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Poderá a Europa construir-se como rival da Google? – DW – 12/06/2024

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Quando se trata de pesquisar o Internethá pouco que os europeus possam fazer sem a América.

Quando os Europeus procuram informação, 90% deles confie na gigante da tecnologia dos EUA Google para descobrir o que procuram. Cerca de 5% usam o Bing da Microsoft.

Mesmo que escolham um navegador baseado na Europa, é muito provável que utilize a infraestrutura do Google ou do Bing, o que significa que os pedidos são enviados às empresas dos EUA e as suas classificações são exibidas.

Como afirma Christian Kroll, CEO do maior motor de busca da Alemanha, Ecosia, “se os EUA desligassem o acesso aos resultados de pesquisa amanhã, teríamos de voltar às listas telefónicas”. Num tal cenário, a Europa ficaria paralisada.

Um índice de pesquisa para a Europa

Embora um corte seja improvável, as empresas americanas têm facilitado o acesso à sua infraestrutura de pesquisa mais caropublicação de notícias de tecnologia empresarial on-line O Registro relatou. Há nervosismo em torno do que um segundo mandato para Presidente Donald Trump pode significar para O setor tecnológico da Europa.

Para duas empresas europeias de pesquisa, a solução é construir uma rival.

Christian Kroll sentado em frente a um ecrã da marca Web Summit, vestindo uma t-shirt da Ecosia e com as mãos entrelaçadas
O CEO da Ecosia, Christian Kroll, espera ser responsável por 10% do tráfego de pesquisa da Europa até 2030Imagem: Alexander Matthews/DW

No início de Novembro, a Ecosia e o homólogo francês Qwant anunciaram que estavam a unir forças para criar um índice web europeu, essencialmente uma enorme base de dados de páginas web que podem utilizar para responder a consultas de pesquisa.

“Com o Eleições nos EUA acontecendo como está, acho que há um medo cada vez maior de que o futuro presidente dos EUA faça coisas que nós, como europeus, não gostamos muito”, disse Kroll à DW. “Nós, como comunidade europeia, só precisamos ter certeza que ninguém pode nos chantagear.”

Ecosia e Qwant pretendem lançar o seu projeto, denominado European Search Perspective (EUSP), para o mercado francês no início de 2025, seguido pela Alemanha no final do ano. Dependendo dos investidores, outros mercados linguísticos seguir-se-ão.

A busca da UE pela soberania digital

A ideia está ligada a uma tendência popular na política europeia: a soberania digital. Pressionado em particular pelo francês Thierry Breton, antigo comissário da UE para o mercado interno, o argumento é que o UE exige controlo sobre infraestruturas e serviços digitais essenciais para reduzir a sua dependência de outras potências globais.

O comissário Thierry Breton fala ao microfone numa reunião
O ex-comissário da UE Thierry Breton promoveu a ideia de soberania digital na EuropaImagem: aliança de imagens/EUC/ROPI

Kenneth Proll acha que “o sabor disso está mais na natureza da autonomia”. O membro sênior do Centro Europeu do Atlantic Council e professor de direito da UE disse à DW: “Deveria haver uma opção europeia em algumas dessas áreas que são atualmente dominadas pelos fornecedores dos EUA. Então, é assim que entendo este último empreendimento comercial e obviamente, aponta para a possibilidade de haver relações mais tensas entre os EUA e a UE sob uma administração Trump, por isso estão a tentar identificar ter uma opção europeia como uma vantagem de mercado.”

Hora certa de enfrentar o Google?

Mesmo com um cenário político favorável, tentar encontrar espaço ao lado de um gigante como o Google é extremamente difícil. Mas os acontecimentos recentes podem tornar a tarefa um pouco mais fácil.

O Lei dos Mercados Digitais da UEque está em vigor desde meados de 2023, garante que utilizadores finais como Ecosia e Qwant tenham acesso aos dados das empresas norte-americanas, o que é vital para melhorar os seus próprios algoritmos.

A Alphabet, controladora do Google, também enfrenta uma batalha legal para manter seu negócio de buscas unido. Em agosto, um juiz federal dos EUA concluiu que o Google havia sido monopolizando ilegalmente o mercado de busca e o Departamento de Justiça dos EUA propôs que deveria vender seu próprio navegador Chrome como solução. Fazer isso poderia ser extremamente prejudicial aos lucros da empresa e afetar significativamente seu domínio.

Depois, há a crescente integração de inteligência artificial (IA) nos motores de busca, introduzindo outros novos players como OpenAI no mercado. Esta nova onda de tecnologia de pesquisa deverá ser a maior disrupção em mais de duas décadas.

“Os mecanismos de busca estão passando por uma evolução. Ninguém sabe ainda como será isso, mas será diferente do que temos agora”, disse Kroll. “Talvez também possamos aproveitar esta oportunidade para criar algo novo que nos torne… realmente o melhor produto que você pode ter no mercado.”

A Kroll espera que seu banco de dados seja útil para outras empresas que desejam treinar os chamados modelos de linguagem grande (LLMs) na Europa.

Google Chrome em risco: qual o impacto?

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A Europa é um mercado atraente?

No entanto, ter sucesso no setor tecnológico é mais difícil na Europa. As empresas norte-americanas normalmente têm acesso muito mais fácil ao dinheiro dos investidores. Embora a Kroll não se preocupe com quanto a Ecosia e a Qwant esperam gastar, ainda estão à procura de parceiros.

Propp também destaca a abordagem diferente adotada na regulamentação, onde os EUA são frequentemente menos rigorosos. “A visão na Europa, especialmente da Comissão, é que se estabeleça uma base regulatória abrangente, como foi feito em matéria de privacidade e inteligência artificial”, disse ele. “Isso se torna uma vantagem competitiva para as empresas europeias.”

Embora o sector tecnológico na Europa tenha crescido até agora em geral, acrescentou, na realidade não gerou fortes concorrentes para as empresas norte-americanas.

Uma perspectiva de pesquisa europeia

Por enquanto, o objetivo não é derrubar nenhuma empresa norte-americana. Kroll acredita que a Ecosia e a Qwant poderiam almejar uma participação de mercado entre 5-10% na Europa até 2030.

Embora o número possa parecer baixo, ainda representaria um enorme volume de resultados de pesquisa, que por sua vez serão usados ​​para melhorar o algoritmo.

A principal diferença, observou ele, é que os resultados deveriam ser mais relevantes para os europeus, fornecendo exemplos como maior prevalência nos meios de comunicação europeus ou opções de viagens mais ecológicas. “Não vamos pintar isto com cores europeias ou algo parecido. Mas, por exemplo, se alguém estiver procurando uma viagem de Berlim a Paris, poderíamos destacar conexões ferroviárias em vez de conexões aéreas.”

Se for isso que os europeus procuram de facto, isso poderá revelar-se um passo longe do domínio tecnológico dos EUA.

Editado por: Uwe Hessler



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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre

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A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.

A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.

O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.

Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.

A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.

A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.

O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.



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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre

O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.

A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.

Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.

O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.

 



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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre

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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial-capa.jpg

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.

Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).

O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.

Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.

Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.

 



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