1945.
Mas o acordo Bali Five deixa claro, logo no início da presidência de Prabowo, que ele é um presidente virado para o exterior e ansioso por se envolver a nível global. Ele acredita que a Indonésia teve um impacto inferior ao seu peso internacional sob o governo de Jokowi e quer mudar isso.
Portanto, do ponto de vista do relacionamento bilateral, este é um sinal para a Austrália de que Prabowo está aberto para negócios.
No entanto, as apostas serão canceladas se ele começar a agir contra a democracia. Isso criaria problemas profundos para a relação bilateral e problemas ainda mais profundos para a Indonésia.
Tim Lindsey é Professor Distinto de Redmond Barry e Professor Malcolm Smith de Direito Asiático e Diretor do Centro de Direito, Islã e Sociedade da Indonésia na Faculdade de Direito de Melbourne. Este artigo foi publicado originalmente pela Conversa
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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