ACRE
Por que os estudantes escoceses da Universidade de Edimburgo querem mais apoio para combater o classismo | Edimburgo
PUBLICADO
2 anos atrásem
Rachel Keenan
Fdesde o primeiro dia em que Shanley Breese começou a se formar em direito na Universidade de Edimburgoela encontrou comentários humilhantes sobre seu sotaque. Foi-lhe dito que ela era difícil de entender e foi-lhe pedido que repetisse nos tutoriais quando usava palavras da língua escocesa.
“Era só uma coisinha para nos diferenciar e apontar… Significava que eu não participava dos meus tutoriais”, diz ela.
Breese também ficou chocado ao caminhar pelo campus e ouvir estudantes “desprezando” roupas de marcas de rua como Primark e TK Maxx, bem como conversas em salas de aula sobre imposto sobre herança que terminaram com declarações como “pessoas ricas simplesmente trabalham mais duro do que pessoas pobres”.
Com apenas cerca de um quarto dos estudantes da universidade vindos de Escóciae o restante sendo de outras partes do Reino Unido ou do exterior, Breese se sentia em minoria.
Em outubro, a publicação de notícias estudantis The Tab Edimburgo recebeu uma reação negativa ao comentar que a falta de estudantes escoceses em um de seus vídeos do TikTok foi “como Deus pretendia”. Este comentário foi a gota d’água. Breese ficou tão perturbada com a discriminação ao seu redor que decidiu criar um grupo de apoio para estudantes como ela.
O Sociedade Escocesa de Mobilidade Social foi fundada em Edimburgo com o objetivo de “fornecer uma comunidade para estudantes escoceses, que muitas vezes vêm de origens da classe trabalhadora e frequentemente experimentam sentimentos de alienação, micro-agressões e atos sutis de exclusão na universidade”.
A Universidade de Edimburgo oferece agora orientação sobre como os estudantes devem tratar uns aos outros. “Não seja esnobe!” lê o conselho para neutralizar as crescentes reivindicações de classismo e discriminação no campus.
Outros conselhos incluem lembrar aos alunos “quando conhecerem novas pessoas, tenham curiosidade sobre os seus interesses e aspirações e não sobre os seus antecedentes” e “tentem desfazer parte da mitologia inútil sobre a relação entre a riqueza e a inteligência ou o trabalho árduo”.
Contudo, a sociedade não considera que a orientação da universidade seja suficientemente séria para ajudá-los a sentirem-se incluídos.
Breese diz: “Isso parece ser uma peculiaridade da personalidade dos estudantes de Edimburgo, em vez de uma questão estrutural e sistêmica… parece algo paternalista. Foi realmente surdo.
As universidades escocesas limitam o número de estudantes escoceses na sua admissão anual, uma vez que as propinas são cobertas pelo governo escocês. As instituições então preenchem a lacuna com estudantes que podem pagar as taxas de outras partes do Reino Unido ou do exterior.
Freya Stewart, estudante de antropologia social e responsável por relatórios da sociedade, diz que a Universidade de Edimburgo também criou um ambiente onde os funcionários não estão habituados a aconselhar estudantes escoceses. Referem-se frequentemente ao modelo de qualificação inglês dos A-levels em vez dos Scottish Highers, apesar da localização da universidade, diz ela.
Stewart diz: “Meu orientador estudantil não sabia o que eram os níveis superiores ou como funciona a SQA (Autoridade Escocesa de Qualificação). Os níveis A são o sistema padronizado e eu diria que eles realmente não entendem o que são os Advanced Highers. É muito raro um orientador estudantil entender isso.”
após a promoção do boletim informativo
A lacuna socioeconómica tornou-se ainda maior para os estudantes escoceses na universidade, uma vez que Edimburgo segue um sistema de “bandeira” para dar prioridade aos estudantes como parte do seu programa de Alargamento do Acesso.
Para serem marcados como candidatos de “bandeira”, os candidatos devem viver numa área dentro dos 40% das partes mais carenciadas da Escócia ou provir de uma escola pública de baixo desempenho. Existem também requerentes de “bandeira positiva”, que incluem refugiados, requerentes com experiência em cuidados de saúde ou aqueles provenientes das 20% das partes mais carenciadas da Escócia.
Ao mesmo tempo que aumenta a diversidade e a inclusão, isto criou um grande fosso entre os estudantes escoceses, que provêm principalmente de meios socioeconómicos mais baixos, e os estudantes de Inglaterra ou de outros países.
Antes de chegar a Edimburgo, Breese nem sabia que existiam escolas particulares e é a primeira de seus amigos e familiares a ir para a universidade. Embora esteja grata por ter conseguido uma vaga na prestigiada universidade, ela pede um apoio melhor.
“Eles me ajudaram a chegar aqui, mas quando cheguei aqui fiquei meio abandonado, foi assim que me senti, e é isso que afeta os sentimentos de alienação”, diz Breese.
Um porta-voz da Universidade de Edimburgo disse: “Nossa política de dignidade e respeito estabelece expectativas claras de comportamento, incluindo o reconhecimento de quando comentários ou comportamento podem ser prejudiciais ou perturbadores para outras pessoas e agir de acordo. Depois de ouvir os estudantes, também introduzimos e continuamos a desenvolver um novo modelo de apoio que fornece orientação pastoral e acadêmica mais dedicada ao longo de seus estudos”.
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
20 horas atrásem
9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
Relacionado
ACRE
Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
Relacionado
ACRE
Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login