POLÍTICA
Os resultados eleitorais impressionantes de Nikola…
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1 ano atrásem
Ramiro Brites
No dia 25 de agosto, Nikolas Ferreira publicou um vídeo em um pronto-socorro em Campos do Jordão (SP) e pediu desculpas por faltar a um comício porque teve de tomar soro depois de ter participado de seis compromissos no dia anterior. “Vou manter a agenda de Campos do Jordão e de Guaratinguetá. A de São José dos Campos, de fato, não vou ter condições”, disse, citando outras cidades paulistas. Após ser o deputado mais votado do país em 2022, com 1,49 milhão de votos, Nikolas foi escalado como um dos principais cabos eleitorais do PL. E colocou o pé na estrada. Na campanha, visitou sessenta cidades (incluindo dez capitais), superando o périplo do ex-presidente Jair Bolsonaro, e apareceu mais nos palanques do que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, outra aposta do PL. Se não bastasse, Nikolas gravou ainda mais de 200 vídeos com candidatos pelo país. Nas ruas e na internet, tornou-se uma figura onipresente na campanha e, até aqui, obteve resultados impressionantes.
Com um discurso que mistura bordões manjados da direita, lacrações buriladas na internet e proselitismo religioso — é evangélico da Comunidade Graça & Paz —, ajudou o partido a chegar ao segundo turno em capitais importantes, como Fortaleza, Manaus e Cuiabá. Em Belo Horizonte, seu reduto eleitoral, fez seu ex-chefe de gabinete Pablo Almeida se tornar o vereador mais votado da história da capital, com 40 000 votos. O plano de Nikolas e seus aliados é ambicioso: tornar a capital mineira a “cidade mais conservadora do Brasil”. Ele já havia se empenhado no ano passado, quando atuou para eleger 33 dos 45 conselheiros tutelares — uma frente que a direita religiosa abraçou com fervor. O passo mais decisivo será a eleição a prefeito de Bruno Engler, do PL, que foi ao segundo turno desbancando candidatos apoiados por padrinhos poderosos, como o governador Romeu Zema, o ex-prefeito Alexandre Kalil e o presidente Lula.
Os pedidos de apoio na eleição chegaram aos montes ao gabinete do deputado, que priorizou os candidatos vinculados ao Direita Minas, um grupo de Facebook que se tornou uma força política coordenada por Nikolas. Depois deu atenção às demandas específicas do partido, além de candidaturas indicadas por outros deputados, como Gustavo Gayer, em Goiás, e o gaúcho Luciano Zucco. O PL chegou a colocar um jatinho a sua disposição. “Mesmo assim, não deu conta de fazer todos os compromissos”, diz o cacique da legenda, Valdemar Costa Neto.
A presença digital é o grande ativo do deputado de 28 anos. Entre os políticos, é o terceiro com mais seguidores no Instagram (11,8 milhões), atrás só de Bolsonaro e Lula. No TikTok é imbatível, seguido por 6,1 milhões de perfis. Nikolas desponta como expoente de um novo perfil político de direita, mais jovem e conectado às plataformas digitais. Nomes com características semelhantes ganharam protagonismo neste pleito, como André Fernandes, que aos 26 anos está no segundo turno em Fortaleza. A irreverência nas redes e o discurso extremista são estratégias para chamar a atenção do eleitor. Não à toa, declarou apoio a Pablo Marçal em São Paulo.
Seu protagonismo também lhe rende ciúmes e alguns puxões de orelha. O pastor Silas Malafaia encheu a caixa de mensagens do deputado com duras críticas por seu apoio a Marçal. A represália se repetiu após Nikolas declarar o PSD como um inimigo da direita e iniciar campanha contra o partido, que é aliado do PL. “Ele tenta atingir o governador de São Paulo. Isso eu achei feio”, afirma o pastor. O próprio Costa Neto também disse que o jovem deve ter “mais paciência com o pessoal de centro que quer vir para o PL”. Nikolas corrigiu a rota e, na última semana, fez campanha a candidatos do PSD em Londrina e Curitiba.

Ironizado no início pela oposição na Câmara dos Deputados, ele se impôs também em Brasília, onde virou presidente da poderosa Comissão de Educação. A sua trajetória política começou em 2015, com protestos de rua que emergiram das redes sociais. Pelo impeachment de Dilma, acampou em frente ao Congresso ao lado de integrantes do MBL, grupo que hoje condena por não ter apoiado Bolsonaro na eleição. Neto e filho de pastores, Nikolas tem uma formação estritamente cristã, com boas doses ideológicas do guru Olavo de Carvalho. Adolescente, participou de formações evangélicas de Damares Alves, anos antes de ela entrar para a política partidária. “O fenômeno Nikolas é uma inspiração para a juventude, que passa o recado: leia, estude, se prepare”, diz a senadora. No caminho, colecionou tropeços como ter seus perfis suspensos por propagar fake news sobre as urnas eletrônicas.
Nome cada vez mais popular da direita, não se sabe quais são seus planos eleitorais próprios, mas o giro por dezenas de cidades mineiras levantou a especulação de que prepara terreno para disputar o governo do estado em 2026. Seria um salto e tanto para quem estreou na política em 2020, já como o segundo vereador mais votado de Belo Horizonte. De lá para cá, não fez outra coisa a não ser acenar cada vez mais para a direita — e para o alto.
Publicado em VEJA de 18 de outubro de 2024, edição nº 2915
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POLÍTICA
A articulação para mudar quem define o teto de jur…
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10 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.


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