NOSSAS REDES

ACRE

Poderá a Geórgia ainda encontrar uma saída para a crise? – DW – 18/12/2024

PUBLICADO

em

Para a cientista política independente georgiana Gela Vasadze, a situação actual do país pode ser melhor resumida como perdida numa crise.

“Estamos a assistir a uma crise política, social, económica e moral causada pelo governo”, disse ele à DW.

Dezenas de milhares de georgianos protestou em todo o país durante semanas. A primeira onda de manifestações foi dirigida contra os resultados da eleições parlamentares realizada no final de outubro.

Nessa eleição, a decisão Festa dos Sonhos Georgianos obteve maioria parlamentar. A oposição, no entanto, disse que a votação foi fraudada.

O fim de semana passado assistiu ao início de uma nova onda de protestos dirigidos contra a eleição do novo presidente, Mikheil Kavelashvili.

Pela primeira vez, o presidente não foi eleito diretamente pelo povo, mas por uma comissão parlamentar. O Georgian Dream tem maioria nesta comissão, que a oposição considera ilegítima.

Presidente em exercício Salomé Zourabichvilicujo mandato termina em 29 de dezembro, está liderando os protestos e disse que não desocupará o palácio presidencial para um sucessor que alegou ter sido escolhido ilegalmente.

Policiais bloqueiam o edifício do Parlamento georgiano enquanto manifestantes antigovernamentais se reúnem em frente ao parlamento em Tbilisi
Os observadores acreditam que os protestos ganharão força em 29 de dezembro, quando o novo presidente eleito, Mikheil Kavelashvili, iniciar o seu mandato. Imagem: Jerome Gilles/NurPhoto/aliança de imagens

Quando a vontade do povo não é suficiente

Enquanto isso, apesar do tenacidade dos manifestantesas condições políticas não mudaram e o Georgian Dream continua a consolidar o seu poder.

O cientista político Vasadze listou duas razões para esta situação: uma dura repressão por parte das autoridades e uma falta de apoio institucional aos manifestantes.

“Estamos a assistir a fortes reacções da sociedade, mas nenhum processo político porque não é a oposição que está a lutar, mas sim a parte activa da sociedade civil”, disse ele.

A vontade do povo não é suficiente para mudar o status quo, explicou: “Os políticos da oposição sabem disso, mas não sabem o que fazer a seguir. novas eleiçõesmas eles não sabem como chegar lá. Ninguém vê um mecanismo real para mudar o equilíbrio de poder.”

Korneli Kakachia, do Instituto Georgiano de Política Externa em Tbilisi, concordou com essa opinião, dizendo à DW: “A situação é muito frágil”.

Ninguém sabe o que poderá acontecer no dia 29 de Dezembro, quando o novo presidente é empossado e o atual chefe de estado se recusa a deixar o cargo, disse ele.

O novo presidente da Geórgia, Mikheil Kavelashvili (C), entre outros homens de terno.
O novo presidente da Geórgia, Mikheil Kavelashvili (C), é rejeitado pelo atual presidente do país, Salome Zourabichvili, que se recusa a renunciar em 29 de dezembro.Imagem: Davit Kachkachishvili/Anadolu/aliança de imagens

Os três cenários futuros da Geórgia

Kakachia disse que atualmente vê três cenários para o futuro da Geórgia.

“Se nada mudar, a Geórgia tornar-se-á semelhante à Sérvia”, disse ele, referindo-se ao governo em Belgradoque pretende oficialmente aderir à União Europeia, mas ao mesmo tempo se contradiz com as suas políticas favoráveis ​​à Rússia.

Kakachia chamou o segundo cenário de “pior”, pois envolveria o “Bielorrização da Geórgia.” Nesse cenário, o governo esmagaria os protestos – como ocorreu na Bielorrússia após as eleições presidenciais de 2020.

“Isto poderia resultar em mais isolamento e mais autoritarismo do que na Bielorrússia”, disse ele.

O terceiro cenário assemelhar-se-ia a um novo “Revolução Rosa,” de acordo com Kakachia. Em 2003, jovens políticos reformistas georgianos organizaram protestos pacíficos sob o lema “Rosas em vez de balas para os inimigos”.

A revolução foi incruenta e resultou em uma mudança não violenta de governo.

De acordo com Kakachia, o pré-requisito para isso foi o governo curvar-se diante pressão das ruas.

“Mas isso não está nos planos desta vez”, acrescentou.

Tal cenário também comporta riscos, incluindo uma potencial deterioração nas relações com Rússia. Kakachia disse acreditar que Moscovo faria tudo o que pudesse para prejudicar a Geórgia através de embargos económicos ou interferindo no trabalho do novo governo.

29 de dezembro é a última chance?

Renata Skardziute-Kereselidze, do think tank do Instituto Georgiano de Política em Tbilisi, disse que ainda vê uma chance para Georgia’s pro-EU forces.

Ela disse acreditar que os manifestantes estão se preparando para “o culminar dos protestos” em 29 de dezembro.

“Observamos que os protestos se tornaram cada vez mais diversificados e se espalharam para além da capital, Tbilisi, para outras partes do país”, disse ela à DW. “Agora depende do apoio da UE e os EUA, razão pela qual existe atualmente uma corrida pela atenção do mundo.”

A oposição tem achado muito mais difícil ultimamente fazer-se ouvir já que agora está operando de forma mais subterrânea, explicou ela.

Além disso, muitos georgianos que votaram no Georgian Dream temem que a situação do seu país possa evoluir como a da Ucrânia em 2014.

Naquela altura, as pessoas na capital ucraniana, Kyiv, protestou durante meses contra o presidente pró-Rússia, Viktor Yanukovych.

No final, Yanukovych foi derrubado, mas os protestos em Praça Maidan terminou violentamente.

Os apoiantes do partido Georgian Dream também acreditam que apenas o partido no poder poderia evitar uma potencial guerra com a Rússia.

O partido e, especialmente, o seu fundador, o bilionário e ex-primeiro-ministro Bidzina Ivanishvili, são considerados amigos da Rússia.

A paz com a Rússia foi a principal promessa eleitoral do partido.

Ex-jogador de futebol é eleito presidente da Geórgia

Para ver este vídeo, ative o JavaScript e considere atualizar para um navegador que suporta vídeo HTML5

Este artigo foi publicado originalmente em alemão.



Leia Mais: Dw

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital-interna.jpg

A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou da solenidade de inauguração da nova sede da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape), da qual ela é presidente do Conselho Curador. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 26, no campus-sede, local em que se localiza o espaço administrativo e operacional da fundação.

Guida destacou a importância da Fundape para a Ufac e para outras instituições da Região Norte. Para ela, a fundação passou por um processo de fortalecimento nos últimos anos. “A Fundape hoje nos faz realizar, na verdade, todas as parcerias de formação de docentes, de ensino, de pesquisa, de extensão, de inovação”, afirmou.

Segundo a reitora, a fundação ampliou sua atuação para além do Acre, atendendo também instituições de Rondônia, Amapá e Roraima. “Olha a grandeza disso. E nós, enquanto Universidade Federal do Acre, temos que nos orgulhar”, pontuou.

O diretor-presidente da Fundape, Ismar Bernardo de Araújo, disse que a inauguração da sede própria representa uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe e visão de futuro. “Hoje não celebramos apenas a abertura de um novo espaço físico; celebramos uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe, visão de futuro e confiança.”

Ismar lembrou que a Fundape foi instituída em 22 de junho de 1998 e completa 28 anos em 2026. Atualmente, a fundação conta com 38 colaboradores, representa quatro universidades federais, três institutos federais e um hospital universitário, estando presente em quatro Estados da região Norte.

Membro fundador da Fundape e pró-reitor de Planejamento da Ufac, Alexandre Hid, relembrou a criação da fundação e os desafios enfrentados ao longo da trajetória institucional. “Hoje a fundação está aí forte e firme para maiores e melhores desafios.”

Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital-interna-2.jpg

Também participaram da solenidade a reitora da Unir, Marília Pimentel; o procurador-geral adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais do MP-AC, Carlos Roberto da Silva Maia, representando o procurador-geral Oswaldo Lima Neto; o diretor técnico da Fundape, Camilo Gouveia; o diretor administrativo-financeiro da Fundape, Dionel de Araújo; Gemil Júnior, suplente do senador Alan Rick (Republicanos-AC); a pró-reitora de Inovação, Pesquisa e Pós-Graduação do Ifac, Alana Chocorosqui, representando o reitor Fábio Storch; o ex-reitor da Ufac, Minoru Kinpara; além de dirigentes, coordenadores de projetos, colaboradores e representantes de instituições parceiras.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.

O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.

A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.

O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose-interna.jpg

A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.

Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.

A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.

“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.

“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”

A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.

Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS