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Pacote fiscal de Haddad tem dia decisivo no Congresso

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Nicholas Shores

O pacote fiscal que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, enviou ao Congresso para conter o desarranjo das contas públicas nos próximos anos terá um dia decisivo nesta quarta-feira.

Estão na pauta da sessão plenária da Câmara:

  • três destaques (trechos de uma proposta votados em separado) restantes do projeto de lei complementar 210 de 2024, que permite o uso do superávit de cinco fundos para abater dívidas do governo e cria novos gatilhos em caso de déficit primário para bloquear até 15% do valor das emendas parlamentares e travar o crescimento de despesas do governo com pessoal e incentivos tributários; 
  • o projeto de lei 4.614 de 2024, que endurece os critérios para a concessão do BPC e do Bolsa Família e para a permanência nos programas e limita o crescimento anual do repasse federal ao Fundo Constitucional do Distrito Federal à variação do IPCA;
  • e a PEC 45 de 2024, que restringe os tipos de verba indenizatória que podem ser pagos por fora do teto remuneratório constitucional (para acabar com os “supersalários” no Judiciário) e endurece a regra para enquadramento no Abono Salarial.

“É muito importante essa manifestação de unidade, para que sinalizemos ao país que, finalmente, o ajuste fiscal começou a ser votado”, declarou o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), durante a votação do PLP 210 na terça.

“E a votação de hoje (terça) – como serão as duas de amanhã (quarta) – será o início desta caminhada que demonstra, mais uma vez, que estamos contribuindo com o país, sobretudo com aqueles que ficam especulando o tempo todo no mercado financeiro. Nós estamos fazendo a nossa parte e, portanto, nada justifica essas altas exorbitantes (do dólar)”, acrescentou.

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Não deve haver problema para concluir a votação do primeiro projeto do pacote. Por outro lado, ainda pairam dúvidas sobre o projeto que muda regras do BPC. O relator, Isnaldo Bulhões (MDB-AL), ainda não publicou seu parecer.

Alguns deputados temem que a definição de pessoa com deficiência que a versão original do projeto adota possa excluir atuais ou futuros beneficiários com transtorno do espectro autista. 

De forma geral, líderes reconhecem a necessidade de o governo coibir fraudes e atualizar o cadastro no BPC, mas cobram de Bulhões “proteção integral” àqueles que têm, de fato, direito ao benefício.

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Se forem aprovados pela Câmara ainda nesta semana – a última de trabalho no Legislativo – , os itens do pacote fiscal ainda precisarão passar pelo crivo do Senado a partir de quinta-feira para valerem desde o início de 2025, como quer Haddad.

O clima na outra Casa, no entanto, é de insatisfação com o descarte, pela Câmara, de várias mudanças que os senadores haviam promovido no projeto que regulamenta o Imposto e a Contribuição sobre Bens e Serviços (IBS e CBS) e o Imposto Seletivo na reforma tributária.

Nos três dias restantes até o fim do ano legislativo, concorrem pela atenção dos parlamentares a votação, em sessões do Congresso, da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025.



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Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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Felipe Barbosa

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A articulação para mudar quem define o teto de jur…

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A articulação para mudar quem define o teto de jur...

Nicholas Shores

O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN). 

A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica. 

Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.

A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira. 

Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.

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Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios. 

Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.

A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.

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Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.

Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.

Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.

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Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.

Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.



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