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Planetas como uma fileira de dominós – 29/12/2024 – Mensageiro Sideral
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1 ano atrásem
A formação de um sistema planetário pode ser como a queda de uma fileira de dominós –o primeiro planeta a se formar induz a formação do próximo, que puxa a do seguinte, e assim vai. Pelo menos é o que sugere um trabalho realizado por uma equipe internacional de astrônomos liderados por Kiyoaki Doi, pesquisador japonês trabalhando no Instituto Max Planck para Astronomia, na Alemanha.
A revelação vem do estudo de um sistema jovem em formação conhecido como PDS 70, localizado a 367 anos-luz daqui, na constelação do Centauro. De certa forma, é um sistema planetário brasileiro, já que o catálogo PDS, que deu nome à estrela, corresponde a Pico dos Dias Survey, pesquisa de varredura de astros jovens feita no Observatório do Pico dos Dias, em Minas Gerais, nos anos 1980.
O PDS 70 ganhou fama recente graças ao poder de observação do conjunto de radiotelescópios Alma e do VLT (sigla para Telescópio Muito Grande), ambos instalados nos Andes chilenos. Um disco de gás e poeira circundando a estrela pôde ser observado e em 2018 foi possível até fazer uma imagem direta de um dos dois planetas sabidamente já formados lá.
É, portanto, um alvo ideal para a observação de um sistema planetário que está em pleno processo de formação. Para os novos resultados, a equipe liderada por Doi mais uma vez lançou mão do Alma, desta vez por meio da captação de ondas de rádio, que mais facilmente permitem a visualização do ambiente empoeirado em torno da estrela.
As novas observações mostram uma concentração de grãos de poeira na região noroeste do anel que existe além das órbitas dos dois planetas conhecidos. A localização desse aglomerado de material sugere que os planetas já formados interagem com o disco e promovem a concentração de grãos de poeira em uma região estreita além de suas órbitas –esse material acabará se aglutinando e crescendo para formar um novo planeta.
O trabalho, publicado no periódico Astrophysical Journal Letters, corrobora a hipótese de que a formação de planetas em um sistema como o nosso pode ocorrer de forma sequencial, de dentro para fora, pela repetição desse processo. É a tal fileira de dominós, um derrubado após o outro.
A ideia de que os planetas mais internos são mais velhos e os mais externos são mais novos já circula nos meios científicos há mais de século. Em uma época romântica, mais especulativa, no fim do século 19, o astrônomo Percival Lowell chegou a explicar que a civilização que ele acreditava ver ao telescópio em Marte estava já em um estágio moribundo pelo fato de o planeta vermelho, sendo o quarto a contar do Sol, ser mais antigo que a Terra, o terceiro.
Hoje, sabemos que 100% dessa ideia está errada. Nem há uma civilização marciana decadente, nem Marte é consideravelmente mais antigo que a Terra. Ainda que os planetas tenham se formato numa cascata de dominós por aqui, como parece ocorrer em PDS 70, todo esse processo foi extraordinariamente rápido pelos padrões astronômicos, medido em uns poucos milhões de anos. O Sistema Solar tem hoje cerca de 4,6 bilhões de anos
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Herbário do PZ recebe acervo de algas da Dr.ª Rosélia Marques Lopes — Universidade Federal do Acre
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23 de abril de 2026O Herbário do Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac realizou cerimônia para formalizar o recebimento da coleção ficológica da Dr.ª Rosélia Marques Lopes, que consiste em 701 lotes de amostras de algas preservadas em meio líquido. O acervo é fruto de um trabalho de coleta iniciado em 1981, cobrindo ecossistemas de águas paradas (lênticos) e correntes (lóticos) da região. O evento ocorreu em 9 de abril, no PZ, campus-sede.
A doação da coleção, que representa um mapeamento pioneiro da flora aquática do Acre, foi um acordo entre a ex-curadora do Herbário, professora Almecina Balbino, e Rosélia, visando deixar o legado de estudos da biodiversidade em solo acreano. Os dados da coleção estão sendo informatizados e em breve estarão disponíveis para consulta na plataforma do Jardim Botânico, sistema Jabot e na Rede Nacional de Herbários.
Professora titular aposentada da Ufac, Rosélia se tornou referência no Estado em limnologia e taxonomia de fitoplâncton. Ela possui graduação pela Ufac em 1980, mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo.
Também estiveram presentes na solenidade a curadora do Herbário, Júlia Gomes da Silva; o diretor do PZ, Harley Araújo da Silva; o diretor do CCBN, José Ribamar Lima de Souza; e o ex-curador Evandro José Linhares Ferreira.
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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli
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16 de abril de 2026No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo.
O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:
SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.
A posição descrita acima reflete corretamente o quadro jurídico do momento.
Veja o vídeo:
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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre
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3 semanas atrásem
7 de abril de 2026A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.
Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.
O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.
O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.”
Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)
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