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Os ucranianos perguntam o que estou ouvindo sobre o nosso país durante a campanha dos EUA. A verdade? Estamos quase esquecidos | Natalia Gumenyuk
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2 anos atrásem
Nataliya Gumenyuk
UMCerca de um mês antes das eleições nos EUA, na região de Kharkiv, sentei-me com um grupo de soldados de infantaria ucranianos juntamente com o historiador americano Timothy Snyder. Sugeri que lhe fizessem perguntas não apenas como historiador americano, mas também como cidadão americano.
Os militares estavam curiosos sobre as próximas eleições, mas principalmente sobre as chances de receber ajuda militar significativa em breve. Eles expressaram pena de que muitos americanos ainda não entendam que a luta ucraniana não diz respeito apenas a nós. É do interesse do mundo apoiar a luta contra as violações flagrantes da ordem internacional.
A ansiedade das eleições americanas é sentida mais fortemente em Kiev entre as autoridades ucranianas e os líderes da sociedade civil porque a Ucrânia se tornou uma questão partidária e parte da política interna dos EUA. Estes grupos têm tentado durante anos manter boas relações tanto com os Democratas como com os Republicanos nos EUA. Isto foi especialmente verdadeiro durante o longos atrasos no Congresso sobre a votação a favor da assistência de segurança à Ucrânia. Mas o envolvimento com o campo Maga tornou-se difícil. Isto só piorou quando foi revelado o que o candidato à vice-presidência de Donald Trump, JD Vance, disse em 2022: “Tenho de ser honesto contigo, não me importa realmente o que aconteça à Ucrânia de uma forma ou de outra”. Durante a corrida, Vance caracterizou Vladimir Putin como um “adversário” e “concorrente”, em vez de um inimigo, e geralmente argumentou que os EUA deveriam concentrar-se na China e não na Rússia.
Depois, há as alegações de Trump de que poderia acabar com a guerra em “24 horas”, presumivelmente com um telefonema para Putin. Para ser honesto, este tipo de declarações não preocupa muito os ucranianos, uma vez que não parecem nem remotamente realistas. Não há sinais de que o presidente russo esteja mudando seu objetivo de destruir Ucrânia como um estado. O que realmente preocupa as pessoas é o abrandamento, ou mesmo a interrupção, da assistência militar dos EUA.
Em Pittsburg, na Pensilvânia, um dos mais importantes estados de batalha, tive a oportunidade de falar com vários ucranianos-americanos, incluindo os da diáspora mais antiga e mais conservadora, que tradicionalmente votam nos republicanos. No passado partilharam um forte sentimento anticomunista, mas hoje estão mais unidos em torno de ideias de fé e valores familiares. Alguns deles me disseram que estavam preocupados com os comentários de Vance. Ainda assim, os seus argumentos iriam para outro lado: foi o democrata Barack Obama quem não reagiu com firmeza à ocupação russa da Crimeia em 2014 e se recusou a fornecer ajuda militar. Algumas dessas narrativas também podem ser ouvidas entre os ucranianos conservadores no seu país.
Os ucranianos perguntam-me frequentemente o que é que os candidatos dizem exactamente sobre o nosso país durante a campanha. Tive de responder que, honestamente, a Ucrânia não estava a ser explicitamente mencionada nos comícios, pelo menos naqueles em que participei. Em Saginaw, Michigan, uma cidade industrial, Vance não mencionou a Ucrânia nem uma vez, alertando principalmente sobre os riscos de os trabalhadores locais perderem os seus empregos por causa dos veículos eléctricos chineses. Kamala Harrisnum comício de campanha na cidade universitária de Ann Arbor, falou do fascínio de Trump por líderes autoritários como Putin.
O próprio Trump, falando na Pensilvânia, disse pelo menos três vezes que não gastaria o dinheiro dos contribuintes em guerras “em países dos quais nunca ouviu falar e dos quais não quer ouvir”. O público aplaudiu ruidosamente.
Depois Joe Biden desistiu da corrida, algumas pessoas em Kiev esperavam que ele pudesse agora ser menos cauteloso e usar o tempo que lhe resta no cargo para acelerar o apoio à Ucrânia. A especulação era que ele gostaria de deixar um legado positivo de política externa, no meio da retirada do Afeganistão e da tragédia que se desenrola no Médio Oriente. Em Outubro, tornou-se claro que a actual administração dos EUA não planeava fazer nada de grande antes das eleições.
Algumas medidas foram tomadas. Em 23 de Outubro, Washington finalizou a sua parte de 20 mil milhões de dólares de um empréstimo de 50 mil milhões de dólares à Ucrânia, apoiado por activos russos congelados. Isto será colocado juntamente com um compromisso separado de 20 mil milhões de dólares da UE e 10 mil milhões de dólares divididos entre a Grã-Bretanha, o Japão e o Canadá. Supõe-se que seja reembolsado com os lucros provenientes de mais de 300 mil milhões de dólares em activos soberanos russos que foram imobilizados em Fevereiro de 2022 e que se encontram maioritariamente detidos em Europa.
Mas, a longo prazo, as vidas dos soldados ucranianos dependem não apenas dos fundos para ajuda militar, mas também de tipos específicos de armas. O Presidente Zelenskyy passou os últimos meses a fazer lobby junto ao Ocidente para o seu “plano de vitória”, que envolveria o fornecimento de mísseis de longo alcance à Ucrânia pelos EUA, que poderiam atingir as profundezas da Rússia – algo que as potências ocidentais têm relutado em aprovar. O seu argumento é que isto pode não só mudar a maré no campo de batalha, mas também aliviar o fardo daqueles que mais sofrem – a infantaria ucraniana. Sem isso, o exército ucraniano ficará dependente de soldados exaustos. Se este plano terá ou não alguma chance de progredir dependerá em grande parte de quem vencerá na próxima semana.
Logo após aterrar em Nova Iorque, um colega norte-americano perguntou-me se “estava tudo acabado para a Ucrânia se não recebesse assistência dos EUA após as eleições”. Fiquei intrigado com a forma como a pergunta foi feita. Expliquei que poderia ser extremamente difícil preservar as vidas dos ucranianos se, digamos, Trump fosse eleito, mas isso não significaria que o exército ucraniano deixaria de tentar defender os seus concidadãos ou simplesmente desistiria.
Viajando de um estado indeciso para outro, detectei uma extrema sensação de ansiedade entre muitos americanos. Era tão palpável que senti a necessidade de confortá-los. Aconteça o que acontecer, na manhã de 6 de Novembro a vida na Ucrânia continuará. O mesmo acontecerá nos EUA. Mas isso não significa que as coisas serão fáceis. Os ucranianos aprenderam nos últimos anos que a preocupação pode ser um luxo; a melhor opção é comprometer-se a trabalhar duro para evitar o pior cenário e lutar pelo que é certo.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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23 horas atrásem
9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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2 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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