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Pole dance é ‘mais família’ na China, diz dançarina gaúcha – 03/03/2025 – Mundo
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Nelson de Sá
Seis dias por semana, por volta das 20h, a brasileira Luiza Barbosa faz números de pole dance num restaurante colado ao parque Ritan, do Templo do Sol, entre os prédios imponentes do distrito financeiro e a praça Tiananmen, em Pequim.
Quando a música ao vivo para e ela começa a apresentação, meninas chinesas de 8 ou 9 anos e suas mães correm para cercar o palco, animadas e armadas com seus celulares. “É uma coisa mais família”, diz a dançarina. “Os chineses não veem pole dance como algo imoral, que é como o brasileiro vê. Só me tratam como artista e ponto.”
Ela atribui a diferença de comportamento à educação artística no país. Isso faz com que os chineses cresçam “desde criança com uma outra mentalidade”, afirma.
Luiza completou seis meses vivendo na capital chinesa no final do ano passado. Desembarcou lá no final de junho, duas semanas antes de fazer 25 anos. “Já foi um baque”, diz. Ela é de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Cresceu em um Centro de Tradições Gaúchas fundado por seus avós. Dançava peão e prenda e chula.
Fez licenciatura em dança na Universidade Federal de Santa Maria (UFRS) e iniciou um mestrado em história sobre o papel da mulher na dança tradicional gaúcha, segundo ela “muito machista”. “O homem é protagonista, a mulher está ali só para aplaudir.”
Na faculdade, também fez dança contemporânea e conheceu “um mundo”, diz. “Se não tivesse entrado, não seria nem metade do que sou. Tudo o que penso da vida, de arte, do mundo.” Ela conta que descobriu o pole dance em uma academia durante a pandemia. “Falei: ‘Nossa, preciso continuar fazendo isso’. Comprei uma barra e comecei a treinar em casa.”
Lá Fora
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Deixou o mestrado e depois a casa dos pais pelo Bahrein, onde já morava uma amiga da faculdade. Ficou seis meses num resort. “Uma aventura. A gente fazia show de tocha de fogo, bambolê com fogo.”
Voltou para Santa Maria após juntar algum dinheiro e montou uma sala para dar aulas de pole. “Eu tinha alunas, mas ainda tinha que pedir dinheiro para a minha mãe.” Foi quando viu o anúncio de vaga para pole dance no perfil da agência A’Meta da Arte, que traz artistas brasileiros para toda China, no Instagram. “E vim parar aqui.”
O restaurante Mango, onde ela se apresenta, é uma miscelânea Brics. Um dos shows é de um casal de russos que canta em diversas línguas, inclusive português. Uma das músicas, que eles leem com domínio e risos, é “Ai, Se Eu Te Pego”, de Michel Teló.
Um grupo de dançarinas cubanas que recentemente ganhou duas cariocas e uma mato-grossense faz quadros à parte. Num deles, elas se vestem de passistas de escola de samba; noutro, como jovens alemãs.
Na barra, Luiza faz alguns números sozinha e outros em parceria com uma pole dancer russa, Ekaterina, mais experiente e pouco amigável, com quem acumula conflitos. Em parte por causa disso, na apresentação deste Ano Novo, a brasileira apresentou uma nova coreografia, acompanhada de duas cubanas que pouco conhecem de pole dance. “Nunca vi tão lotado, foi bem legal”, conta.
Perto da 0h, nos fins de semana, o restaurante dá lugar a uma balada. As famílias chinesas saem e entra um sem-número de jovens africanos, que dançam até madrugada, guiados pelo DJ Spirit, do Gabão.
O espaço fica próximo a embaixadas e hotéis frequentados por estrangeiros, inclusive aquele usado por autoridades como o presidente Lula (PT) e a ex-presidente Dilma Rousseff.
Luiza divide um apartamento com o casal de cantores russos. “Estou morando bem, é só atravessar a rua. É bem tranquilo. Só eu e meus pensamentos em português.” Ela se comunica geralmente em inglês, mas “é bem confuso”, esclarece.
A dançarina conta que precisou de tempo para se aproximar das cubanas. “Porque elas também são latinas, achei que me acolheriam, mas foi diferente.” A situação melhorou bastante depois da chegada das três colegas brasileiras. “Parece que é outro trabalho”, afirma.
Uma de suas dificuldades foi que o gerente do restaurante pediu desde o início que ela dançasse números de samba. “Nunca dancei samba na vida. Mas tem que fazer a brasileira. Como pode, brasileira não sabe dançar samba? Então estou fazendo o que posso.” Na virada do ano, seguia com dificuldade num novo quadro de samba, ao lado das cubanas e brasileiras.
Mesmo o pole dance é mais desafiador no local. “A barra é imensa. E ela gira. É pole dance aéreo. Às vezes fico pensando, meu Deus, como é que estou fazendo isso?”
Na primeira entrevista que ela deu à reportagem, Luiza se emocionou ao lembrar da mãe e do ex-namorado, um rapper que continuava no Brasil e com quem havia acabado de terminar. “Ele lançou um EP que é sobre a gente, sobre relação à distância, que a gente nunca quis”, diz. “Ninguém vai vir, vou ficar só”, acrescentou depois, sobre o longo inverno.
Ensaiando quando não está se apresentando, ela ainda não tinha viajado pela China e mal conhecia Pequim até o início deste ano. Em dezembro, “acordava para o ensaio, voltava, ia trabalhar e dormia”, relatou.
Numa de suas segundas de folga, nestes seis meses, visitou o parque da Universal, atração hollywoodiana da capital chinesa, com a terra do Kung Fu Panda e o castelo de Hogwarts. Também foi ao zoológico e viu pandas e leões. “Nem deu tempo de olhar tudo, é grande demais.”
Embora mais ambientada, diz não querer ficar além do contrato de um ano. Conta que conseguiu poupar dinheiro e que sua mãe falou em abrir um restaurante como o de Pequim ao seu lado. Mas ela tem dúvidas.
“Talvez eu precise, tipo, trabalhar em outros lugares do mundo para juntar mais dinheiro, abrir uma escola ou algo parecido”, diz. “Algum lugar em que só faça calor, porque aqui está difícil. Talvez a Tailândia.”
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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