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Por que democratas têm tanta dificuldade em derrotar Trump – 03/11/2024 – Mundo

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Independentemente de quem vença a eleição presidencial dos Estados Unidos, é nítido que a campanha dos democratas não saiu tão bem como eles esperavam.

Após as eleições de meio de mandato, em 2022, Donald Trump parecia estar acabado. Ele ainda pode perder, é claro, mas claramente não foi desqualificado, como muitos esperavam, em 6 de janeiro de 2021; por várias acusações criminais; ou pela revogação de Roe vs. Wade por juízes conservadores indicados pelo republicano à Suprema Corte.

Se os eleitores desqualificaram algum candidato em 2024, foi o presidente em exercício, não o criminoso que tentou reverter a última eleição.

Como Trump ainda está tão competitivo? A resposta mais simples é que o ambiente político nacional simplesmente não é tão propício para uma vitória democrata como muitos podem imaginar.

Os democratas enfrentam ventos contrários nesta eleição. Na última pesquisa do New York Times/Siena College, apenas 40% dos eleitores aprovaram o desempenho do presidente Joe Biden, e só 28% disseram que o país estava indo na direção certa. Nenhum partido manteve o controle da Casa Branca quando tantos americanos estavam insatisfeitos com o país ou o presidente.

As pesquisas sugerem que o desafio para os democratas é ainda mais profundo. Pela primeira vez em décadas, os republicanos se igualaram ou ficaram à frente na identificação partidária em todo o país. As pesquisas também mostram que os republicanos têm vantagem na maioria das questões-chave —com a democracia e o aborto sendo exceções significativas.

O desafio dos democratas parece fazer parte de uma tendência mais ampla de lutas políticas para os partidos no poder em países desenvolvidos. Os eleitores parecem ansiosos por mudanças quando têm a chance.

A pandemia e suas consequências geraram descontentamento global, com preços altos afetando eleitores, especialmente jovens e de baixa renda, minando a confiança em governos, elites liberais e mídia, prejudicando o partido no poder.

Nos EUA, o desencanto pós-pandemia afetou os democratas, que defenderam medidas rigorosas contra o vírus, como máscara, vacina, lockdowns e fechamento de escolas. Apoiaram o movimento Black Lives Matter, políticas de fronteira liberais, redução de emissões de gases e gastaram trilhões em estímulos. Com o fim do isolamento social, essas ações se tornaram um fardo.

Mas mesmo que Kamala Harris saia vitoriosa, não necessariamente será uma vitória para os progressistas. Mais do que em qualquer momento nos últimos 16 anos, os democratas estão jogando na defensiva. Eles se moveram para a direita em imigração, energia e crime. Diminuíram a ênfase na tradicional pressão liberal para expandir a rede de segurança social da sociedade, que foi eclipsada pela urgência de reduzir os preços.

Seja qual for o resultado, um longo período de ascensão liberal na política americana pode estar diminuindo.

O fim de uma era?

Desde 2008, os democratas e o liberalismo têm sido dominantes na política americana. Os democratas venceram o voto popular em quatro eleições presidenciais consecutivas e, com controle total do governo, aprovaram leis de assistência acessível, além de salvar a indústria automobilística e investir em energia renovável e infraestrutura.

O liberalismo dominou a cultura com movimentos como Black Lives Matter, #MeToo, a campanha de Bernie Sanders e demandas por um Green New Deal (novo acordo verde) e “Medicare for All’ (saúde acessível a todos).

A eleição de Trump intensificou a energia liberal, alarmando milhões que o consideravam racista e uma ameaça à democracia. O assassinato de George Floyd e a pandemia aumentaram a indignação, resultando em uma nova esquerda focada no antirracismo e restrições de coronavírus, culminando em protestos e ativismo progressista sobre raça e gênero.

Nos últimos anos, a reação contra restrições na pandemia se tornou comum, dividindo instituições liberais. A confiança na mídia, especialistas e cientistas caiu. Jovens americanos usaram redes sociais para expressar frustrações com um presidente idoso, preços altos e um sistema ineficaz.

A pandemia impactou o liberalismo, com inflação e altas taxas de juros atribuídas ao gasto governamental excessivo. Altos preços do gás foram ligados à suspensão de licenças de perfuração e ao fim do oleoduto Keystone. O aumento de migrantes foi associado à política de fronteira flexível, considerada insustentável. A falta de moradia, criminalidade e desordem fortaleceram o argumento por “lei e ordem”.

Em questão após questão, os democratas responderam movendo-se para a direita. Kamala recuou de posições progressistas adotadas em 2019. Os democratas, em geral, têm desvalorizado políticas que antes defendiam com confiança para um eleitorado mais amplo.

Pesquisas indicam que republicanos têm vantagem em questões importantes para o voto, refletindo uma mudança para um ambiente mais conservador. Mostras de 2023 indicam que a vantagem democrata em identificação partidária nos EUA desapareceu, com republicanos superando os adversários pela primeira vez desde 2004, segundo Pew Research, Gallup, NBC/WSJ e Times/Siena.

A tendência no registro partidário é semelhante, com os republicanos ganhando terreno rapidamente em todo o país. Todos os estados-pêndulo com registro partidário —Arizona, Pensilvânia, Nevada e Carolina do Norte— provavelmente terão mais republicanos registrados do que democratas na próxima terça, mesmo que Kamala vença com o apoio das crescentes fileiras dos não filiados.

No contexto dos últimos 16 anos, essa é uma grande mudança. Os democratas chegaram à Casa Branca em 2008 com uma agenda ampla em áreas como saúde, clima, imigração e sindicatos. Embora tenham implementado grande parte dessas políticas, muitos eleitores ainda estão insatisfeitos com a situação do país.

Não fosse pelas desvantagens de Trump, os republicanos poderiam ter vencido de forma decisiva, como nas eleições de mudança de 1980 ou 2008, que mudaram o rumo da política americana. Trump ainda pode alcançar isso, mas seus desafios claramente tornam essa tarefa bem mais difícil.

Se Trump vencer, esta será a explicação mais provável, em vez de sua própria popularidade. Após um período de predominância democrata, a agitação durante e após a pandemia deixou muitos eleitores desiludidos com os democratas e relutantes em dar ao partido outra chance —apesar das sérias reservas sobre Trump.

Se ele perder, a razão será clara: sua conduta no 6 de Janeiro e a revogação de Roe pela Suprema Corte custaram-lhe uma eleição que poderia ter vencido. Nesse cenário, uma vitória de Kamala pode não significar um impulso para os progressistas. Curiosamente, é mais fácil imaginar um liberalismo fortalecido se Trump vencer e reacender o fervor anti-Trump mais uma vez.

Os democratas podem manter sua série de vitórias na terça-feira, mas quando os historiadores olharem para trás, podem concluir que a ascensão liberal já havia chegado ao fim.



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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.

O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.

A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.

O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.

 



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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre

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A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.

Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.

A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.

“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.

“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”

A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.

Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.

 



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Ufac e TCE-AC apresentam pesquisa de vitimização em Rio Branco — Universidade Federal do Acre

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Ufac e TCE-AC apresentam pesquisa de vitimização em Rio Branco — Universidade Federal do Acre

 

A Ufac e o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) realizaram o Seminário de Apresentação da Pesquisa de Vitimização na Cidade de Rio Branco. O evento, que ocorreu nesta terça-feira, 16, no Plenário do TCE-AC, consistiu em exposições e debate no sentido de contribuir para um diagnóstico da segurança pública e para o aprimoramento das políticas voltadas à população.

A pesquisa foi apoiada por emenda parlamentar do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), destinada em 2025 à Ufac. “Quero agradecer a disponibilidade do senador em ajudar a universidade sempre com emendas necessárias para o desenvolvimento da educação e da pesquisa, com retorno garantido para a sociedade acreana”, disse a reitora Guida Aquino.

O seminário teve como público-alvo a comunidade acadêmica, servidores do TCE-AC e do Ministério Público de Contas do Acre, servidores públicos em geral, gestores da área de segurança pública, justiça criminal e direitos humanos e sociedade civil. A pesquisa buscou compreender como a população percebe a segurança, quais situações de violência e criminalidade afetam os cidadãos e como os serviços de segurança pública são avaliados pelas pessoas.

O trabalho provém do grupo de pesquisa Sujeitos, Ações e Percepções: Estudos em Violência e Conflitualidade, coordenado pelo professor da Ufac, Ermício Sena. Ele informou que os produtos da pesquisa foram banco de dados, mapas descritivos de Rio Branco, relatórios de campo, geral e sintético/executivo.

Em seu discurso, Sena agradeceu aos envolvidos na realização da pesquisa e a Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre, que foi a intermediária para contratação do Instituto de Opinião Pública para execução da pesquisa.

 



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