ACRE
Pai que agrediu menino de 3 anos com cipó e furou os pés da criança é indiciado por tortura no Acre
PUBLICADO
5 anos atrásem
Antônio Lucas Moura, pai do menino de 3 anos vítima de maus-tratos ao apanhar com cipó e ter os pés furados, em Porto Acre, no interior do estado, foi indiciado por tortura, na modalidade castigo, segundo informou o delegado responsável pelas investigações, Marcos Sobral.
Após a conclusão das investigações, o caso foi encaminhado ao judiciário da cidade de Porto Acre, no interior do estado, local onde mora a criança e os pais. O caso ocorreu em maio deste ano, quando o menino foi passar alguns dias na casa do pai e, quando voltou, apresentava várias lesões pelo corpo. Foi quando a mãe denunciou o caso na delegacia de cidade.
“Durante as investigações, a gente ouviu algumas pessoas que afirmaram que quando da entrega do garoto para o pai, o garoto não apresentava aquelas lesões”, disse o delegado sobre o fim das investigações.
O pai da criança era o principal suspeito de agredir o filho, segundo denúncia da mãe do menino, durante depoimento na delegacia, ele negou as acusações e alegou que o filho já estava ferido quando o recebeu em casa e acusou a ex-companheira de maltratar o menino. Ele foi ouvido e liberado para aguardar as investigações em liberdade.
No dia do depoimento, o homem afirmou à polícia que quando recebeu a criança ela já estava com os hematomas. Mas, a mãe foi ouvida novamente e contestou as afirmações dele.
“Afirma que quando recebeu a criança ela estava com essas cicatrizes no corpo. Esclareceu para a gente que a guarda fica, praticamente, com a mãe. Nesse tempo todo ele falou que só ficou com ela em quatro oportunidades. A última vez que ficou foi essa”, destacou Sobral, logo depois do depoimento do pai.
Criança ainda chora
Rosenilda da Cruz, mãe do menino, disse que pouco mais de dois meses do caso, o menino não está mais recebendo acompanhamento psicológico devido às dificuldades para conseguir profissional na cidade, mas afirmou que ele melhorou o comportamento agressivo.
Após a mãe da criança fazer a denúncia, o menino passou a receber acompanhamento psicológico e dos demais profissionais da rede de assistência social do município de Porto Acre.
“Ainda não fui intimada. E nesse momento ele não está sendo acompanhado porque estamos com dificuldade para conseguir consulta, ele ainda está um pouco agressivo e chora, mas em comparação ao que estava, já está bem melhor, brincando, interagindo”, disse a mãe.
Depoimento do pai
Questionado o porquê de não ter procurado a mãe quando viu o menino ferido, o homem afirmou que conversou com a mãe da criança quando foi devolvê-la.
“Esse foi um dos principais questionamentos feito a ele. Falou que procurou resolver com ela quando entregou a criança. A mãe falou que não entregou a criança daquela forma, um fica contradizendo a versão do outro. Só o que vai esclarecer isso são as testemunhas que estamos tentando coletar, o exame de corpo de delito, que já temos em mãos, as imagens são claras que a criança apresenta ferimento, mas queremos ouvir as testemunhas que viram a entrega da criança”, frisou o delegado.
Sobre os ferimentos nos pés, o pai afirmou que o filho tinha pisado em cima de espinhos em uma propriedade rural. “Os furos que apresenta nos pés ele alega que a criança estava brincando na propriedade rural, onde há espinheiros, e acabou pisando. A criança tem uma mancha de sangue no olho e o um corte no lábio. Ele afirma que foi decorrente de uma queda”, complementou Sobral.
A mãe contou que no segundo depoimento negou as acusações do ex-companheiro.
“Neguei porque é mentira. Perguntei ao delegado: como é que eu teria torturado meu filho, entreguei pro pai, ele viu tudo que estaria acontecendo, levou e passou todos aqueles dias, e quando ele me devolveu eu fazer um boletim de ocorrência com algo que eu mesma tinha feito?”
Laudo do corpo de delito
Conforme o laudo do exame de corpo de delito feito no Instituto Médico Legal (IML) de Rio Branco, a pedido do delegado responsável pelo caso, Marcos Sobral, foi concluído que pode configurar crime de maus-tratos se for apurado que as lesões foram dolosas e causadas pelo genitor.
No exame físico, o perito constatou a presença de várias lesões causadas por instrumento contundente em fase de cicatrização tanto no rosto da criança, como na região anterior e posterior do tronco, no membro superior esquerdo e na palma dos pés. O laudo concluiu ainda que houve “ofensa à integridade corporal ou à saúde da criança”.
Agressões
Rosenilda relatou que o menino foi passar 15 dias com o pai e no momento em que foi buscar a criança foi ameaçada pelo suspeito que ainda teria tentado agredir a criança mais uma vez. A criança contou como foram as agressões à uma médica que fez o atendimento no PS.
“Ele é uma criança de três anos e falou que ele [o pai] usou um cipó para bater nele. Para a médica, contou que furou os pés dele e falou que se ele contasse ia machucar mais ainda. Contou que tem dor na cabeça no corpo todo. Meu filho é uma criança animada alegre, mas agora não deixa ninguém chegar perto.”
A Polícia Civil entrou com um pedido de medida protetiva para que o pai não se aproxime da criança enquanto as investigações tiverem em andamento.
“Espero que ele pague pelo que fez com meu filho que está agressivo, não dorme à noite, agitado. Levei ele para a colônia para mudar os ares e vê se ele melhorava, e lá tinha criança, minha outra filha, e ele bateu nas outras crianças e falava coisas horríveis. Está sim [fazendo acompanhamento psicológico]. Ele era aquela criança carinhosa, mas agora, ele está assim”, contou.
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR

Profecia publicada 20 dias antes chama atenção após terremoto no Peru ser sentido no Acre

Calendário 2026 do Acre: Veja o calendário do Governo e Judiciário que vai ditar o ritmo do ano

Exposição sobre presídios acreanos é levada para Assembleia Legislativa do Acre para Audiência Pública do plano Pena Justa
ACRE
Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
4 dias atrásem
9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
Relacionado
ACRE
Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
5 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
Relacionado
ACRE
Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 semanas atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.